Um surto de doenças gastrointestinais associado ao consumo de água contaminada deixou pelo menos 408 pessoas doentes na região de Bronkhorstspruit, próxima a Pretória, na África do Sul. Os casos foram registrados entre os dias 7 e 18 de outubro de 2026 e atingiram principalmente crianças menores de quatro anos. As autoridades confirmaram a presença de microrganismos capazes de provocar diarreia, cólicas abdominais e outras infecções intestinais.
A contaminação foi identificada no sistema de abastecimento administrado pelo município de Tshwane. Exames realizados na água detectaram níveis extremamente elevados da bactéria Escherichia coli (E. coli) e de coliformes. Já as análises de amostras de pacientes encontraram norovírus e bactérias dos gêneros Campylobacter e Shigella. Até esta terça-feira (20), não havia registro de mortes relacionadas ao surto.
Diante da situação, o governo municipal determinou que a água das torneiras seja utilizada exclusivamente para descargas sanitárias. A restrição também vale para a água fervida, já que as autoridades não garantem sua segurança. Caminhões-pipa passaram a distribuir água potável enquanto equipes técnicas investigam as falhas no tratamento e trabalham para restabelecer o abastecimento seguro.
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Falha no tratamento da água pode ter provocado o surto
Segundo o Departamento de Água e Saneamento da África do Sul, uma investigação preliminar identificou problemas no fornecimento de cloro utilizado pela estação de tratamento de Bronkhorstspruit.
Entre 24 de setembro e 14 de outubro, a unidade distribuiu água sem passar adequadamente pelo processo de cloração, uma etapa fundamental para eliminar microrganismos que podem causar doenças.
A ministra de Água e Saneamento, Pemmy Majodina, informou, durante uma coletiva realizada na segunda-feira (19), que a investigação também identificou falhas na comunicação com os moradores. Segundo ela, a administração municipal não alertou a população de que a água distribuída não havia recebido o tratamento necessário.
Os exames realizados em 14 de outubro encontraram concentrações extremamente elevadas de E. coli e coliformes totais na água que saía da estação e nos reservatórios de Zithobeni e Ekandustria.
A presença desses microrganismos indica contaminação microbiológica e pode estar associada ao contato da água com resíduos de origem humana ou animal.
A estação foi fechada em 14 de outubro. O fornecimento de cloro foi restabelecido no dia seguinte, e a unidade voltou a operar em 16 de outubro. Apesar disso, a água distribuída continuou sendo considerada imprópria para consumo.
Crianças pequenas estão entre as principais vítimas
Os casos foram identificados em comunidades como Zithobeni, Rethabiseng, Dark City, Sokhulumi e Bronkhorstspruit, na região administrativa de Tshwane.
Pacientes procuraram hospitais e unidades de saúde após apresentar sintomas como diarreia e dores abdominais. Crianças menores de quatro anos representam a maior parte dos registros, segundo as informações divulgadas pelas autoridades.
O Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis da África do Sul (NICD) identificou norovírus, Campylobacter e Shigella em três das quatro amostras clínicas inicialmente analisadas.
Esses agentes infecciosos podem provocar gastroenterite, doença caracterizada pela inflamação do estômago e do intestino, frequentemente acompanhada de diarreia, náuseas, vômitos e cólicas.
A desidratação é uma das principais preocupações, especialmente entre crianças pequenas, idosos e pessoas com condições de saúde que aumentam a vulnerabilidade às infecções.
Os exames iniciais não identificaram a bactéria causadora da cólera nas amostras analisadas. Entretanto, as autoridades continuam realizando testes para esclarecer a extensão da contaminação e identificar possíveis outros agentes infecciosos.
Moradores são orientados a não usar água das torneiras
Em comunicado divulgado nesta terça-feira (20), a Prefeitura de Tshwane reforçou que a água distribuída pelo sistema de Bronkhorstspruit permanece imprópria para utilização doméstica.
A orientação é não utilizar a água das torneiras para beber, cozinhar, preparar alimentos infantis, escovar os dentes, lavar as mãos, tomar banho, produzir gelo ou higienizar frutas e verduras.
A administração municipal também alertou que ferver a água não elimina todos os riscos identificados no abastecimento. Por isso, a restrição deve ser mantida até que novas análises comprovem a segurança do fornecimento.
Os moradores foram orientados a descartar a água armazenada anteriormente e higienizar os recipientes antes de receber água potável.
Para reduzir os impactos da crise, o município disponibilizou caminhões-pipa para distribuir água gratuitamente às comunidades afetadas.
A previsão é ampliar a operação para 36 veículos, com o objetivo de atender às famílias que dependem do sistema comprometido.
Autoridades investigam responsabilidades pela contaminação
O governo sul-africano criou uma força-tarefa para acompanhar os casos, investigar as causas da contaminação e definir medidas para recuperar o sistema de abastecimento.
A iniciativa envolve autoridades municipais, representantes do governo provincial de Gauteng e integrantes dos setores de saúde e saneamento.
O Departamento de Água e Saneamento também solicitou à Comissão de Pesquisa da Água (Water Research Commission) uma avaliação independente da qualidade do abastecimento e das circunstâncias que permitiram a distribuição de água sem cloração adequada.
A expectativa é que o relatório seja divulgado até 28 de outubro.
Além de identificar a origem da contaminação, a investigação deverá examinar possíveis responsabilidades administrativas relacionadas às falhas operacionais e à ausência de alertas aos moradores.
O caso também mobilizou o Parlamento da África do Sul. A Comissão de Saúde manifestou preocupação com o aumento das doenças gastrointestinais e cobrou medidas para proteger as comunidades atingidas.
Próximos passos
As equipes técnicas continuam monitorando a qualidade da água e realizando novas análises laboratoriais para verificar se o tratamento voltou a atender aos padrões de segurança.
A administração municipal informou que o fornecimento alternativo será mantido enquanto a água das torneiras permanecer imprópria para consumo.
Ainda não existe uma data confirmada para a suspensão das restrições. A liberação dependerá de resultados laboratoriais que comprovem a recuperação da qualidade da água.
Enquanto isso, as autoridades de saúde seguem acompanhando os pacientes e investigando novos casos para evitar que o surto se espalhe para outras comunidades.