A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) anunciou nesta quinta-feira (22) que escalou o ex-procurador da República Deltan Dallagnol (Novo-PR) para analisar documentos relacionados à abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A medida ocorre a três dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25).
Segundo nota divulgada pela equipe de Flávio, Dallagnol ficará responsável por examinar informações financeiras de Lula e de pessoas próximas ao presidente, incluindo a primeira-dama Janja da Silva, o filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e o ex-assessor Marco Aurélio Santana Ribeiro, chamado de Marcola.
A campanha afirma que pretende identificar eventuais inconsistências nos documentos e verificar se as informações apresentadas correspondem às declarações do presidente. Apesar do anúncio, ainda não há confirmação independente de que todos os registros mencionados tenham sido efetivamente disponibilizados para análise.
Flávio escolhe Deltan Dallagnol para analisar documentos de Lula
A escolha de Deltan Dallagnol foi justificada pela campanha de Flávio Bolsonaro com base na experiência do ex-procurador em investigações financeiras, especialmente durante sua atuação na Operação Lava Jato.
Dallagnol coordenou a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba e participou de investigações relacionadas a corrupção, lavagem de dinheiro e movimentações financeiras suspeitas.
De acordo com a nota, o ex-procurador deverá examinar extratos bancários, relatórios e outros registros eventualmente disponibilizados, buscando identificar possíveis divergências nas informações.
A campanha afirma que a análise terá como objetivo verificar o conteúdo dos documentos, em vez de considerar a autorização para abertura dos sigilos como prova suficiente de transparência.
“O que importa não é o discurso, mas o que os documentos efetivamente demonstram.”
O comunicado também afirma que a equipe pretende realizar uma avaliação detalhada dos registros financeiros para questionar a versão apresentada pela campanha petista.
Até o momento, não foram divulgados resultados dessa análise nem documentos que comprovem novas irregularidades envolvendo Lula ou seus familiares.
Campanha cita Janja, Lulinha e ex-assessor do presidente
A nota divulgada pela campanha de Flávio Bolsonaro menciona, além de Lula, a primeira-dama Janja, o filho do presidente Fábio Luís Lula da Silva e o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro.
A equipe do senador sustenta que a abertura dos sigilos deve alcançar pessoas e instituições relacionadas ao presidente, incluindo registros que possam esclarecer movimentações financeiras questionadas durante a campanha eleitoral.
O comunicado também faz referência a denúncias de corrupção e a investigações anteriores envolvendo pessoas próximas ao PT.
Entretanto, a menção de familiares e assessores em investigações ou declarações políticas não comprova participação em crimes. Eventuais irregularidades precisam ser demonstradas por documentos e analisadas pelas autoridades competentes.
A campanha de Flávio não apresentou, na nota, conclusões de uma auditoria nem informou quais documentos já estariam sob responsabilidade de Dallagnol.
Disputa sobre abertura de sigilos começou no debate da Band
O anúncio ocorre depois de uma sequência de cobranças entre Lula e Flávio Bolsonaro sobre a divulgação de informações bancárias, fiscais e telefônicas.
Durante o debate presidencial da Band, realizado no domingo (18), Lula desafiou o adversário a abrir os próprios sigilos e os de familiares, propondo que ambos permitissem a divulgação de movimentações financeiras.
Na terça-feira (20), o presidente protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um documento autorizando a divulgação de seus dados e solicitando que Flávio adotasse medida equivalente.
A proposta de Lula inclui informações referentes aos últimos oito anos e abrange familiares e empresas relacionadas aos candidatos.
Flávio respondeu apresentando uma série de condições para aceitar o desafio. Entre as exigências estão a abertura de informações relacionadas ao Instituto Lula, ao ex-assessor Marcola e aos cartões corporativos da Presidência e da primeira-dama.
Na quarta-feira (21), a campanha de Lula informou que aceita discutir as condições apresentadas pelo adversário, desde que a divulgação seja recíproca.
A apresentação das autorizações, entretanto, não significa que os sigilos tenham sido automaticamente quebrados ou que todas as informações estejam disponíveis para consulta pública.
Quem é Deltan Dallagnol?
Deltan Dallagnol ganhou projeção nacional durante sua atuação como procurador da República e coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, responsável por investigar esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro.
Em 2022, foi eleito deputado federal pelo Paraná, com aproximadamente 345 mil votos. No ano seguinte, teve o registro de candidatura cassado por decisão unânime do Tribunal Superior Eleitoral.
O TSE considerou que Dallagnol havia deixado o Ministério Público em circunstâncias que configuravam violação à Lei da Ficha Limpa. O ex-procurador contestou a decisão.
Nas eleições de 2026, Dallagnol voltou à disputa eleitoral e foi eleito senador pelo Paraná, pelo partido Novo.
Agora, integra a estratégia da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro para examinar os documentos relacionados à abertura de sigilos proposta por Lula.
Próximos passos
A campanha de Flávio Bolsonaro deverá aguardar a disponibilização dos documentos para que Dallagnol possa realizar a análise anunciada.
Ainda não há prazo informado para a conclusão do trabalho nem confirmação sobre quais informações estarão efetivamente acessíveis ao ex-procurador.
A divulgação de dados bancários, fiscais e telefônicos depende de autorizações válidas e dos procedimentos legais aplicáveis, especialmente quando envolve familiares, assessores e terceiros.
O tema também poderá voltar ao centro do debate presidencial da TV Globo, previsto para sexta-feira (23), dois dias antes da votação.
Por enquanto, o anúncio representa uma decisão da campanha de Flávio sobre quem ficará responsável pela avaliação dos documentos. Não há conclusão de auditoria divulgada que comprove irregularidades financeiras por parte de Lula ou das demais pessoas citadas.