A mais recente pesquisa para presidente em 2026 mantém Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em empate técnico no segundo turno e reforça o peso de indecisos, brancos e nulos a pouco mais de uma semana da votação, em um cenário de forte polarização e baixa margem para erro das campanhas.
Datafolha aponta disputa embolada no segundo turno
O novo levantamento do Datafolha, divulgado nesta semana, mostra Flávio Bolsonaro com 47% das intenções de voto na pesquisa estimulada de segundo turno, contra 45% de Lula. Pela margem de erro de dois pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados.
Considerando apenas os votos válidos — critério usado pela Justiça Eleitoral — Flávio aparece com 51% e Lula com 49%, novamente em situação de empate técnico. A pesquisa ouviu 2.520 eleitores em 153 municípios e tem nível de confiança de 95%.
Os números indicam uma leve oscilação em relação ao levantamento anterior do instituto, mas sem alteração estrutural do quadro: a disputa segue aberta, com diferença dentro da margem de erro e forte dependência da decisão de última hora de quem ainda não escolheu candidato ou cogita votar em branco ou nulo.
Avaliação do governo e impacto na reeleição
A pesquisa também mostra estabilidade na percepção sobre o governo. Para 35% dos entrevistados, a gestão Lula é ótima ou boa. A aprovação pessoal do presidente está em 48%, patamar que sustenta sua competitividade, mas não garante folga na corrida à reeleição.
Essa avaliação moderada alimenta leituras distintas: para aliados do PT, indica base suficiente para buscar uma virada na reta final; para adversários, revela limite de crescimento de Lula num ambiente econômico e político tensionado.
Lula tem chance de se reeleger em 2026?
Lula chega à reta final com chances reais de reeleição, mas sem favoritismo consolidado: hoje, ele aparece numericamente atrás de Flávio Bolsonaro nos votos válidos, mas dentro da margem de erro, o que configura um cenário de incerteza total.
Outros institutos reforçam esse quadro apertado. Levantamento da AtlasIntel divulgado recentemente mostra Lula com 46,3% dos votos válidos e Flávio com 43,9%. Já pesquisa PoderData registra 43% para o petista e 42% para o candidato do PL, também em empate técnico.
Na prática, as sondagens apontam que qualquer um dos dois pode chegar à frente, dependendo sobretudo da migração dos votos hoje direcionados a candidaturas menores e da decisão de quem ainda está em dúvida ou inclinado a anular ou votar em branco.
Entenda o contexto
A eleição ocorre num ambiente de polarização e pressão sobre a democracia, com a extrema-direita mantendo influência relevante e o Congresso sob hegemonia de forças conservadoras. A instabilidade global, marcada por conflitos armados e incerteza econômica, adiciona tensão ao quadro interno.
Nesse cenário, o resultado da disputa entre PT e PL é acompanhado de perto por mercados e por setores econômicos que veem na escolha do próximo presidente um fator decisivo para a condução da política fiscal, social e externa do país nos próximos anos.
Lula tem chance de ganhar no segundo turno?
Lula tem hoje chance concreta de vitória no segundo turno, mas a mesma lógica vale para Flávio Bolsonaro: as pesquisas mais recentes indicam um empate técnico duradouro, sem tendência clara de virada para nenhum lado.
Para o cientista político Rui Tavares Maluf, a imprevisibilidade domina a reta final. “Se essas decisões não forem tão firmes, teremos um grau de imprevisibilidade muito significativo e talvez só as pesquisas das últimas 24 horas possam apontar uma direção”, afirma.
Em sua avaliação, a definição passa por movimentos de última hora entre eleitores de candidatos nanicos e por como cada campanha vai conseguir mobilizar quem ainda não decidiu o voto ou cogita anular.
Vitória no primeiro turno é considerada remota
Apesar do esforço do PT para emplacar o discurso do voto útil e tentar encerrar a eleição já no primeiro turno, cientistas políticos consideram essa hipótese improvável neste momento.
Projeções recentes mostram Lula abaixo dos 50% dos votos válidos necessários para liquidar a disputa de uma vez. A AtlasIntel mede o petista com 46,3% dos válidos, contra 43,9% de Flávio. O PoderData vê Lula com 43% e o rival com 42%.
Para Paulo Roberto Figueira Leal, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora, seria preciso uma conjunção de fatores pouco provável: derretimento rápido das candidaturas da chamada terceira via e crescimento repentino de um dos líderes. “São muitos movimentos simultâneos que tornam improvável que isso aconteça. Nada é impossível em política, mas me parece improvável”, diz.
A leitura dominante entre analistas é de que a disputa caminha para um segundo turno extremamente disputado, em que algumas casas decimais podem separar vencedor e derrotado.
Indecisos, brancos e nulos podem decidir a eleição
Nos diferentes levantamentos divulgados nas últimas semanas, o grupo de indecisos e de eleitores que declaram intenção de votar em branco ou nulo varia de 1,2% a 15% do total, a depender da metodologia e do instituto.
Na sondagem da AtlasIntel, brancos, nulos e indecisos somam 1,2%. Em pesquisas anteriores de outros institutos, esse contingente chegou a dois dígitos, sinal de que ainda há um espaço relevante a ser disputado pelas campanhas na reta final.
Para Paulo Roberto Figueira Leal, esse segmento pode ser decisivo: com a paridade de forças entre Lula e Flávio Bolsonaro, qualquer deslocamento de poucos pontos percentuais tende a ser determinante. O próprio Leal avalia que “talvez a eleição seja decidida aí”, entre quem hoje não se vê representado pelos principais nomes, mas pode mudar de posição diante do acirramento do debate.
Corrida pelo voto útil e pressão sobre nanicos
De um lado, o PT intensifica a narrativa de que é preciso concentrar apoios em Lula já no primeiro turno para barrar o avanço da extrema-direita e reduzir o risco de instabilidade política. De outro, o PL aposta na mobilização da base bolsonarista e tenta atrair conservadores que hoje se espalham por candidaturas menores.
O esforço de ambos os lados mira em especial os eleitores de postulantes considerados nanicos. Segundo as pesquisas, nomes como Renan Santos (Missão), Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e outros juntos somam poucos pontos percentuais, mas suficientes para fazer diferença num cenário tão apertado.
Para Maluf, ainda não está claro se haverá um movimento em massa desses votos na reta final. Ele lembra que decisões tardias, inclusive de quem cogita se abster, podem redesenhar o quadro em horas. “Se essas decisões não forem tão firmes”, repete o cientista político, só levantamentos feitos na véspera conseguirão antecipar o desfecho.
Com a proximidade da data da eleição e a persistência do empate técnico nas sondagens, PT e PL se preparam para uma corrida final voto a voto, em que discurso, mobilização de rua, redes sociais e capacidade de reduzir abstenção podem pesar tanto quanto os números dos institutos.