Quem é Rubel e por que barrar música gerou acusação de censura

Entenda a polêmica envolvendo o cantor Rubel e a retirada de sua música de um vídeo eleitoral que gerou acusações de censura.
Redação NC News
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O cantor e compositor Rubel pediu que a gravadora Sony retirasse sua música de um vídeo de campanha do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) com críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o parlamentar reagiu nas redes sociais acusando o artista de censura e de tentar calar a voz de nordestinos.

Quem é Rubel e qual sua relação com a polêmica envolvendo Nikolas Ferreira?

Rubel Brisolla Rodrigues, conhecido artisticamente como Rubel, é um cantor e compositor da nova geração da MPB que ganhou destaque nacional e hoje acumula 395 mil seguidores no Instagram e mais de 3,5 milhões de ouvintes mensais no Spotify; nesta terça-feira, o artista virou alvo de Nikolas Ferreira após pedir a retirada da música “Grão de Areia” de um vídeo político do deputado.

Natural de Volta Redonda, no Rio de Janeiro, Rubel mistura influências de indie, folk, R&B, hip-hop e samba em sua discografia. Ele começou a tocar violão aos 6 anos, integrou a banda escolar Corleone e estudou Cinema antes de retomar a carreira musical durante um intercâmbio nos Estados Unidos.

O primeiro álbum, “Pearl”, foi lançado de forma independente e gratuita na internet e abriu caminho para a projeção que viria com a faixa “Quando Bate Aquela Saudade”, responsável por levá-lo a trilhas de séries e a um público maior nas plataformas digitais.

Depois, o disco “Casas” consolidou o nome de Rubel com parcerias com Emicida e Rincon Sapiência, indicação ao Grammy Latino e uma turnê que passou por mais de 60 cidades dentro e fora do Brasil. Em trabalhos seguintes, o artista ampliou o repertório com colaborações com nomes como ANAVITÓRIA, Marina Sena, Adriana Calcanhotto e o grupo Bala Desejo.

A relação direta de Rubel com a polêmica de hoje é o controle sobre o uso da própria obra. A faixa “Grão de Areia”, gravada com Xande de Pilares e sanfona de Mestrinho, abriu o vídeo publicado por Nikolas Ferreira com relatos de moradores do Nordeste criticando o presidente Lula. Segundo o deputado, após o pedido de Rubel à Sony, o áudio do post foi derrubado no Instagram.

Por que o áudio da música de Rubel foi retirado do vídeo de Nikolas Ferreira?

O áudio foi retirado porque, de acordo com Nikolas Ferreira, Rubel acionou a gravadora Sony para barrar o uso não autorizado de “Grão de Areia” em um vídeo político em que nordestinos criticam o governo Lula.

O vídeo, publicado no Instagram do parlamentar, foi apresentado por ele como o “mais importante” de sua campanha e mostra moradores do Nordeste relatando insatisfação com promessas que atribuem ao presidente Lula, encerrando com um coro de “chega”. A trilha começava com um trecho da música de Rubel.

Após a publicação, o áudio foi removido da plataforma. Nikolas atribui diretamente a retirada ao cantor: “A Sony foi acionada pelo o Rubel pra derrubar o som. Ninguém mais pediu, só ele. O covarde achou que ninguém ia descobrir que foi ele que pediu na calada. No fim, um petista calou a voz dos nordestinos. Nada mais simbólico”, afirmou o deputado em vídeo.

Na mesma sequência de publicações, ele elevou o tom das críticas. “Senhoras e senhores, confirmado. Quem reportou a produtora para poder derrubar e silenciar os nordestinos foi o Rubel, esse daí mesmo que está fazendo o L. Não foi porque a produtora quis, não foi por nada disso, foi porque esse esquerdista… não é que quer me calar, quer calar o nordestino, porque afinal de contas, qual é o teu medo de deixar o nordestino falar?”, disse Nikolas.

O deputado também vinculou a disputa a uma narrativa de abandono da região: “Já não basta teu presidente ter esquecido deles há vinte anos e agora quando alguém vai lá e dá voz a eles, agora você quer silenciá-lo? Que vergonha! Você é um patife, você é um patife sem vergonha, que não está fazendo isso comigo, está fazendo isso com os nordestinos. Que isso sobrecaia nas suas costas, seu sem vergonha, vergonhoso, vergonhoso”.

Em outra postagem, ele voltou a cobrar o artista: “Se o Rubel tiver o mínimo de decência, ainda dá tempo de pedir pra produtora liberar o áudio. Nunca é tarde pra refazer uma covardia contra a voz de milhões de nordestinos”.

Rubel não se manifestou publicamente até o momento desta apuração, e a Sony também não detalhou o procedimento adotado. Na prática, o episódio reforça que detentores de direitos autorais podem restringir o uso de suas músicas em conteúdos de campanha e peças políticas nas redes sociais.

Entenda o contexto

O vídeo de Nikolas Ferreira faz parte da campanha do deputado em apoio a Flávio Bolsonaro (PL) e mira diretamente o eleitorado nordestino, região onde o presidente Lula tradicionalmente registra forte desempenho eleitoral. A peça tenta reduzir essa vantagem exibindo falas de moradores que se identificam como nordestinos e criticam o atual governo.

Ao acionar a gravadora para barrar a trilha sonora, Rubel se apoia em direitos autorais e no uso da própria imagem artística, que pode ser associada, pela presença da música, a determinada posição política. A reação de Nikolas desloca o foco para a liberdade de expressão, com o deputado acusando o cantor de tentar calar “a voz dos nordestinos” e o classificando como “covarde”.

O caso acende um debate que deve ganhar força à medida que campanhas eleitorais intensificam o uso de redes sociais: até que ponto políticos e suas equipes podem recorrer a músicas conhecidas sem autorização formal, e quais são os limites entre direito autoral, proteção de imagem e alegações de censura.

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