O debate na Band, o primeiro entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, realizado no domingo (18), foi marcado por ataques pessoais, acusações envolvendo familiares e interrupções constantes.
Segurança pública, economia e outros temas decisivos quase não apareceram. O resultado rendeu muito corte para as redes, mas serviu pouco a quem esperava argumentos para decidir o voto.
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Lula caiu no jogo de Flávio
O presidente começou sob pressão. As provocações do senador sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, tiraram Lula do prumo. Em alguns momentos, ele pareceu irritado e abatido, e teve dificuldade de transformar respostas em chance de mostrar suas propostas.
A estratégia de Flávio era clara: tirar o presidente da zona de conforto e levá-lo para o terreno pessoal. Funcionou. Lula passou boa parte do tempo se defendendo, como um time que fica 70% do jogo sem a bola e só marca. Não trouxe nada de novo, e a imagem que ficou foi a de um candidato desgastado. Para um político com a experiência de Lula, o debate foi lamentável.
Flávio apostou na provocação, mas pareceu forçado
O senador escolheu o confronto permanente, com ironias e postura calculada. A fórmula lembra o estilo de Donald Trump e de Pablo Marçal. Só que há uma diferença: em Trump, a agressividade costuma passar força e confiança. Em Flávio, a impressão foi de desrespeito, quase de “moleque”, segundo muitos comentários nas redes sociais.
Ele também respondeu pouco ao que Lula perguntou. O treinamento de mídia ficou aparente demais, como se cada gesto fosse feito para virar cena de TV ou corte de internet. Faltou naturalidade. E falar com a própria base não é o mesmo que convencer quem ainda não decidiu.
A eleição não se decide só nas redes
Os dois lados têm interesse em gerar momentos virais: uma frase dura, uma reação de raiva, um gesto inesperado. Isso alimenta a militância por horas, mas não necessariamente conquista voto novo.
Quem pode vencer é a abstenção
A grande incógnita é o eleitor que não está convencido por nenhum dos dois. Quem preferia uma terceira via pode ter saído do debate com a sensação de “nunca mais quero ver isso”. Parte pode escolher um nome por rejeição ao outro, e parte pode simplesmente ficar em casa.
Pelo debate, não dá para cravar que a abstenção será a grande beneficiada. Mas o risco existe: quando os candidatos gastam mais tempo se atacando do que explicando o que farão, reforçam a ideia de que a eleição oferece poucas opções, a política sai prejudicada.
A tendência é que nenhum dos dois ganhe votos relevantes e que a semana seja de ajuste de estratégia nas duas campanhas. O formato não agradou nem falou com os indecisos, justamente quem pode decidir a eleição.