Você sabia? Casa noturna de BH tem fósseis no chão, nas escadas e nas paredes

Estruturas identificadas em casarão histórico no bairro Floresta estão relacionadas a organismos que surgiram há bilhões de anos e ajudaram a transformar a atmosfera da Terra
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Quem passa pela Casa Sapucaí, no bairro Floresta, na região Leste de Belo Horizonte, pode estar diante de vestígios da história da vida na Terra sem perceber. As manchas circulares espalhadas pelo piso, pelas escadas e pelas paredes da casa noturna são estruturas fossilizadas conhecidas como estromatólitos, formadas pela atividade de microrganismos que existem no planeta há bilhões de anos.

A descoberta é da bióloga e pesquisadora Beatriz Hörmanseder identificou os fósseis durante uma festa no imóvel, localizado na Rua Sapucaí, 303. Ao observar os desenhos presentes nas pedras de uma escadaria, ela percebeu que não se tratava de manchas comuns do revestimento. A pesquisadora passou a examinar outros ambientes e constatou que as estruturas estavam presentes nos três andares do casarão.

LEIA MAIS:

Halloween em BH 2026: 37 festas vão ‘agitar’ a capital mineira; saiba onde!

O que são os fósseis encontrados na casa noturna de BH?

Os estromatólitos são estruturas rochosas formadas ao longo do tempo pela atividade de comunidades de microrganismos. Esses seres, entre eles bactérias capazes de realizar fotossíntese, contribuíram para a produção de oxigênio e para as transformações da atmosfera terrestre.

Segundo a NASA, registros dessas estruturas encontrados na Austrália têm aproximadamente 3,5 bilhões de anos e estão entre as evidências mais antigas de atividade biológica preservadas em rochas.

Na Casa Sapucaí, os fósseis aparecem como desenhos arredondados e escuros. Isso ocorre porque as rochas foram cortadas durante a preparação do material utilizado na construção, deixando expostas as camadas das estruturas fossilizadas.

Ao divulgar o achado, Beatriz explicou que os estromatólitos existem há pelo menos 2,4 bilhões de anos. A idade exata dos exemplares presentes no imóvel de Belo Horizonte, porém, não foi estabelecida por uma datação científica apresentada nas reportagens sobre a descoberta.

Como os fósseis foram parar em uma casa noturna?

Apesar de os fósseis estarem no imóvel há décadas, a existência deles era desconhecida pela administração da Casa Sapucaí. Lucas Almeida, responsável pelo estabelecimento, explicou que sabia apenas que as pedras usadas na construção haviam sido importadas da Itália.

O uso de rochas ornamentais contendo fósseis foi comum em construções antigas, especialmente quando esses materiais eram escolhidos pela aparência, sem que houvesse conhecimento sobre os vestígios preservados.

Segundo a pesquisadora, o fenômeno não é exclusivo de Belo Horizonte. O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Rio de Janeiro, também possui estromatólitos em seu revestimento. Nesse caso, as rochas foram extraídas da região de Ouro Preto, em Minas Gerais.

O professor Antônio Gilberto Costa, pesquisador de petrologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), explicou à rádio Itatiaia, em 2023, que rochas com estromatólitos foram bastante utilizadas em construções durante o século XX.

Estromatólitos são colunas de camadas de bactérias empilhadas que estão no planeta há 2,4 bilhões de anos

Casa Sapucaí continua funcionando no mesmo imóvel

O casarão onde os fósseis foram identificados continua recebendo festas e eventos culturais em Belo Horizonte. Em junho de 2026, a administração da Casa Sapucaí anunciou que deixaria o endereço no bairro Floresta. A decisão, entretanto, foi revertida no mês seguinte, após uma renegociação com os proprietários do imóvel.

A casa retomou as atividades no mesmo endereço em julho e segue com programação de eventos. Entre as próximas atrações está o Halloween Rock Station, marcado para sábado, 24 de outubro, às 21h. A festa terá apresentações de DJs e duas pistas de dança.

Quem frequenta o local pode observar os padrões circulares das pedras presentes nos ambientes do casarão, que chamaram a atenção da pesquisadora e transformaram um conhecido espaço da vida noturna de BH em assunto de paleontologia.

Carregar Comentários