Os eleitores que pretendem votar em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial de 2026 apresentam motivações diferentes para escolher seus candidatos. Segundo pesquisa Datafolha, a proteção social e a identificação com a classe trabalhadora são os fatores mais citados pelos apoiadores do presidente, enquanto o desejo de mudança e alternância de poder lidera entre os eleitores do senador.
Entre os entrevistados que declaram voto em Lula, 48% apontam a proteção social e a identificação de classe como razões para a escolha. Já entre os apoiadores de Flávio, 41% mencionam a mudança e a alternância de poder. Os dados ajudam a compreender as diferentes expectativas que movimentam a disputa pelo Palácio do Planalto.
O levantamento foi realizado nos dias 13 e 14 de outubro, com 2.520 eleitores em 153 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais, e o nível de confiança, de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00466/2026.
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Proteção social é principal motivo entre eleitores de Lula
Entre os eleitores que pretendem votar em Lula, a proteção social e a identificação com a classe trabalhadora aparecem como a principal motivação, citada por 48% dos entrevistados desse grupo. O resultado indica que políticas sociais e a percepção de representação dos trabalhadores têm peso importante na decisão de parte do eleitorado petista.
O desempenho e o legado do presidente são mencionados por outros 22%. A rejeição a Flávio Bolsonaro aparece em seguida, com 17%, enquanto valores, ideologia e democracia são citados por 11%. As propostas e qualidades pessoais de Lula são apontadas por 10% dos entrevistados que declaram voto no petista.
Os percentuais mostram que o apoio ao presidente não se explica por um único fator. Além da defesa de políticas de proteção social, parte dos eleitores considera sua trajetória política e a avaliação de sua atuação no governo. Para outros, a preferência também está relacionada à rejeição ao adversário ou à identificação ideológica.
A proteção social e a identificação de classe são mencionadas por 52% dos eleitores de Lula com ensino fundamental. O índice chega a 59% entre os eleitores evangélicos que declaram voto no presidente, segundo o levantamento. Os dados indicam que a motivação também varia conforme o perfil dos entrevistados.
Mudança e rejeição ao PT pesam entre apoiadores de Flávio
Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 41% citam a mudança e a alternância de poder como razões para votar no senador. A rejeição a Lula e ao PT aparece em segundo lugar, mencionada por 31%. A economia e o custo de vida são citados por 16%, enquanto 15% apontam as propostas e as qualidades do candidato.
O resultado mostra que o apoio a Flávio reúne tanto a expectativa de mudança de governo quanto a oposição ao atual presidente e ao partido que está no poder. As preocupações com a economia também aparecem entre os fatores que influenciam a escolha, embora em proporção inferior à alternância política e à rejeição ao PT.
Outros motivos mencionados pelos eleitores do senador são o desempenho e o legado, com 14%; valores, ideologia e democracia, com 13%; integridade e corrupção, com 11%; e serviços públicos e segurança, com 10%.
O desejo de mudança tem peso maior entre os eleitores de Flávio com renda familiar superior a cinco salários mínimos: 47% desse segmento citam a alternância de poder. Entre os apoiadores do senador com renda de até dois salários mínimos, o percentual é de 38%.
Entre os eleitores de Flávio com idade entre 16 e 24 anos, a mudança é citada por 24%, enquanto 31% destacam as propostas e as qualidades do candidato. O recorte mostra que as razões para apoiar o senador não são iguais em todas as faixas etárias.
Economia influencia os dois eleitorados, mas não da mesma forma
A economia e o custo de vida são citados por 16% dos eleitores de Flávio Bolsonaro, mas por 6% dos apoiadores de Lula. A diferença indica que o tema aparece com maior frequência entre os motivos declarados por quem escolhe o candidato do PL.
O dado, por si só, não permite concluir que todos os eleitores de Flávio estejam insatisfeitos com a economia ou que os apoiadores de Lula não tenham preocupações financeiras. A pesquisa identifica os motivos que os entrevistados escolhem para explicar seu voto, e não todas as questões que podem influenciar sua decisão.
Entre os eleitores de Lula, o desempenho e o legado do presidente aparecem com mais frequência do que a economia e o custo de vida. Isso sugere que a avaliação de sua trajetória e a expectativa de manutenção da proteção social ocupam lugar relevante na justificativa do voto petista.
Rejeição aos dois candidatos aparece entre votos brancos e nulos
O Datafolha também investigou os motivos de quem pretende votar em branco ou anular o voto. Entre esses eleitores, 37% apontam a rejeição aos dois candidatos como principal razão. Outros 19% mencionam descrença ou desinteresse, enquanto 18% citam desconfiança, promessas e corrupção.
A falta de opção e a polarização são citadas por 12% desse grupo. Outros 16% afirmam não ter um motivo específico para votar em branco ou nulo.
Os números mostram que parte dos eleitores não se identifica com nenhum dos dois nomes que disputam o segundo turno. A rejeição simultânea aos candidatos e a insatisfação com as alternativas disponíveis aparecem como fatores relevantes entre os que não pretendem escolher Lula nem Flávio.
Pesquisa aponta disputa apertada no segundo turno
Na mesma rodada, o Datafolha registrou Flávio Bolsonaro com 47% das intenções de voto e Lula com 45%. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, os candidatos estão tecnicamente empatados. Nos votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, o placar é de 51% para Flávio e 49% para Lula.
O levantamento foi feito antes da votação marcada para 25 de outubro. Os resultados representam as respostas dos eleitores no período da pesquisa e não determinam o resultado final da eleição.
Em conjunto, os dados mostram duas motivações predominantes: entre os apoiadores de Lula, a proteção social e a identificação de classe; entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, a expectativa de mudança e a rejeição ao atual presidente e ao PT. A pesquisa também evidencia que economia, trajetória política, ideologia e insatisfação com os candidatos participam da decisão eleitoral em proporções diferentes.