A gestão de resíduos sólidos em Porto Velho passa por uma mudança drástica. Após falhas contratuais e uma crise de zeladoria que gerou milhares de reclamações, uma nova concessionária assume o serviço com o desafio de normalizar a limpeza urbana em meio a um cenário de hostilidade.
Troca de comando na limpeza pública
A empresa Sistemma Serviços Urbanos assume oficialmente a coleta de lixo em Porto Velho a partir desta quarta-feira (22). A mudança ocorre após a prefeitura rescindir o contrato com o consórcio ECO PVH por descumprimento de cláusulas e perda de capacidade técnica. A nova operadora, que atua em estados como SP, MG e PR, mobilizou mais de 200 funcionários e uma frota de caminhões novos vindos de Goiânia para iniciar os trabalhos imediatamente, tentando reverter o quadro de acúmulo de lixo que atinge bairros e distritos do Baixo Madeira há dias.
Crise e “Sabotagem”: O cenário da transição
A chegada da Sistemma não conta com um processo de transição amigável. A gerência da nova empresa relatou um ambiente hostil e indícios de sabotagem, com pontos de descarte acumulados propositalmente para dificultar o início da nova operação.
O histórico do consórcio que deixa o serviço é crítico:
- Recorde de queixas: Mais de 4.398 reclamações registradas oficialmente.
- Pressão Política: O secretário da Seinfra, Thiago Cantanhede, chegou a ser convocado pela Câmara de Vereadores para explicar o caos na limpeza.
- Abandono: Distritos estão há mais de quatro dias sem ver um caminhão de lixo, aumentando o risco de problemas de saúde pública.
Por que o contrato anterior caiu?
Além da má prestação de serviço, a Seinfra detectou que o consórcio ECO PVH perdeu as condições de habilitação após a saída da empresa SUMA Brasil, que detinha a capacidade técnica e econômica necessária para o contrato. Seguindo determinações do Tribunal de Contas e do Ministério Público, a terceira colocada no certame original foi convocada para evitar a interrupção total do serviço.