Ex-príncipe Andrew processa polícia após prisão e perda de título

Após prisão e investigações, ex-príncipe enfrenta consequências legais e perde status oficial.
Redação NC News
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Após ter a prisão preventiva decretada, ver suas casas vasculhadas pela polícia e perder o título de príncipe, Andrew Mountbatten-Windsor, irmão de Charles 3º, tenta agora reverter parte dos danos na Justiça britânica, em meio à investigação sobre sua ligação com o esquema de tráfico sexual do financista Jeffrey Epstein.

O que está acontecendo com Andrew Mountbatten-Windsor em relação ao caso Epstein?

Andrew Mountbatten-Windsor, hoje com 66 anos, é investigado por suspeita de ter usado o cargo de Representante Especial de Comércio e Investimento da Coroa para beneficiar Jeffrey Epstein e, possivelmente, compartilhar informações confidenciais de negócios com o financista.

A apuração se apoia em material enviado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que detalha encontros frequentes entre Andrew e Epstein no período em que o então príncipe atuava como enviado comercial. Investigadores buscam esclarecer se relatórios oficiais de viagens a países asiáticos e dados sobre oportunidades de investimento teriam sido encaminhados indevidamente a Epstein.

O caso ganhou novo fôlego após a publicação póstuma do livro de Virginia Giuffre, principal acusadora do financista. Giuffre, que morreu aos 41 anos, relatou ter sido abusada por Andrew quando era adolescente. Ele nega, diz nunca tê-la conhecido e afirma que “nega veementemente qualquer irregularidade em suas relações com Epstein”, segundo nota de sua assessoria.

Desde então, Andrew foi afastado das funções oficiais, perdeu o título de príncipe por decisão de Charles 3º e deixou de representar a monarquia em compromissos públicos. A prisão preventiva deste ano e as buscas em suas residências levaram a crise para um patamar inédito, com impacto direto na imagem da família real.

Por que Andrew Mountbatten-Windsor foi preso pela polícia britânica?

Andrew foi preso preventivamente em 19 de fevereiro, em sua casa na Sandringham Estate, após a Thames Valley Police conseguir mandados para buscas em duas propriedades ligadas a ele, em Sandringham e no Royal Lodge, em Windsor.

Nos documentos apresentados ao juiz, a polícia argumentou que precisava agir com rapidez e sigilo para impedir a destruição de provas. Havia o temor de que Andrew alegasse que os imóveis pertenciam ao rei Charles, o que obrigaria a pedidos adicionais de autorização judicial e poderia atrasar a entrada dos agentes. Segundo a corporação, isso abriria uma janela para o descarte de documentos e dispositivos eletrônicos.

Ao justificar o pedido, a força policial sustentou que, “devido à gravidade da investigação, é essencial evitar atrasos e garantir a surpresa nas buscas”. A prisão preventiva foi utilizada como forma de garantir que ele estivesse sob custódia enquanto os agentes cumpriam os mandados.

Na sequência, Andrew foi levado à delegacia de Aylsham, onde prestou depoimento por quase 12 horas. Ele acabou liberado no mesmo dia, mas permanece formalmente sob investigação por possível conduta imprópria no exercício de função pública e por suspeitas ligadas ao entorno do esquema de Epstein.

Como foi a operação nas casas de Andrew e o que está em disputa na Justiça?

As buscas foram autorizadas pela Corte Criminal Central em 18 de fevereiro e se concentraram em dois endereços: a Wood Farm, parte da Sandringham Estate, e o Royal Lodge, em Windsor, então ainda ocupado pelo ex-príncipe. A execução dos mandados se estendeu até 24 de fevereiro.

Os agentes recolheram papelada, diários, registros de negócios e equipamentos eletrônicos, como celulares, computadores e tablets. O objetivo era obter documentos que cobrissem o período em que Andrew atuou como enviado comercial da Coroa, incluindo relatórios de viagens a Singapura, Vietnã, China e Hong Kong e eventuais comunicações com Epstein.

Defensores de Andrew classificam o receio da polícia — de que ele usaria o rei para barrar as buscas — como mera especulação e sustentam que não havia base suficiente para a medida extrema de prisão preventiva. Advogados contestaram também a legislação usada para fundamentar os mandados.

Em audiência recente, a própria Thames Valley Police admitiu “que a decisão inicial da Corte de emitir os mandados sob a legislação específica foi incorreta”. O juiz responsável, Justice Hilliard, anulou os mandados, mas manteve o material apreendido sob custódia policial e ressaltou que “o fato de que os mandados de busca foram anulados não finaliza a investigação ou significa que toda a investigação era ilegal”.

Uma nova audiência, prevista para 2027, vai decidir se o conteúdo recolhido poderá ser usado como prova em eventual processo criminal. Até lá, Andrew segue investigado, sem acusações formalmente apresentadas.

Quais foram as consequências da prisão para o título e as residências de Andrew?

A crise judicial acelerou um processo de perda de privilégios que já vinha em curso. Andrew havia se afastado das funções oficiais anos antes, após o desastre de uma entrevista televisiva em que tentou explicar sua relação com Epstein — episódio que, segundo a imprensa britânica, “foi catastrófico” para sua reputação.

Com o agravamento do escândalo e a prisão preventiva, Charles 3º retirou do irmão o título de príncipe e de duque, rompendo com uma tradição de blindagem em torno de membros seniores da realeza. Na prática, Andrew deixou de usar honras e estilos reais e perdeu espaço em eventos da família.

No campo material, a mudança ficou ainda mais visível na Royal Lodge, residência de alto padrão em Windsor que ele ocupava havia anos. Em 9 de outubro, já sem status real e pressionado financeiramente, Andrew entregou as chaves do imóvel, após rescindir o contrato de ocupação com o Estado.

Pelo acordo, ele recebeu uma indenização de US$ 400 mil, valor insuficiente para cobrir as reformas exigidas na propriedade, estimadas em US$ 2,4 milhões. A diferença foi coberta por um empréstimo do próprio Charles, o que expôs publicamente as negociações internas sobre dinheiro e imóveis da família real.

Hoje, sem a Royal Lodge, sem funções oficiais e sem o título de príncipe, Andrew vive em uma residência menor na Sandringham Estate, com aparato reduzido e sob vigilância constante da opinião pública.

Como está a situação legal de Andrew após o processo contra a polícia?

Além de alvo da investigação criminal, Andrew tornou-se autor de uma ação cível contra a Thames Valley Police, em que pede a revisão judicial da legalidade de sua prisão e das buscas em Sandringham e no Royal Lodge.

Na ação, ele argumenta que os mandados foram obtidos de forma irregular, com base em suposições sobre possível interferência do rei e riscos de destruição de provas que, na visão de sua defesa, não estariam adequadamente demonstrados nos autos.

A polícia confirmou que está “envolvida em procedimentos legais relacionados a mandados previamente obtidos do Tribunal Criminal Central” e informou que não comentará o caso enquanto a disputa judicial estiver em andamento. O Judiciário britânico também foi provocado a se manifestar.

Com a anulação dos mandados, mas a preservação das evidências sob custódia, o processo entra em uma fase mais técnica, que deve se arrastar pelos próximos anos. A audiência marcada para 2027 será decisiva para definir se o material apreendido poderá fundamentar acusações formais ou se será descartado, o que enfraqueceria a investigação.

Enquanto isso, Andrew permanece em uma espécie de limbo: livre, mas investigado; sem título, mas ainda membro da família real; e agora em confronto aberto com a própria polícia que o prendeu, num caso que já se tornou um dos mais delicados da história recente entre a monarquia britânica e o sistema de justiça.

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