Menina indígena de 8 anos é atacada por onça ao buscar água e luta pela vida no Pará

Criança sofreu ferimentos graves na cabeça após ser surpreendida pelo animal em um igarapé na Terra Indígena Munduruku; tio relata momentos de desespero e resgate por barco e avião.
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Uma menina indígena de oito anos permanece internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional do Tapajós, em Itaituba, no sudoeste do Pará, após ser atacada por uma onça. O caso aconteceu no sábado (17), na aldeia Cajual, localizada na Terra Indígena Munduruku, no município de Jacareacanga.

A criança estava acompanhada dos avós em uma área de roça quando se afastou por alguns metros para beber água em um igarapé. Nesse momento, foi surpreendida pelo animal e sofreu ferimentos graves na cabeça. Os familiares ouviram os gritos e correram para socorrê-la, mas a encontraram inconsciente.

O estado de saúde foi relatado pelo tio da menina, Ivair Datie Munduruku, em entrevista ao g1 na terça-feira (20). Segundo ele, a situação ainda era crítica, embora os médicos tenham indicado a possibilidade de recuperação. O ataque provocou comoção entre os moradores da comunidade indígena.

LEIA TAMBÉM

Filhote de onça-parda ferido é encontrado e resgatado em chácara de MT

Menina foi atacada por onça quando tentava beber água

De acordo com o relato de Ivair Datie Munduruku, a menina acompanhava os avós em uma roça da aldeia Cajual quando decidiu ir até um igarapé próximo para beber água.

O animal avançou enquanto ela estava afastada dos familiares.

Os avós ouviram os gritos e foram imediatamente até o local, mas encontraram a criança desacordada.

Os ferimentos se concentraram na região da cabeça, exigindo atendimento médico urgente e uma operação de resgate em uma área de difícil acesso.

Ao relembrar o episódio, o tio descreveu o desespero vivido pela família.

“O que aconteceu foi muito assustador.”

Criança permanece na UTI em estado grave

Após o ataque, a menina foi encaminhada ao Hospital Regional do Tapajós, em Itaituba, onde permanece internada na Unidade de Terapia Intensiva.

Segundo o tio, o quadro clínico ainda era considerado grave na terça-feira (20).

“Está um pouco crítico o estado de saúde dela. […] Os médicos disseram que ela pode voltar a viver (se recuperar), mas vamos esperar o tempo de recuperação dela.”

A Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) informou que não divulgaria detalhes sobre o atendimento da paciente.

Até a atualização da reportagem de origem, não havia informações adicionais sobre procedimentos médicos realizados ou previsão de alta.

Resgate mobilizou barco e avião em região de difícil acesso

A retirada da criança da Terra Indígena Munduruku exigiu uma operação de transporte fluvial e aéreo.

Segundo a família, a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), vinculada ao Ministério da Saúde, enviou um profissional de saúde em uma voadeira, embarcação rápida utilizada nos rios da região.

O barco chegou à aldeia aproximadamente 30 minutos após o ataque.

O avô da menina, que também atua como agente comunitário indígena de saúde, participou dos primeiros atendimentos.

Depois disso, a criança foi transportada por cerca de uma hora e meia de voadeira até um ponto onde uma aeronave monomotor enviada pela Sesai poderia realizar a próxima etapa do resgate.

O voo até Itaituba durou aproximadamente duas horas e 20 minutos.

Ao chegar à cidade, a menina foi levada ao Hospital Regional do Tapajós para receber atendimento especializado.

hospital tapajós
Hospital Tapajós

Família acompanha internação e comunidade Munduruku se mobiliza

Os pais da criança estão no hospital acompanhando a evolução do quadro clínico.

Segundo Ivair, eles não falam português, o que torna ainda mais importante o apoio de familiares durante o atendimento e a comunicação com as equipes médicas.

O ataque também causou forte comoção entre os moradores da Terra Indígena Munduruku.

“Todo mundo ficou triste, todos os Munduruku ficaram tristes ouvindo o que tinha acontecido. Inclusive, a notícia se espalhou rápido nas redes sociais.”

A comunidade acompanha a recuperação da menina desde que a notícia do ataque começou a circular.

O que aconteceu com a onça após o ataque?

De acordo com o relato divulgado pela família, o animal foi capturado e sacrificado pelos moradores da aldeia após o ataque.

O tio afirmou que a decisão ocorreu de acordo com as tradições da comunidade Munduruku.

A reportagem de origem não informou a espécie exata da onça envolvida no episódio nem apresentou detalhes sobre eventual avaliação de órgãos ambientais.

Atendimento em comunidades isoladas exige deslocamentos complexos

O caso ocorreu em uma região da Amazônia onde o acesso a serviços hospitalares especializados depende, em determinadas localidades, de transporte por rios e aeronaves.

Na ocorrência registrada na aldeia Cajual, o deslocamento envolveu uma embarcação rápida, um avião monomotor e o encaminhamento final a uma unidade hospitalar em Itaituba.

A operação demonstra a importância da articulação entre profissionais de saúde indígena e serviços hospitalares no atendimento a emergências em comunidades distantes dos centros urbanos.

A menina permanece sob cuidados médicos intensivos, enquanto familiares e moradores da comunidade aguardam novas informações sobre sua recuperação.

Carregar Comentários