Lula desafia Flávio e promete abrir sigilos se ele abrir primeiro

Em entrevista, Lula condiciona abertura de sigilos à iniciativa de Flávio Bolsonaro, em meio à disputa eleitoral acirrada.
Redação NC News
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Em sabatina no SBT Brasil na noite desta segunda-feira (19), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que vai formalizar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para abrir seu sigilo bancário, civil, jurídico e telefônico, além dos de seus familiares, mas condicionou a medida a um gesto idêntico do adversário na disputa presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Lula condiciona abertura de sigilo a gesto de Flávio

A entrevista, exibida a partir das 19h40 em rede nacional pelo SBT e retransmitida pela TV Alterosa em Minas Gerais, ocorre a seis dias do segundo turno das eleições presidenciais. Lula afirmou que o pedido de abertura de sigilo vai incluir seu filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, investigado pela Polícia Federal por tráfico de influência.

Mais cedo, o coordenador da campanha, senador Camilo Santana, já havia antecipado que o documento de autorização só será protocolado se Flávio Bolsonaro aceitar fazer o mesmo em relação a seus próprios sigilos. A iniciativa transforma a transparência patrimonial em mais um ponto de confronto direto na reta final da campanha.

Durante a sabatina, Lula voltou a citar supostas incongruências de Flávio no relacionamento com o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master e acusado de comandar fraudes financeiras de grande porte. O presidente vinha desafiando o adversário desde o último debate presidencial, mas detalhou pela primeira vez que pretende formalizar o pedido ao TSE e ao STF.

Entenda o contexto

O compromisso público de abrir sigilos atinge também o entorno familiar, ponto sensível em ambos os campos. No caso de Lula, a inclusão de Lulinha diretamente no anúncio mira críticas recorrentes à atuação do filho mais velho em negócios privados.

No plano político, a estratégia coloca pressão sobre Flávio Bolsonaro: se aceitar, amplia o escrutínio sobre sua vida financeira e de parentes; se recusar, dá munição ao petista para explorar o tema na propaganda e nos próximos debates. O gesto ainda aciona, na prática, o TSE e o STF, que terão de analisar os pedidos formais quando e se forem apresentados.

Propostas econômicas e acusação de uso eleitoral

Questionado sobre medidas econômicas recentes, Lula negou que programas anunciados às vésperas da eleição tenham caráter eleitoreiro. Ele citou o reajuste do Bolsa Família, o perdão de quase R$ 15 bilhões em dívidas de microempreendedores individuais (MEIs), que beneficia cerca de 4 milhões de pessoas, e a proposta de custeio de transporte público gratuito nos fins de semana.

Segundo o presidente, o aumento do benefício do Bolsa Família só foi possível depois que a equipe econômica encontrou espaço fiscal para corrigir a inflação acumulada. Ele reconheceu incômodo com a demora: “Eu fiquei muito nervoso, porque reposição de inflação é obrigação em qualquer lugar do mundo”, disse.

Sobre o Desenrola MEI, Lula afirmou que o governo identificou dívidas consideradas irrecuperáveis e decidiu zerá-las, além de apoiar o aumento do teto de faturamento dos microempreendedores. “Eu não vou deixar de dar um benefício que eu posso dar, porque tem eleição”, declarou, ao responder se as medidas tinham objetivo de impulsionar sua campanha.

O presidente também afirmou que projetos aprovados pelo Congresso após o primeiro turno já tramitavam antes da votação de 4 de outubro e que ele havia pedido celeridade antes da ida às urnas. Segundo Lula, os benefícios “vão continuar para o povo brasileiro” independentemente do resultado do segundo turno.

Segurança pública e novo ministério

Na pauta de segurança pública, Lula reforçou a defesa de reduzir a maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos. Ao mesmo tempo, defendeu a manutenção das saídas temporárias de presos com bom comportamento, com restrições para condenados por crimes graves.

O presidente confirmou a intenção de criar um Ministério da Segurança Pública após a aprovação da chamada PEC da Segurança. Segundo ele, a nova pasta é uma promessa que pretende cumprir “independentemente do resultado eleitoral”, com o objetivo de centralizar políticas de combate ao crime e coordenação com estados.

Reforma do Judiciário e mandatos no STF

Lula voltou a defender mudanças no Judiciário, com foco no Supremo Tribunal Federal. Ele disse ser favorável a discutir a adoção de mandatos para ministros do STF e mecanismos para ampliar a participação da sociedade na escolha dos integrantes da Corte.

O presidente argumentou que a discussão faz parte de um esforço mais amplo de aperfeiçoar a relação entre poderes e aproximar o Judiciário da população, mas não detalhou qual modelo de mandato considera ideal nem que tipo de participação social poderia ser instituída.

Desempenho eleitoral e estratégia para o 2º turno

Lula reconheceu que esperava vencer no primeiro turno, mas negou ter subestimado a força eleitoral de Flávio Bolsonaro e da direita. Ele relatou que saiu frustrado da apuração inicial, mas destacou o crescimento da mobilização de apoiadores desde então. “O povo está assumindo a responsabilidade da campanha, sobretudo porque o povo quer garantir a continuidade do processo democrático”, afirmou.

Ao comparar o cenário atual com a disputa de 2002, quando também foi ao segundo turno, o presidente lembrou o clima de decepção após não liquidar a eleição na primeira rodada naquela ocasião. “Eu fui no meu comitê, tinha muita delegação de estrangeira, todo mundo de cabeça baixa, eu fui obrigado a fazer um discurso para levantar a moral da minha tropa”, contou.

Nesta campanha, Lula disse se sentir mais tranquilo, embora admita perdas em estados onde esperava desempenho melhor. A estratégia, segundo ele, é recuperar terreno no Sul, consolidar o apoio do Nordeste, vencer em Minas Gerais e reduzir a vantagem do adversário em São Paulo. “Nós podemos ganhar as eleições em Minas Gerais, nós podemos diminuir a diferença aqui em São Paulo e, se isso acontecer, nós ganhamos a eleição”, resumiu.

Como foi a sabatina e o que vem pela frente

A sabatina desta segunda-feira foi conduzida pelas jornalistas Basília Rodrigues, Marina Demori e Simone Queiroz. Além da exibição no SBT, o conteúdo é retransmitido em canais por assinatura e plataformas digitais, como o SBT News, o canal da emissora no YouTube, a plataforma +SBT e aplicativos para Smart TVs Samsung, LG e Roku.

A emissora também convidou Flávio Bolsonaro para uma entrevista semelhante na quarta-feira (21), mas o senador ainda não confirmou presença. O encontro desta noite integra a reta final de sabatinas e debates em TV aberta, que devem pautar os últimos dias de campanha antes do segundo turno.

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