Uma jiboia virou uma espécie de moradora permanente de um sítio em Orindiúva, no interior de São Paulo, depois de aparecer no quintal de uma família e retornar à propriedade mesmo após duas tentativas de afastá-la. A serpente conquistou a simpatia da dona de casa Célia Ferreira Borges da Silva e do agricultor Edivaldo Borges da Silveira, ganhou um espaço reservado para descansar e foi batizada de Margarida. A história foi apresentada pela TV TEM, afiliada da TV Globo, nesta quarta-feira (21).
O primeiro encontro com a visitante inesperada provocou um susto no casal. Ao encontrar a cobra no quintal, os moradores decidiram levá-la para uma área mais afastada da propriedade. No entanto, cerca de duas semanas depois, o animal apareceu novamente. A família repetiu a tentativa de afastamento, mas a jiboia retornou mais uma vez e passou a frequentar o mesmo espaço.
Com o passar do tempo, a presença da serpente deixou de causar preocupação e passou a fazer parte da rotina do sítio. Célia e Edivaldo improvisaram um abrigo com tapumes em uma área protegida do sol, onde Margarida costuma passar boa parte do dia.

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A história começou quando Célia e Edivaldo encontraram uma jiboia ainda jovem na parte da frente do quintal. Sem esperar que o animal permanecesse nas proximidades da casa, os dois decidiram levá-lo para uma área mais distante.
A tentativa parecia ter resolvido a situação, mas a surpresa veio aproximadamente duas semanas depois, quando a serpente reapareceu no mesmo terreno.
O casal repetiu o procedimento e afastou a cobra mais uma vez. Mesmo assim, o animal voltou, demonstrando preferência por uma região específica do sítio.
Em entrevista à TV TEM, Célia explicou que as primeiras aparições causaram estranhamento, mas que a insistência da visitante acabou mudando a maneira como a família enxergava a situação.
“Quando ela veio pela primeira vez, era novinha, sabe? E aí ela apareceu na frente do quintal. Nós pegamos ela e soltamos lá no fundo, mas ela voltou, depois de umas duas semanas”, contou a moradora.
Depois de perceber que a serpente continuava retornando, a família passou a observar seus hábitos e decidiu reservar um local onde ela pudesse permanecer sem ficar exposta à movimentação da casa.

Margarida ganhou um cantinho especial no quintal
Acostumada a receber familiares e amigos com café e bolo, Célia acabou estendendo a hospitalidade à visitante de uma maneira diferente.
Ao perceber que a jiboia procurava locais protegidos para descansar, a dona de casa e o marido reservaram um espaço com tapumes nos fundos do quintal.
O abrigo fica em uma região mais fresca, com sombra e pouca circulação de pessoas. Segundo a família, é ali que Margarida costuma permanecer durante boa parte do dia.
“Então, acho que o cantinho dela é aqui, e ela veio para ficar”, disse Célia à reportagem.
A jiboia recebeu o nome de Margarida depois que o casal passou a considerar sua presença algo habitual.
Apesar do apelido carinhoso, o animal não foi domesticado. Trata-se de uma serpente que encontrou condições favoráveis para permanecer nas proximidades da propriedade rural.
A presença de vegetação, locais de abrigo e possíveis fontes naturais de alimento pode favorecer a circulação de jiboias em áreas rurais, especialmente em regiões próximas a ambientes naturais.
Moradora diz que jiboia é “mais educada que qualquer ser humano”
Uma das situações mais curiosas da história envolve a reação de amigos e conhecidos quando descobriram que uma jiboia havia passado a frequentar o sítio.
Segundo Célia, poucas pessoas sabiam da presença de Margarida. Em determinada ocasião, ela decidiu compartilhar uma fotografia da serpente em um grupo de mensagens.
A imagem provocou espanto entre os participantes, que ficaram preocupados com a possibilidade de o animal entrar na residência.
A dona de casa, entretanto, contou que isso nunca aconteceu, apesar de a jiboia permanecer em uma área relativamente próxima à construção.
“Ficaram todos loucos e com medo de ela entrar dentro de casa, mas, graças a Deus, nunca entrou. Muito educada. Mais educada que qualquer ser humano”, brincou Célia.
A moradora afirmou que costuma deixar aberta a janela de um dos cômodos próximos ao local onde Margarida se abriga, mas que nunca encontrou a serpente dentro da casa.
Embora a convivência tenha se tornado motivo de brincadeiras, especialistas recomendam manter portas e janelas protegidas quando há circulação de animais silvestres nas proximidades das residências.
Jiboia nunca atacou galinhas, pintinhos ou cachorros, afirma família
Outro detalhe que chamou a atenção dos moradores foi o comportamento da serpente em relação aos animais criados no sítio.
De acordo com Célia, Margarida nunca foi vista atacando as galinhas ou os pintinhos que vivem na propriedade.
A família também possui quatro cachorros e afirma que não houve episódios de ataque envolvendo a jiboia.
“Ela nunca atacou as galinhas nem os pintinhos, porque elas gostam de comer pintinhos […] E eu tenho quatro cachorros, mas ela nunca pegou, nunca atacou, nada”, relatou a dona de casa.
Apesar do comportamento observado pela família, isso não significa que jiboias sejam incapazes de capturar pequenos animais domésticos.
A espécie é carnívora e pode se alimentar de roedores, aves e outros vertebrados. Por isso, a convivência com animais de pequeno porte exige cuidados e não deve ser estimulada por aproximação ou alimentação.
O fato de Margarida não ter atacado os animais do sítio até agora representa apenas a experiência relatada pelos moradores, e não uma garantia de que situações semelhantes não possam ocorrer.
Agricultor brinca com a rotina tranquila da serpente
Enquanto Margarida passa boa parte do tempo descansando, Edivaldo mantém uma rotina de trabalho no cultivo de hortaliças da propriedade.
O contraste entre o dia de trabalho do agricultor e o comportamento aparentemente tranquilo da serpente virou motivo de brincadeira.
Depois de tentar afastar a jiboia em duas ocasiões, Edivaldo passou a encarar a situação com bom humor.
“Ela fica ali à vontade, dorme o dia inteirinho. Ela deve ser bem aposentada, né? Porque dorme o dia inteirinho, tranquila”, comentou o agricultor à TV TEM.
O comportamento descrito pela família é compatível com os hábitos de muitas jiboias, que podem permanecer escondidas durante o dia e apresentar maior atividade em outros períodos.

Bióloga explica por que Margarida prefere ficar escondida
A bióloga Laira Rafaela Ribeiro explicou à TV TEM que a presença de Margarida no sítio pode estar relacionada às condições do ambiente escolhido pela serpente.
Segundo a especialista, as jiboias procuram locais protegidos, frescos e com pouca exposição direta ao sol, especialmente durante os períodos de repouso.
O espaço improvisado com tapumes oferece justamente algumas dessas características, o que pode ajudar a explicar o retorno frequente do animal.
“O animal tem hábito noturno. Então, sempre vai procurar ambientes com boa ventilação, frescos e escondidos. Aqui é um lugar propício para ele, debaixo de entulho e onde não bate sol”, explicou a bióloga.
Embora o caso tenha despertado curiosidade, a especialista também destacou que a jiboia não é uma serpente peçonhenta.
Isso significa que a espécie não utiliza veneno para capturar suas presas. Em vez disso, emprega a força muscular do corpo para imobilizar pequenos animais.
A ausência de peçonha, porém, não elimina o risco de mordidas ou acidentes caso a serpente seja provocada, encurralada ou manuseada inadequadamente.
Jiboia é perigosa para seres humanos?
A jiboia, conhecida cientificamente como Boa constrictor, é uma serpente nativa do Brasil e encontrada em diferentes regiões do país.
Ao contrário de espécies peçonhentas, como jararacas e cascavéis, a jiboia não possui um sistema de inoculação de veneno utilizado para dominar suas presas.
O animal captura pequenos vertebrados por constrição, envolvendo o corpo ao redor da presa e exercendo pressão até imobilizá-la.
Na natureza, a espécie exerce um papel importante no equilíbrio ambiental, contribuindo para o controle das populações de roedores e outros animais.
Apesar de normalmente evitar o contato com pessoas, uma jiboia pode reagir de forma defensiva caso se sinta ameaçada.
Por isso, não é recomendado tentar pegá-la com as mãos, alimentá-la ou mantê-la em um espaço fechado sem autorização e orientação dos órgãos ambientais.

O que fazer ao encontrar uma jiboia no quintal?
O encontro com uma serpente em quintais, sítios e chácaras pode provocar medo, mas a principal recomendação dos órgãos ambientais é evitar qualquer tentativa de captura por conta própria.
O primeiro cuidado é manter distância e impedir que crianças e animais domésticos se aproximem do local onde a cobra foi encontrada.
Também é importante não tentar atingir o animal com objetos, não jogar produtos químicos e não provocar a serpente para que ela deixe o esconderijo.
Quando a cobra estiver em uma área de risco, dentro de uma residência ou próxima a locais de grande circulação, a orientação é procurar equipes especializadas em manejo de fauna.
O Corpo de Bombeiros pode ser acionado pelo telefone 193, conforme a disponibilidade e os procedimentos de atendimento de cada região. Órgãos ambientais municipais e a Polícia Militar Ambiental também podem orientar sobre o encaminhamento adequado.
Em ambientes naturais, quando o animal não oferece risco imediato, a recomendação é preservar a distância e permitir que ele siga seu caminho sem interferência humana.
No caso de Margarida, a história ganhou destaque pela maneira como os moradores passaram do susto inicial à convivência com uma visitante inesperada.
Entre o descanso no quintal, o abrigo improvisado e as brincadeiras dos proprietários, a jiboia acabou conquistando um nome e um lugar na rotina do sítio, sem deixar de ser um animal silvestre que deve ser respeitado e observado com segurança.