O deputado federal eleito por Minas Gerais Pedro Rousseff (PT), sobrinho-neto da ex-presidente Dilma Rousseff, fez críticas ao próprio partido e alertou para o risco de a legenda perder espaço político caso não renove suas lideranças e a maneira de se comunicar com os eleitores.
O parlamentar de 26 anos afirma que o PT precisa abrir espaço para novos nomes, especialmente entre os jovens. Ele também avaliou que uma eventual derrota do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno não poderia ser atribuída apenas à disseminação de notícias falsas.
Na avaliação de Rousseff, parte do eleitorado está insatisfeita com os resultados do governo e considera que a gestão poderia ter avançado em outras áreas. Para ele, o partido também enfrenta dificuldades para apresentar suas realizações à população.
Eleito com 118.567 votos, Pedro deixará a Câmara Municipal de Belo Horizonte para assumir uma cadeira no Congresso Nacional a partir de fevereiro de 2027. O petista pretende atuar ao lado de Ana Elisa, também eleita deputada federal por Minas, em uma articulação para renovar a representação do PT na Câmara.
Pedro Rousseff promete oposição a Flávio Bolsonaro
O deputado eleito afirmou que sua atuação no Congresso dependerá do resultado do segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo, 25 de outubro.
Caso Lula seja reeleito, Pedro pretende ajudar na articulação parlamentar para aprovar projetos do governo. Se Flávio Bolsonaro (PL) vencer, o petista promete adotar uma postura de enfrentamento à futura administração federal. “Serei a oposição mais firme que o povo brasileiro terá na Câmara”, declarou.
Entre os parlamentares que pretende enfrentar politicamente estão Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP), eleitos com as maiores votações para deputado federal no país.
Pedro também fez críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), à Câmara dos Deputados e ao Senado. Segundo ele, o desgaste dessas instituições contribuiu para o crescimento de candidatos que exploram a insatisfação dos eleitores com a política tradicional.
Redes sociais são desafio para o PT, diz deputado
Outro ponto levantado por Rousseff é a dificuldade da esquerda para acompanhar a atuação de adversários nas plataformas digitais. Com cerca de 1,1 milhão de seguidores no Instagram à época da entrevista, o deputado eleito considera que as redes sociais passaram a ter peso decisivo nas eleições.
Como exemplo, citou a vitória de Cleitinho Azevedo (Republicanos) para o governo de Minas Gerais ainda no primeiro turno. Na avaliação dele, a campanha do governador eleito demonstrou a capacidade de mobilização eleitoral pelas plataformas digitais, mesmo sem depender das estruturas tradicionais de campanha.
Pedro também criticou a estratégia de comunicação da campanha de Lula. Segundo ele, o governo deixou de apresentar de maneira eficiente resultados de políticas públicas e avanços econômicos, o que teria contribuído para o desgaste do presidente entre os eleitores.
O petista defendeu mudanças na presença digital da campanha presidencial nesta reta final da disputa contra Flávio Bolsonaro.
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Pedro Rousseff também questionou a dificuldade de jovens políticos conquistarem espaço dentro dos partidos de esquerda. Na avaliação dele, enquanto a direita investe na projeção de novas lideranças, o PT ainda mantém estruturas que dificultam a ascensão de uma nova geração.
O deputado eleito teme que essa resistência amplie a distância entre a esquerda e o eleitorado mais jovem, favorecendo o crescimento de políticos conservadores.
Nascido em Belo Horizonte e formado em administração pelo Ibmec, Pedro iniciou sua trajetória política no Conselho Municipal de Juventude. Em 2024, foi eleito vereador da capital mineira com votação recorde para o PT no município.
O parlamentar também defendeu uma mudança na forma como o partido se apresenta aos eleitores. Para ele, a legenda precisa demonstrar capacidade de renovação, sem depender exclusivamente da trajetória de seus dirigentes mais conhecidos.
As declarações foram dadas durante a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro pela Presidência. O resultado será definido nas urnas no próximo domingo (25), quando os brasileiros voltarão a votar para escolher o presidente que governará o país a partir de janeiro de 2027.