A Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF) deflagraram, na manhã desta terça-feira (14), uma operação para investigar o homicídio qualificado de oito trabalhadores rurais e lideranças camponesas em Rondônia. Ao todo, nove mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos em Porto Velho, Candeias do Jamari e Ji-Paraná. O objetivo é colher provas sobre assassinatos ocorridos entre 2009 e 2016 nas regiões de Buritis, Nova Mamoré, Machadinho D’Oeste, Alto Paraíso e Ariquemes. As investigações apontam que as vítimas foram mortas em emboscadas devido ao seu envolvimento em denúncias de ocupação ilegal de terras e extração irregular de recursos ambientais.
Execuções e Associação Criminosa
A ação busca desmantelar a estrutura de grupos armados que atuam sob encomenda no interior do estado. As vítimas integravam movimentos de defesa de trabalhadores rurais e eram figuras centrais na resistência contra o avanço de atividades criminosas no campo.
Segundo a PF, os elementos colhidos nesta terça-feira devem delimitar a participação de mandantes e executores em crimes de homicídio doloso qualificado e associação criminosa. A Justiça Federal autorizou a coleta de dispositivos eletrônicos e documentos que podem levar à identificação definitiva dos autores, cujos crimes permaneceram sem solução por anos devido à complexidade do ambiente de conflito na floresta.
Histórico: Rondônia, o epicentro dos conflitos agrários
Rondônia é historicamente um dos estados mais violentos no contexto da luta pela terra no Brasil. Desde o massacre de Corumbiara, em 1995, a região acumula registros de chacinas e mortes seletivas de lideranças. De acordo com dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), o estado figura frequentemente no topo do ranking nacional de assassinatos no campo, alimentado pela grilagem de terras públicas e pela impunidade que cerca os crimes em áreas isoladas.
