Lula volta a BH para tentar reduzir vantagem de Flávio em Minas antes do segundo turno

Candidato à presidência tenta recuperar terreno no segundo maior colégio eleitoral do país, onde perdeu para o candidato do PL no primeiro turno
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A quatro dias do segundo turno das eleições presidenciais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) volta a Belo Horizonte nesta quarta-feira (21) para uma caminhada com apoiadores pelo Hipercentro da capital mineira.

A visita, prevista como sua última agenda em Minas Gerais antes da votação de domingo (25), ocorre em um momento de pressão sobre a campanha petista para reduzir a vantagem conquistada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) no estado.

A escolha de Belo Horizonte não é por acaso. Minas Gerais concentra o segundo maior eleitorado do Brasil e tem sido um dos principais destinos dos dois candidatos ao longo da campanha. Desta vez, porém, Lula retorna em uma situação diferente daquela enfrentada nas eleições de 2022, quando venceu Jair Bolsonaro no estado por uma diferença apertada.

No primeiro turno deste ano, Flávio recebeu 5.777.548 votos em Minas, o equivalente a 48,24% dos votos válidos. Lula somou 5.188.936 votos, ou 43,33%. A vantagem do candidato do PL foi de 588.612 votos, segundo os resultados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O resultado explica parte da estratégia petista nesta reta final. Lula precisa recuperar votos em um estado que já foi decisivo para sua vitória e onde, desta vez, seu adversário conseguiu avançar entre os eleitores das maiores cidades.

Lula venceu em mais municípios, mas perdeu onde há mais eleitores

Um dos principais desafios para a campanha de Lula está na distribuição dos votos em Minas Gerais. Embora tenha sido o candidato mais votado em um número maior de municípios no primeiro turno, o presidente perdeu para Flávio Bolsonaro em cidades mais populosas, incluindo Belo Horizonte.

O desempenho do senador nos grandes centros urbanos foi suficiente para compensar a vantagem petista em municípios menores e assegurar a vitória do PL no estado.

Esse resultado ajuda a entender por que Lula escolheu novamente a capital mineira para uma mobilização de rua. Belo Horizonte concentra eleitores de diferentes faixas de renda, além de reunir parte importante da classe média e do eleitorado trabalhador, segmentos disputados pelas duas candidaturas.

No primeiro turno, 22,81% dos eleitores mineiros deixaram de votar. A ausência também foi expressiva em áreas de histórico apoio ao presidente, como o Alto Vale do Jequitinhonha.

Campanha continua sendo apenas aos eleitores do PT

A avaliação política que observo neste cenário é que há uma mobilização concentrada apenas nos eleitores já identificados com o PT dificilmente será suficiente para alterar a diferença registrada no início do mês. O partido também precisa alcançar pessoas que não compareceram às urnas e conquistar parte dos votos destinados a outros candidatos no primeiro turno.

Nesse contexto, a caminhada pelo Centro de Belo Horizonte também funciona como uma tentativa de demonstrar força política em um estado onde Lula saiu derrotado no primeiro turno. Desta forma, a presença do presidente nas ruas pode estimular a militância e ampliar a visibilidade da campanha, mas o tamanho da mobilização não necessariamente se traduz em novos votos. O desafio está em alcançar eleitores que não participaram dos atos anteriores ou que ainda não demonstraram disposição de apoiar o petista.

Há ainda um risco político para Lula nessa reta final: o de reforçar a polarização justamente entre os eleitores que pretende conquistar. Uma caminhada marcada pela presença de militantes, bandeiras e palavras de ordem pode produzir imagens de apoio ao presidente, mas também acentuar a identificação da candidatura com o próprio PT.

Para parte do eleitorado que rejeita o partido, mas não necessariamente apoia Flávio Bolsonaro, esse formato de mobilização pode ter pouco efeito persuasivo. A questão é se Lula conseguirá aproveitar a passagem por Belo Horizonte para apresentar argumentos que ultrapassem a disputa entre petistas e bolsonaristas.

Em uma eleição marcada pela rejeição aos dois campos políticos, a capacidade de dialogar com quem não se identifica integralmente com nenhum deles pode pesar tanto quanto a demonstração de força nas ruas. Nesse sentido, o conteúdo do discurso do presidente poderá ser politicamente mais relevante do que o número de apoiadores reunidos no ato.

Caminhada em BH busca mobilizar a militância antes da votação

A caminhada desta quarta-feira está prevista para começar na Praça da Estação, no Hipercentro de Belo Horizonte, com concentração de apoiadores a partir das 15h. A chegada de Lula é esperada por volta das 17h, e o percurso anunciado segue até a Praça Raul Soares.

O ato será realizado em uma região que tem recebido manifestações favoráveis ao presidente desde o início do segundo turno. No último domingo (18), por exemplo, apoiadores do petista já haviam se reunido na Praça da Estação e percorrido as ruas até a Praça Raul Soares. A mobilização foi convocada pelas redes sociais, sem a presença do candidato.

Ao retornar pessoalmente à capital, Lula poderá reforçar a participação dos militantes e ampliar a visibilidade de sua campanha nos últimos dias antes da votação. O impacto eleitoral, entretanto, não depende apenas do público presente na caminhada.

Atos desse tipo costumam reunir principalmente eleitores que já demonstram identificação com a candidatura. O desafio para o PT será transformar a mobilização em participação efetiva nas urnas e alcançar pessoas que ainda não decidiram seu voto.

Nesse contexto, a presença de Lula em Belo Horizonte atende a duas necessidades eleitorais. A primeira é tentar diminuir a diferença em Minas Gerais. A segunda é estimular o comparecimento de eleitores que já apoiam sua candidatura, mas que podem não votar no domingo.

Flávio também mira Minas e prepara nova passagem por BH

O esforço petista ocorre enquanto Flávio Bolsonaro mantém Minas Gerais entre as prioridades de sua campanha. A estratégia do candidato do PL tem se concentrado na manutenção da vantagem obtida no primeiro turno e na ampliação de sua votação entre eleitores de centro e apoiadores de candidaturas eliminadas.

O senador também concentra parte de suas atividades no Sudeste, região onde pretende preservar o desempenho eleitoral alcançado no primeiro turno. A disputa revela estratégias diferentes. Enquanto Lula tenta recuperar espaço em Minas por meio da presença nas ruas e do estímulo à militância, Flávio busca proteger a vantagem já conquistada e ampliar sua base eleitoral.

Para o presidente, a tarefa é especialmente difícil porque o segundo turno não oferece tempo suficiente para reconstruir uma campanha inteira. Restam poucos dias para tentar convencer eleitores, mobilizar aliados e reduzir a abstenção.

 

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