A Polícia Civil de São Paulo identificou a mulher filmada fazendo ataques racistas contra o estudante de Direito Márcio Ferreira, na estação Vila Sônia, da Linha 4-Amarela do metrô. A identificação foi divulgada nesta quinta-feira (22), quatro dias depois do episódio ocorrido na noite de domingo (18), após uma discussão política entre passageiros.
Nas imagens gravadas pelo próprio estudante, a mulher aparece repetindo ofensas relacionadas à cor da pele da vítima. Durante a discussão, ela também afirma ser apoiadora do bolsonarismo. O vídeo foi divulgado nas redes sociais e passou a integrar as informações relacionadas à investigação.
O caso foi denunciado à Polícia Civil e ao Ministério Público de São Paulo (MPSP). O Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância (Gecradi), vinculado ao Ministério Público, solicitou a abertura de um inquérito policial para apurar as circunstâncias das agressões.
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Estudante tentou impedir briga antes de sofrer ofensas racistas
Segundo Márcio Ferreira, a confusão começou dentro de um vagão, quando a mulher discutia com três jovens sobre política. O estudante afirmou que não conhecia os envolvidos e decidiu intervir para evitar que o desentendimento terminasse em agressão física.
Mesmo depois que os outros passageiros se afastaram, Márcio permaneceu tentando acalmar a mulher. Ele contou que os insultos começaram após mencionar que havia tentado ajudá-la, apesar das divergências políticas.
“Fui separar a briga. Conversando. Pedindo calma”, relatou o estudante em entrevista ao UOL.
No vídeo, a mulher utiliza repetidamente a expressão racista “preto do caralho” contra Márcio. Em outro momento, admite ter chamado o estudante de “preto de bosta”. Um agente de segurança da estação aparece durante a discussão.
Vítima denunciou o caso e relatou impacto emocional
Após o episódio, Márcio divulgou as imagens nas redes sociais e falou sobre o constrangimento e o impacto emocional provocado pelas agressões.
“Na hora você se sente culpado. Culpa por não saber como reagir. Culpa até por sair de casa”, declarou.
A esposa do estudante, Ana Carolina Rocha, informou que a família registrou boletim de ocorrência e apresentou denúncia ao Ministério Público. Márcio também foi chamado para prestar depoimento no Departamento de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), unidade especializada da Polícia Civil.
A concessionária Motiva, responsável pela Linha 4-Amarela, informou que agentes de segurança prestaram atendimento à vítima e ofereceram apoio para o registro da ocorrência. A empresa repudiou manifestações de racismo e afirmou estar à disposição das autoridades.
O que acontece após a identificação da mulher?
Com a identificação da suspeita, a Polícia Civil poderá avançar na apuração, incluindo a coleta de depoimentos e a análise das imagens registradas na estação. A identificação, por si só, não representa condenação ou responsabilização criminal definitiva.
A legislação brasileira prevê pena de dois a cinco anos de reclusão, além de multa, para o crime de injúria racial. Desde 2023, a conduta está expressamente prevista na Lei do Racismo, que trata de crimes relacionados à discriminação racial.
A investigação deverá esclarecer as circunstâncias do episódio e reunir elementos para eventual responsabilização criminal. Até o momento, não há confirmação, nas informações consultadas, de prisão ou indiciamento da mulher.