A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) apresentou uma nova Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), acusando o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de utilizar a estrutura digital do Gov.br para o envio de mensagens com suposta finalidade eleitoral. A representação pede a suspensão dos disparos, a cassação do registro ou diploma da chapa presidencial e a inelegibilidade dos envolvidos por oito anos.
Segundo a equipe jurídica do senador, milhões de mensagens teriam sido enviadas de maneira direcionada e personalizada pelo WhatsApp, utilizando uma conta oficial identificada como Gov.br. A campanha sustenta que os comunicados divulgavam programas e ações do governo durante o período de restrições eleitorais, com o objetivo de favorecer a candidatura de Lula à reeleição.
A denúncia também aponta possível utilização indevida de informações pessoais de beneficiários de programas públicos, incluindo CPFs e números de telefone. As alegações foram apresentadas pela campanha de Flávio Bolsonaro e ainda precisam ser examinadas pela Justiça Eleitoral. O material divulgado não comprova, por si só, que os dados tenham sido utilizados ilegalmente ou que os envios tenham configurado propaganda eleitoral irregular.
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Na ação, os advogados de Flávio Bolsonaro argumentam que a estrutura de comunicação digital do governo federal teria sido utilizada para alcançar eleitores com mensagens institucionais durante a campanha presidencial.
De acordo com a representação, os disparos ocorreram por meio do WhatsApp, utilizando a identificação oficial do Gov.br, plataforma que reúne serviços públicos digitais oferecidos à população.
A equipe jurídica sustenta que o uso desses canais para divulgar realizações governamentais durante o período eleitoral poderia caracterizar abuso de poder político e utilização indevida da máquina pública.
A existência de mensagens institucionais, entretanto, não significa automaticamente que houve irregularidade eleitoral. A análise depende de fatores como conteúdo, finalidade, período de envio, autorização legal e eventual benefício à candidatura.

Trecho da ação apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro ao TSE, que acusa o governo Lula de suposto uso eleitoral da máquina pública.
Mensagem do INSS é citada na denúncia
Um dos exemplos apresentados pela campanha envolve uma mensagem atribuída ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), relacionada à comprovação de vida de aposentados e pensionistas.
O comunicado citado na representação apresenta o seguinte texto:
“Vote nas eleições 2026 e tenha sua comprovação de vida atualizada automaticamente”.
Para os advogados de Flávio Bolsonaro, a mensagem representa uma tentativa de associar um procedimento administrativo à participação dos beneficiários nas eleições.
A defesa argumenta que o envio poderia influenciar eleitores por meio de um canal oficial do governo.
A mensagem, porém, não contém, no trecho divulgado, pedido explícito de voto em Lula. A eventual caracterização de propaganda eleitoral irregular dependerá da análise de seu contexto, das circunstâncias do envio e das demais provas apresentadas ao TSE.
Campanha aponta suposta operação chamada “Serviço na Ponta”
A representação também menciona uma iniciativa que, segundo os advogados, teria sido identificada internamente como “Serviço na Ponta”.
De acordo com o relatório apresentado pela campanha, a operação envolveria diferentes órgãos do governo federal, com coordenação atribuída à Casa Civil e participação da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom).
O documento também cita o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) e a Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev).
A acusação sustenta que essas estruturas teriam sido utilizadas para organizar e distribuir mensagens personalizadas à população.
Os advogados afirmam ainda que teria ocorrido cruzamento de CPFs e telefones sem autorização ou finalidade legal adequada.
Até o momento, essas afirmações constituem alegações da representação eleitoral. A eventual participação dos órgãos citados e a legalidade do tratamento de dados precisam ser verificadas no processo.
Flávio Bolsonaro pede suspensão das mensagens e cassação da chapa
Na ação dirigida à Corregedoria-Geral da Justiça Eleitoral, a campanha solicita a interrupção imediata dos disparos realizados por canais digitais oficiais, incluindo WhatsApp e ferramentas automatizadas de atendimento.
Os advogados também pedem a aplicação de sanções eleitorais caso as irregularidades sejam reconhecidas.
Entre as medidas solicitadas estão a declaração de inelegibilidade por oito anos dos responsáveis e a cassação do registro ou diploma da chapa encabeçada por Lula.
A campanha afirma que esta é a oitava iniciativa judicial apresentada contra supostas práticas de utilização da estrutura estatal em benefício da candidatura governista.
Em trecho da petição divulgado pela equipe jurídica, os advogados classificam os fatos como um caso de uso indevido da máquina pública e afirmam que o Estado teria sido transformado em instrumento de propaganda eleitoral.
As declarações representam a posição da campanha de Flávio Bolsonaro e não uma conclusão da Justiça Eleitoral.
O que é uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral?
A Ação de Investigação Judicial Eleitoral é um instrumento previsto na legislação brasileira para apurar possíveis práticas de abuso de poder econômico, político ou de autoridade durante o processo eleitoral.
A investigação pode resultar em sanções quando a Justiça Eleitoral reconhece a existência de irregularidades com gravidade suficiente para comprometer a legitimidade e a normalidade das eleições.
Entre as consequências previstas na legislação estão a inelegibilidade dos responsáveis e, conforme o caso, a cassação do registro ou diploma de candidatos beneficiados.
A apresentação de uma AIJE, no entanto, não representa condenação nem confirma a ocorrência dos fatos denunciados.
Cabe à Justiça Eleitoral analisar as provas, ouvir as partes envolvidas e decidir sobre a procedência dos pedidos.
Uso de dados pessoais e comunicação oficial estão no centro da discussão
A denúncia envolve duas questões distintas: a utilização de canais institucionais para comunicação com cidadãos e o eventual tratamento irregular de dados pessoais.
O governo federal pode utilizar plataformas digitais para prestar informações sobre serviços públicos e orientar beneficiários de programas sociais, desde que respeite a legislação aplicável.
Durante o período eleitoral, entretanto, existem restrições específicas à publicidade institucional, previstas na Lei das Eleições, além de regras destinadas a impedir o uso da estrutura administrativa para favorecer candidaturas.
O tratamento de dados pessoais por órgãos públicos também deve observar as exigências da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), incluindo finalidade, necessidade e base legal adequada.
A existência de comunicação oficial direcionada a cidadãos não caracteriza, isoladamente, violação dessas normas.
Para avaliar a denúncia, será necessário verificar o conteúdo das mensagens, a origem dos dados utilizados, os critérios de seleção dos destinatários e a finalidade efetiva dos envios.
O que acontece agora no TSE?
Com a apresentação da ação, caberá à Justiça Eleitoral avaliar os pedidos formulados pela campanha de Flávio Bolsonaro e determinar os encaminhamentos processuais cabíveis.
A representação foi dirigida ao corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva.
Entre os pontos que poderão ser examinados estão a existência dos disparos, o volume de mensagens, a eventual utilização de dados pessoais e a possível relação entre os comunicados oficiais e a campanha presidencial.
Os órgãos e pessoas citados deverão ter oportunidade de apresentar suas manifestações conforme o andamento do processo.
Até que haja decisão judicial, as acusações permanecem em apuração, sem reconhecimento definitivo de irregularidade eleitoral.