Saiba quem são os presos flagrados com ouro em avião no Aeroporto Internacional de Boa Vista

Carga milionária estava em barras escondidas na aeronave
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Um pouso fora da rota prevista levou a Polícia Federal (PF) a agir na terça-feira (2), após avião que deveria seguir para a pista da Fazenda Timbó aterrissar no Aeroporto Internacional de Boa Vista, revelando um esquema de transporte clandestino de ouro vindo de Itaituba (PA).

Dentro do avião, os agentes encontraram 51 kg de ouro divididos em 54 barras, além de uma pistola Glock e munições. O valor total da carga, segundo a cotação do Banco Central, chega a R$ 36,8 milhões.

Prisão de três suspeitos e apreensão de menor

A PF deteve o piloto Armando Palla Junior de 57 anos; o empresário Rychael Castro Gonçalves de 33; e o sargento da reserva João Heriberto Ferreira dos Santos de 55.

Além disso, o adolescente apreendido é irmão do empresário e, segundo a PF, ajudava a esconder parte das barras de ouro durante o voo.

A defesa de Rychael e de João Heriberto rejeitou as acusações e afirmou que só irá se manifestar nos autos.

Enquanto o advogado do piloto declarou que Armando foi apenas contratado para realizar o voo e desconhecia a presença do ouro.

Contradições e ligações com o setor de segurança privada

Ao prestar depoimento, Rychael afirmou que não era dono das barras, mas admitiu que realizava entregas semelhantes e já havia atuado na mesma rota. Ele é proprietário da empresa Aliança Segurança LTDA, em Itaituba, criada pelo pai e avaliada em R$ 120 mil.

A empresa já prestou serviços de segurança e logística para a Ourominas, uma grande companhia do setor.

Contudo, a Ourominas informou que não trabalha com Rychael ou com a Aliança há mais de três anos e que existe um processo trabalhista movido por ele contra o grupo.

Piloto recebia R$ 25 mil por viagem

Armando Palla Junior declarou ser o “proprietário de fato” da aeronave e admitiu que recebia R$ 25 mil por voo.

Ele reconheceu também que transportava passageiros sem autorização, já que o avião não tinha permissão para funcionar como táxi aéreo. Após a operação, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) suspendeu suas habilitações.

Para os investigadores, o piloto já conhecia a rota entre Itaituba e a fazenda, usada com frequência em esquemas de transporte aéreo de ouro ilegal.

Proteção da carga

O sargento da reserva João Heriberto levava uma Glock G25 carregada e apresentou registro da arma.

Mesmo assim, a PF aponta que sua função era garantir a segurança do ouro durante o transporte, o que reforça a suspeita de uma associação criminosa estruturada e armada.

Menor foi liberado após depoimento

O adolescente transportava parte das barras no casaco, nos bolsos e em uma mochila. A PF afirma que o grupo usou o adolescente para tentar ocultar o ouro, caracterizando corrupção de menores.

Portanto, a Delegacia de Defesa da Infância e Juventude o levou para prestar esclarecimentos, liberou o adolescente e determinou que ele se apresente ao Ministério Público (MP).

 

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