Lula e Flávio mobilizam artistas, influenciadores e apoiadores em atos na reta final da campanha

Campanhas apostam em mobilizações nas ruas, nomes populares e engajamento nas redes sociais para ampliar o alcance das candidaturas a uma semana do segundo turno.
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A uma semana do segundo turno das eleições presidenciais, as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) intensificam a mobilização de apoiadores nas ruas e nas redes sociais. Artistas, influenciadores, parlamentares e lideranças políticas passaram a ocupar espaço nas agendas dos candidatos, em uma estratégia que busca ampliar o alcance das campanhas e conquistar eleitores antes da votação de 25 de outubro.

As mobilizações têm formatos diferentes. Enquanto apoiadores de Lula contam com a participação de movimentos sociais, grupos estudantis, fã-clubes e coletivos organizados pela internet, Flávio Bolsonaro aposta também em parlamentares com grande alcance nas redes e em aliados políticos para convocar manifestações e manter a militância mobilizada.

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Artistas e grupos digitais ampliam mobilização por Lula

A campanha de Lula ganhou fôlego nas ruas após o primeiro turno, com manifestações organizadas por grupos que nem sempre estão ligados diretamente às estruturas tradicionais dos partidos. Em São Paulo, o ato realizado na Avenida Paulista em 11 de outubro reuniu movimentos sociais, entidades estudantis, torcidas organizadas e comunidades de fãs de artistas pop.

Os chamados fandoms — grupos de admiradores de artistas e fenômenos culturais — tiveram participação na convocação e na divulgação da manifestação. A articulação ocorreu principalmente pelas redes sociais, mobilizando pessoas que nem sempre participam de atividades partidárias tradicionais. Durante o ato, Lula agradeceu publicamente aos grupos envolvidos na organização.

O movimento não ficou restrito à capital paulista. No Rio de Janeiro, manifestações realizadas em Copacabana e na Lapa reuniram apoiadores, estudantes, movimentos sociais, representantes do samba e artistas. Os eventos combinaram discursos políticos, apresentações culturais e reivindicações relacionadas a direitos sociais e à democracia.

Caetano Veloso convoca ato musical no Rio

Para este domingo (18), o cantor Caetano Veloso convocou um ato musical em defesa da democracia na praia de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. A manifestação foi organizada pelos coletivos 342 Artes e Mídia Ninja, com concentração prevista para as 16h, na altura do Posto 5.

A convocação destaca a defesa da democracia, da liberdade de expressão artística e do direito à reunião pacífica. O evento ocorre no mesmo dia em que Flávio Bolsonaro promove uma manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, embora os atos tenham organizadores e propostas próprias.

Caetano Veloso convocou ato musical no Rio em apoio ao Presidente Lula | Foto: Reprodução

Flávio Bolsonaro aposta em parlamentares e mobilização de apoiadores

Do lado de Flávio Bolsonaro, a estratégia combina manifestações de rua, articulação com lideranças políticas e participação de aliados com grande alcance digital. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), por exemplo, atua na convocação de apoiadores e percorre diferentes regiões do país com o chamado “Bloquinho 22”, iniciativa organizada para a reta final da campanha.

Neste domingo, Flávio reuniu apoiadores na Avenida Paulista, em São Paulo, em um ato que contou com a presença do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e de outros aliados. O senador chegou ao local por volta das 11h15 e discursou em um carro de som nas proximidades do Museu de Arte de São Paulo (Masp).

A mobilização também funciona como resposta aos atos realizados anteriormente por apoiadores de Lula. As duas campanhas buscam demonstrar capacidade de mobilização, manter a participação de suas bases e ampliar a visibilidade pública na última semana antes do segundo turno.

Flávio levou “Bloquinho do 22” para Salvador antes de ir para a Paulista | Foto: Reprodução

Redes sociais se tornam parte central da campanha

A atuação de artistas, influenciadores e parlamentares nas redes sociais permite que as campanhas alcancem públicos que nem sempre acompanham debates políticos pela televisão ou pela imprensa tradicional. Vídeos, convocações, transmissões ao vivo e registros das manifestações ajudam a prolongar a repercussão dos eventos para além dos locais onde acontecem.

No campo de apoio a Lula, a organização de grupos digitais e fã-clubes tem contribuído para uma mobilização descentralizada, com iniciativas que surgem fora das estruturas partidárias convencionais. Pesquisadores ouvidos pela Folha de S.Paulo apontaram semelhanças entre esse formato e movimentos de rua anteriores, destacando o protagonismo de jovens e a combinação entre ações digitais e presença física.

Já na campanha de Flávio, parlamentares e aliados políticos funcionam como mobilizadores de apoiadores e multiplicadores de mensagens. A participação desses nomes ajuda a conectar a candidatura a diferentes públicos e a manter a militância ativa durante a reta final da disputa.

Mobilizações buscam ampliar votos antes do segundo turno

Os atos de rua têm objetivos que vão além da demonstração pública de apoio. As campanhas procuram estimular a participação eleitoral, convencer indecisos, alcançar pessoas que não votaram no primeiro turno e reforçar o engajamento de seus simpatizantes. No caso de Lula, a mobilização também inclui apelos para que apoiadores conversem com eleitores ausentes na primeira votação.

As manifestações, porém, não permitem concluir isoladamente qual candidato tem maior apoio eleitoral ou antecipar o resultado das urnas. O tamanho dos atos depende de fatores como organização, localização, transporte, divulgação e disponibilidade dos participantes. A conversão dessa presença em votos só poderá ser avaliada com outros indicadores e, definitivamente, com o resultado da eleição.

Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, a tendência é que as campanhas mantenham agendas intensas, com eventos públicos, encontros políticos, participação de personalidades e ações nas plataformas digitais. A disputa passa, assim, tanto pela mobilização presencial quanto pela capacidade de transformar visibilidade em apoio efetivo nas urnas.

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