Café brasileiro é vendido por R$ 2.200 o quilo e bate recorde em leilão internacional

Produzido em Carmo de Minas, lote de apenas 10 quilos foi arrematado por uma empresa japonesa por cerca de R$ 22,4 mil; grãos da variedade geisha passaram por um processo de secagem de dois meses.
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Um café produzido no sul de Minas Gerais alcançou um preço histórico em um leilão internacional. Um lote de apenas 10 quilos da variedade geisha, cultivado na Fazenda Santuário Sul, em Carmo de Minas, foi vendido por US$ 4.410, aproximadamente R$ 22,4 mil, para uma empresa japonesa. O valor equivale a cerca de R$ 2.200 por quilo e representa um novo recorde brasileiro de preço em leilões organizados pela Alliance for Coffee Excellence (ACE), entidade internacional dedicada à valorização de cafés especiais. O lote pertence ao cafeicultor Luiz Paulo Dias Pereira Filho, que também é CEO da Carmo Coffees. O resultado foi alcançado durante um leilão realizado em Tóquio, no Japão, e reforça o reconhecimento internacional da produção brasileira de cafés de alta qualidade.
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Café de Minas Gerais supera recorde brasileiro em leilão

A venda foi realizada durante um evento da Specialty Coffee Association of Japan (SCAJ), em Tóquio, que reuniu compradores interessados em cafés de origem e qualidade diferenciadas. A empresa japonesa Snow Beans arrematou o lote produzido por Luiz Paulo Dias Pereira Filho, estabelecendo um novo patamar de valorização para um café brasileiro nesse tipo de leilão. O recorde anterior havia sido registrado em 2018, quando um café nacional alcançou US$ 143 por libra, unidade de peso utilizada nas negociações internacionais. Mesmo com a marca brasileira, o lote de Minas Gerais ficou na quarta posição entre os cafés mais caros do leilão. Os três primeiros lugares foram ocupados por dois lotes de Honduras e um da Nicarágua.

O que torna esse café tão valioso?

O café vendido no Japão pertence à variedade geisha, conhecida internacionalmente pelo potencial de produzir bebidas com aromas complexos e características sensoriais diferenciadas. O lote brasileiro apresentou notas doces, cítricas e de mamão papaia, características valorizadas nas avaliações de cafés especiais. Além da seleção dos grãos, a produção passou por um processo de secagem natural que durou aproximadamente dois meses. Esse cuidado faz parte do trabalho desenvolvido para preservar e aprimorar as características do café. Diferentemente dos cafés comercializados em grandes volumes, os microlotes especiais são produzidos em quantidades limitadas e avaliados individualmente, o que pode elevar seu valor em competições e leilões internacionais.

Quem é o produtor brasileiro que bateu o recorde?

Luiz Paulo Dias Pereira Filho é cafeicultor em Carmo de Minas, município localizado no sul de Minas Gerais, uma das regiões tradicionais da produção brasileira de cafés especiais. O produtor está à frente da Fazenda Santuário Sul e também atua como CEO da Carmo Coffees, empresa ligada à produção e comercialização de cafés de qualidade diferenciada. Ao longo da carreira, Luiz Paulo acumulou mais de 20 vitórias no Cup of Excellence, concurso internacional que reconhece cafés de excelência produzidos em diferentes países. Com o histórico de premiações, passou a integrar o grupo Legends of Excellence, que reúne produtores reconhecidos por sua contribuição à cafeicultura de qualidade.

Leilão arrecadou recursos para projetos sociais

O evento realizado no Japão arrecadou aproximadamente US$ 40 mil com a comercialização dos cafés participantes. Segundo a organização, os recursos serão destinados a projetos sociais e iniciativas de educação relacionadas à cadeia produtiva do café. Outro representante brasileiro também participou da disputa. Um lote do Café Orfeu foi vendido por US$ 151 por libra, demonstrando a presença de diferentes produtores nacionais no mercado internacional de cafés especiais.

Cafés especiais ampliam reconhecimento do agro brasileiro

O resultado do leilão reforça a valorização de produtos brasileiros que se destacam não apenas pelo volume de produção, mas também pela qualidade e pela origem dos grãos. O Brasil é o maior produtor mundial de café e possui regiões reconhecidas internacionalmente pela diversidade de variedades, métodos de cultivo e características sensoriais. O preço alcançado pelo lote de Carmo de Minas, porém, é excepcional e não representa o valor médio pago ao cafeicultor brasileiro. Trata-se de uma negociação de apenas 10 quilos, em um mercado especializado que reúne compradores dispostos a pagar valores elevados por produtos raros. A conquista evidencia como investimentos em qualidade, seleção e processamento podem ampliar o reconhecimento da cafeicultura brasileira no exterior.
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