Christian Horner, ex-chefe da Red Bull, voltou a comentar o controverso desfecho do Grande Prêmio de Abu Dhabi de 2021, que decidiu o título mundial de Fórmula 1 a favor de Max Verstappen. Em entrevista ao podcast High Performance, divulgado nesta segunda-feira (19), o britânico elogiou a reação de Lewis Hamilton após perder o campeonato na última volta.
Horner reconheceu que a condução da relargada pela direção de prova gerou questionamentos e afirmou compreender a frustração dos torcedores do heptacampeão.
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Horner elogia postura de Hamilton após título de Verstappen em 2021
“Qualquer fã de Lewis Hamilton estava se sentindo completamente roubado. Tenho que dar todo o crédito a Lewis depois disso porque, em um momento que deve ter sido horrível para ele, ele se manteve firme”, declarou Horner, segundo tradução da entrevista.
O ex-dirigente destacou que Hamilton cumprimentou Verstappen e integrantes da Red Bull logo após a corrida, apesar da decepção com o resultado.
“Ele apertou a mão de Max. Ele apertou minha mão. Ele nos parabenizou, assim como seu pai, em um momento que deve ter sido incrivelmente difícil para ele. Meu respeito por ele aumentou naquele momento”, afirmou.
O que aconteceu na decisão de Abu Dhabi?
A disputa pelo Mundial de 2021 chegou à última corrida com Hamilton e Verstappen empatados em pontos.
Nas voltas finais do GP de Abu Dhabi, a entrada do safety car, provocada por um acidente de Nicholas Latifi, mudou o cenário da prova.
Hamilton liderava a corrida com pneus duros usados, enquanto Verstappen aproveitou a neutralização para colocar pneus macios novos.
Inicialmente, a direção de prova informou que os carros retardatários não seriam autorizados a ultrapassar o safety car.
A decisão foi alterada pouco depois, permitindo que apenas os carros posicionados entre Hamilton e Verstappen recuperassem a volta.
Com isso, os dois candidatos ao título ficaram lado a lado para a relargada, que aconteceu com uma volta restante.
Verstappen ultrapassou Hamilton e conquistou seu primeiro campeonato mundial.
A aplicação do procedimento de relargada foi amplamente contestada e posteriormente analisada pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA).
Ex-chefe da Red Bull comenta decisão de Michael Masi
Ao revisitar o episódio, Horner afirmou que a liberação parcial dos retardatários foi o principal ponto controverso da atuação de Michael Masi, então diretor de prova.
Segundo o ex-dirigente, a Red Bull pressionou para que a corrida terminasse sob bandeira verde, em vez de ser encerrada com o safety car na pista.
“Originalmente, ele disse: ‘Não, os carros não devem ser liberados’. E então, aplicando pressão sobre ele, concordou em liberar os carros”, relatou Horner.
O britânico também reconheceu que a decisão de liberar somente os carros entre Hamilton e Verstappen foi questionável.
“A única coisa controversa que ele fez foi liberar apenas os carros que estavam entre Lewis e Max”, afirmou.
O episódio levou a FIA a revisar procedimentos relacionados à direção de prova e ao uso do safety car.
Presidente da FIA acredita no retorno de Christian Horner
Fora da Red Bull desde julho de 2025, Christian Horner também voltou ao centro das discussões sobre possíveis mudanças na estrutura das equipes de Fórmula 1.
O presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, afirmou em entrevista concedida anteriormente à ESPN que acredita no retorno do ex-dirigente à categoria.
“Ele voltará. Não me cabe dizer onde, pois será ele quem anunciará isso. Mas posso confirmar que ele voltará”, declarou Ben Sulayem.
A manifestação, porém, não representa o anúncio oficial de uma contratação. Até o momento, não há confirmação pública de qual equipe receberia Horner ou de quando uma eventual volta aconteceria.
O nome do britânico já foi associado a diferentes projetos, incluindo Aston Martin e Alpine, mas essas possibilidades permanecem no campo das negociações e especulações.
Horner deixou a Red Bull após duas décadas
Christian Horner comandou a Red Bull Racing desde sua entrada na Fórmula 1, em 2005, até julho de 2025.
Durante sua gestão, a equipe conquistou oito títulos mundiais de pilotos e seis campeonatos de construtores.
O período incluiu a sequência de quatro títulos de Sebastian Vettel, entre 2010 e 2013, e a fase de conquistas de Max Verstappen.
Sua saída ocorreu em meio a mudanças internas na equipe, encerrando uma das gestões mais longas da Fórmula 1 moderna.
Desde então, Horner tem participado de entrevistas e divulgado bastidores de sua trajetória, incluindo relatos que estarão em sua autobiografia, Drive, com lançamento previsto para 22 de outubro de 2026.
Horner revela negociações com Alonso, Leclerc e Sainz
Além de comentar a decisão de Abu Dhabi, Horner revelou detalhes sobre conversas envolvendo pilotos que poderiam ter integrado a Red Bull durante sua gestão.
Os relatos aparecem em entrevistas recentes e em trechos antecipados de sua autobiografia.
Segundo o ex-chefe, Fernando Alonso, Charles Leclerc e Carlos Sainz estiveram entre os nomes avaliados para ocupar uma vaga ao lado de Max Verstappen.
As discussões ocorreram principalmente em um período de dúvidas sobre o desempenho e a continuidade de Sergio Pérez na equipe.
Fernando Alonso chegou a ser considerado
De acordo com Horner, Fernando Alonso demonstrou interesse em uma possível transferência para a Red Bull.
A contratação, entretanto, não avançou.
O ex-dirigente relatou que Helmut Marko, então consultor da equipe, transmitiu resistências relacionadas à possível chegada do espanhol.
Segundo a versão apresentada por Horner, havia preocupações sobre a convivência entre Alonso e Verstappen.
A avaliação não resultou em uma proposta concretizada, e Alonso permaneceu na Aston Martin.
Charles Leclerc também esteve no radar
Outro piloto citado por Horner foi Charles Leclerc, da Ferrari.
O britânico afirmou admirar a velocidade do monegasco, especialmente em classificações, além de seu perfil competitivo.
Apesar do interesse, a possibilidade de contratação não avançou.
Leclerc permaneceu vinculado à Ferrari, enquanto a Red Bull seguiu avaliando alternativas para a formação de sua dupla de pilotos.
Carlos Sainz participou de conversas com Horner
Carlos Sainz também apareceu entre os nomes considerados pelo ex-chefe da Red Bull.
Horner relatou que manteve conversas com o espanhol e o via como um piloto experiente, capaz de contribuir com o desenvolvimento da equipe.
Sainz, que deixou a Ferrari ao fim de 2024, havia acertado sua transferência para a Williams.
Segundo o ex-dirigente, os contatos não resultaram em uma mudança de equipe.
As revelações mostram que a Red Bull avaliou diferentes possibilidades para sua formação de pilotos, mas não significam que todos os nomes tenham recebido propostas formais de contratação.
Futuro de Horner permanece indefinido
Aos 52 anos, Christian Horner continua ligado ao noticiário da Fórmula 1, mesmo sem ocupar um cargo oficial em uma equipe.
Em entrevistas recentes, o britânico demonstrou interesse em retornar à categoria, embora tenha indicado que as condições de um eventual novo projeto seriam determinantes para sua decisão.
A publicação de sua autobiografia e as declarações sobre os bastidores da Red Bull ampliaram a repercussão de sua trajetória.
Por enquanto, o retorno mencionado pelo presidente da FIA não foi formalizado publicamente.
As declarações sobre Abu Dhabi, por sua vez, recolocam em discussão uma das decisões mais controversas da história recente da Fórmula 1, especialmente pela avaliação de Horner sobre a atuação da direção de prova e o comportamento de Hamilton após perder o título.