Manaus voltou a registrar a pior qualidade do ar entre as capitais brasileiras na manhã desta sexta-feira (16), em meio à fumaça provocada pelas queimadas na Amazônia. Às 6h, a plataforma internacional IQAir apontou um Índice de Qualidade do Ar (IQA) de 167, considerado insalubre. O agravamento da poluição levou à suspensão das aulas presenciais da rede municipal de ensino e de atividades acadêmicas da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
A capital amazonense retornou ao primeiro lugar do ranking nacional de poluição atmosférica após apresentar melhora temporária na quinta-feira (15). O cenário voltou a preocupar autoridades ambientais e de saúde, principalmente pela concentração de partículas finas liberadas pelos incêndios florestais, que podem penetrar profundamente no sistema respiratório.
A crise não está restrita a Manaus. O Amazonas tem 36 municípios em situação de emergência por causa das queimadas, enquanto equipes federais e estaduais trabalham para controlar os focos de incêndio. O Ministério da Saúde também reforçou o monitoramento da rede de atendimento diante do aumento da exposição da população à fumaça.
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Manaus registra índice de poluição de 167 e lidera ranking nacional
Segundo o monitoramento da IQAir, Manaus apresentou índice de qualidade do ar de 167 pontos por volta das 6h desta sexta-feira. Na classificação utilizada pela plataforma, valores entre 151 e 200 indicam condições insalubres, com riscos à saúde associados à exposição aos poluentes.
O resultado colocou a cidade na primeira posição entre as capitais brasileiras com pior qualidade do ar naquele horário. Como os indicadores são atualizados ao longo do dia, a posição no ranking pode mudar conforme as condições meteorológicas e a concentração de partículas na atmosfera.
O Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), desenvolvido pela Universidade do Estado do Amazonas, também identificou uma piora significativa. Em grande parte dos pontos monitorados na capital, a qualidade do ar variava entre muito ruim e péssima.
Os dados mostram que a poluição não atinge todas as regiões da cidade com a mesma intensidade. A concentração de partículas depende da localização dos sensores, da circulação dos ventos e da distribuição da fumaça.
Bairro Aleixo registra concentração elevada de partículas
Na região do Aleixo, na zona centro-sul de Manaus, os sensores registraram concentração de partículas de 139,6 microgramas por metro cúbico (µg/m³), nível classificado como péssimo pelo sistema de monitoramento ambiental.
Já no bairro Tarumã, na zona oeste, a concentração chegou a 39 µg/m³, considerada moderada na classificação utilizada pelo monitoramento local.
A diferença entre os registros demonstra como a fumaça pode se concentrar de maneira desigual dentro da mesma cidade. Mudanças na direção do vento, na temperatura e na circulação atmosférica influenciam diretamente a distribuição dos poluentes.
É importante distinguir os dois indicadores: o índice de qualidade do ar, como os 167 pontos registrados pela IQAir, representa uma escala de classificação da poluição. Já os valores em microgramas por metro cúbico medem a concentração de partículas presentes no ar.
Fumaça provoca suspensão de aulas em Manaus
A piora das condições atmosféricas provocou mudanças na rotina escolar da capital amazonense. A rede municipal de ensino suspendeu as aulas presenciais nesta sexta-feira (16) como medida preventiva para diminuir a exposição de estudantes e profissionais da educação à fumaça.
A Universidade do Estado do Amazonas também interrompeu as aulas e as atividades acadêmicas presenciais em todas as suas unidades, tanto na capital quanto no interior, durante os três turnos.
Parte das atividades administrativas da instituição passou a ser realizada remotamente, reduzindo a necessidade de deslocamento e permanência de servidores em ambientes externos.
As medidas foram adotadas diante dos riscos associados à inalação de partículas presentes na fumaça, especialmente entre crianças e pessoas com doenças respiratórias.
De onde vem a fumaça que encobre Manaus?
A fumaça que atinge Manaus está relacionada aos incêndios florestais registrados no interior do Amazonas e em estados vizinhos, como Rondônia, Pará e Mato Grosso.
Durante as queimadas, a combustão da vegetação libera gases e partículas que podem permanecer suspensos na atmosfera por vários dias. Dependendo da direção e da intensidade dos ventos, esses poluentes são transportados por longas distâncias, atingindo municípios afastados dos focos de incêndio.
A falta de chuvas contribui para agravar o problema, porque dificulta a remoção de partículas da atmosfera. Além disso, o período de estiagem deixa a vegetação mais suscetível à propagação das chamas.
O cenário também afeta outras cidades da Região Norte. Em Porto Velho, capital de Rondônia, a fumaça transportada pelos ventos já havia provocado piora na qualidade do ar ao longo da semana.
Amazonas tem 36 municípios em situação de emergência
O avanço dos incêndios levou o governo do Amazonas a decretar situação de emergência em aproximadamente 36 municípios no dia 10 de outubro. A medida permite ampliar a mobilização de recursos e equipes para enfrentar os efeitos das queimadas.
Segundo dados divulgados pelo governo federal, o estado registrou um pico de 494 focos de incêndio em 10 de outubro. Nesta sexta-feira (16), o monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontava 188 focos, indicando redução em relação ao pico anterior.
Apesar da diminuição dos registros, a situação permanece preocupante. A fumaça acumulada na atmosfera pode continuar afetando a qualidade do ar mesmo quando há redução no número de incêndios ativos.
O período de estiagem na Amazônia, geralmente mais intenso entre agosto e novembro, também exige atenção redobrada das autoridades ambientais.
Ibama combate incêndios com brigadistas e aeronaves
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que 303 focos de incêndio foram extintos no Amazonas desde o início das operações de combate.
Uma força-tarefa coordenada pelo Ibama e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) mobiliza aproximadamente 330 brigadistas para atuar nas áreas atingidas.
O trabalho conta com 11 aeronaves, incluindo aviões de combate direto às chamas, helicópteros e equipamentos de apoio logístico. Entre os recursos disponibilizados estão seis aviões Air Tractor e uma aeronave KC-390 mobilizada pelo Ministério da Defesa para operações de lançamento de água.
Também foram deslocados 32 veículos terrestres e oito embarcações para apoiar as equipes nas regiões afetadas.
As operações buscam controlar os incêndios, impedir que as chamas avancem sobre novas áreas e reduzir os impactos ambientais e sanitários provocados pela fumaça.
Ministério da Saúde monitora situação em 12 municípios
O Ministério da Saúde intensificou o acompanhamento da situação sanitária no Amazonas. Segundo a pasta, 12 municípios foram identificados como necessitados de algum tipo de apoio nos serviços de saúde em razão dos impactos das queimadas.
Equipes da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) trabalham em articulação com autoridades estaduais e municipais para avaliar a capacidade de atendimento e identificar necessidades emergenciais.
O governo federal também monitora o consumo e o fornecimento de oxigênio nas unidades de saúde, incluindo os Distritos Sanitários Especiais Indígenas.
A medida busca garantir a disponibilidade de insumos essenciais caso a procura por atendimento aumente em consequência da exposição à fumaça.
Quais são os riscos da fumaça das queimadas para a saúde?
A fumaça produzida pelos incêndios florestais contém material particulado fino, incluindo partículas conhecidas como PM2,5, que possuem diâmetro de até 2,5 micrômetros.
Por serem muito pequenas, essas partículas conseguem alcançar regiões profundas dos pulmões e estão associadas ao agravamento de problemas respiratórios e cardiovasculares.
Entre os sintomas que podem surgir durante períodos de elevada poluição estão irritação nos olhos e na garganta, tosse, falta de ar, dor de cabeça e piora de doenças como asma e bronquite.
Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças preexistentes estão entre os grupos mais vulneráveis. No entanto, concentrações elevadas de poluentes também podem provocar efeitos em pessoas sem problemas de saúde conhecidos.
Como se proteger da fumaça em Manaus?
Durante períodos de poluição intensa, a recomendação é reduzir a exposição ao ar externo, especialmente quando os índices de qualidade do ar estiverem classificados como insalubres, muito ruins ou péssimos.
Atividades físicas intensas ao ar livre devem ser evitadas, pois aumentam a quantidade de ar inalado e, consequentemente, a exposição às partículas presentes na fumaça.
Também é recomendado manter portas e janelas fechadas nos períodos de maior concentração de poluentes, desde que seja possível preservar condições adequadas de ventilação e conforto térmico.
Máscaras do tipo PFF2 ou N95, quando bem ajustadas ao rosto, podem ajudar a reduzir a inalação de partículas finas durante deslocamentos inevitáveis.
A população deve acompanhar os boletins de monitoramento ambiental e procurar atendimento médico em caso de falta de ar intensa, dor no peito ou agravamento de sintomas respiratórios.
Quando a qualidade do ar deve melhorar?
A melhora da qualidade do ar depende de fatores como a redução dos incêndios, a intensidade das chuvas e as condições de circulação atmosférica.
Mesmo com a diminuição dos focos de incêndio, partículas liberadas anteriormente podem permanecer suspensas e continuar sendo transportadas pelo vento.
Por isso, os indicadores podem variar significativamente ao longo do mesmo dia. A população pode acompanhar as atualizações da plataforma IQAir e do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental da Universidade do Estado do Amazonas.
Enquanto persistirem os níveis elevados de poluição, autoridades ambientais e de saúde recomendam manter os cuidados para reduzir a exposição à fumaça.