Datafolha mostra Lula e Flávio Bolsonaro em empate técnico

Pesquisa Datafolha revela empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno presidencial.
Redação NC News
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O novo levantamento Datafolha para o segundo turno da eleição presidencial mostra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) tecnicamente empatados, em um país dividido por geração, renda, religião e região, e com mais de 90% do eleitorado já decidido sobre o voto.

Flávio aparece numericamente à frente nos votos válidos

Na contagem de votos válidos, usada pela Justiça Eleitoral para definir o resultado, Flávio Bolsonaro tem 51% e Lula aparece com 49%. Pela margem de erro de 2 pontos percentuais, o cenário é de empate técnico.

No quadro geral de intenções de voto, Flávio marca 47% e Lula 45%. Outros 6% dos entrevistados declaram intenção de votar em branco ou nulo, e 2% ainda estão indecisos.

De acordo com o Datafolha, “ampla maioria (93%) do eleitorado já está totalmente decidida sobre o voto escolhido para o 2º turno”. Entre os eleitores de Lula, 94% dizem não ter mais dúvida; entre os de Flávio, o índice é de 95%.

A pesquisa foi realizada com 2.520 entrevistas presenciais em 153 municípios, entre os dias 13 e 14 de outubro, com eleitores de 16 anos ou mais de todas as regiões do país. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00466/2026.

Divisão por geração, renda e religião

Os dados revelam um país fatiado em blocos sociais distintos. Entre os jovens de 16 a 24 anos, que representam 12% do eleitorado, Lula virou o jogo e agora lidera com 50%, contra 43% de Flávio Bolsonaro nesse segmento.

O presidente também se sai melhor entre eleitores com renda de até dois salários mínimos, faixa em que tem 53% das intenções de voto, diante de 38% de Flávio. Lula lidera ainda entre mulheres, por 49% a 40%, e entre católicos, com 52% a 42%.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, concentra suas melhores marcas entre homens (52% a 40% sobre Lula), eleitores com renda entre dois e cinco salários mínimos (55% a 40%) e evangélicos, grupo em que abre sua maior vantagem: 62% a 29%.

Nordeste puxa Lula; Sudeste e Sul sustentam Flávio

Regionalmente, o mapa eleitoral também é desigual. O Nordeste segue como principal reduto de Lula, que tem 61% das intenções de voto na região, contra 32% de Flávio Bolsonaro.

Já o candidato do PL domina nas regiões Sudeste e Sul, onde ostenta desempenho superior ao do petista e constrói a vantagem que o coloca numericamente à frente nos votos válidos. No Sul, sua maior diferença aparece em relação a Lula, com o Datafolha registrando 57% a 35% para Flávio.

Nas regiões metropolitanas do país, Lula também leva a melhor, com 49% a 43%. Em outros segmentos de escolaridade e renda intermediária, os dois aspirantes ao Planalto aparecem tecnicamente empatados ou com pequena vantagem para o senador.

Rejeição alta aos dois lados e voto “contra” o adversário

Além da polarização nas intenções de voto, a pesquisa mostra rejeição elevada a ambos os candidatos. Uma parcela de 46% dos eleitores afirma rejeitar exclusivamente Lula no segundo turno, enquanto 44% dizem que não votariam de jeito nenhum em Flávio Bolsonaro. Há ainda 3% que rejeitam os dois e 7% que não rejeitam nenhum dos nomes.

Entre os eleitores que, no primeiro turno, apoiaram Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) ou Romeu Zema (Novo), 42% rejeitam apenas Lula, 27% rejeitam só Flávio, 14% rejeitam ambos e 16% afirmam não rejeitar nenhum.

O sentimento de voto também reflete a disputa negativa. Segundo o Datafolha, 78% dos eleitores dizem escolher seu candidato porque o consideram a melhor opção, mas 14% afirmam votar principalmente para derrotar o adversário. Entre os que declaram voto em Flávio Bolsonaro, 17% o escolhem “para derrotar o atual presidente”; entre os eleitores de Lula, 12% dizem apoiar o petista para impedir a vitória do senador.

Percepção de favoritismo beneficia Flávio

A leitura de cenário feita pelo eleitorado aponta vantagem simbólica para o candidato do PL. Para 54% dos entrevistados, Flávio Bolsonaro é hoje o favorito para vencer a eleição, enquanto 37% veem Lula como mais provável ganhador; 10% não souberam responder.

Mesmo entre quem declara voto em Lula, 16% dizem acreditar que Flávio sairá vencedor, e 10% estão indecisos quanto a quem é o favorito. No grupo que pretende votar no senador, apenas 3% consideram Lula favorito, e 6% não opinam.

Campanhas ajustam mira em jovens, pobres e indecisos finais

Os números do Datafolha já repercutem nas estratégias de campanha. Petistas avaliam que a recuperação de Lula entre os jovens e a dianteira no Nordeste, entre mulheres, católicos e eleitores de menor renda, reforça a necessidade de ampliar a mobilização nesses públicos e aumentar a participação de quem costuma se abster mais.

Em atos recentes, aliados de Lula têm criticado o ambiente das redes sociais e o poder das grandes plataformas. Durante evento no Rio de Janeiro, a primeira-dama Janja afirmou: “A gente está lutando contra a Meta”. O discurso busca mobilizar a militância digital e pressionar empresas de tecnologia sobre moderação de conteúdos políticos.

Do outro lado, a campanha de Flávio Bolsonaro tende a reforçar a presença em redutos onde já lidera — como Sudeste, Sul, homens, evangélicos e segmentos de renda intermediária — e explorar a percepção de favoritismo medida pelo Datafolha para atrair eleitores que ainda consideram mudar de voto.

Entenda o contexto

A disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro ocorre em ambiente de forte tensão política. Análises de especialistas apontam que “a ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou”, em referência à persistência de forças conservadoras e de extrema direita no Congresso e no debate público.

No cenário internacional, o avanço de movimentos radicais e conflitos em diferentes regiões do mundo alimentam a percepção de instabilidade. Lideranças políticas e econômicas acompanham de perto a eleição brasileira, avaliando impactos sobre políticas públicas, investimentos e a própria estabilidade institucional após o segundo turno.

A pesquisa divulgada agora teve o trabalho de campo encerrado antes da votação, no Senado, da mudança na escala de trabalho dos brasileiros, o que significa que eventuais efeitos políticos dessa decisão ainda não aparecem nos números.

Nova pesquisa já tem data e registro no TSE

Uma nova rodada do Datafolha sobre a disputa presidencial está prevista para ser divulgada entre os dias 20 e 22 de outubro. O instituto programou 2.250 entrevistas presenciais e registrou o levantamento no TSE sob o código BR-09709/2026.

Com o eleitorado majoritariamente decidido e os dois candidatos separados por poucos pontos dentro da margem de erro, a próxima pesquisa será usada pelos comitês de campanha para medir o efeito da reta final de propaganda, dos debates e de fatos novos na corrida ao Planalto.

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