Os Correios contrataram o escritório de advocacia Pinheiro Neto por R$ 7,097 milhões para prestar assessoria jurídica durante a reestruturação da estatal. O acordo, firmado em outubro de 2026, inclui a análise de parcerias, ativos e mudanças estruturais na companhia, que enfrenta dificuldades financeiras. Entre as possibilidades discutidas no processo está a transformação dos Correios em uma sociedade de economia mista, modelo que permite a participação de investidores privados.
Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo nesta sexta-feira (23), o contrato prevê 17 itens de serviços jurídicos e foi firmado por contratação direta, sem procedimento competitivo de licitação. O trabalho deverá oferecer suporte à estruturação, revisão e avaliação de instrumentos relacionados ao plano de recuperação da empresa.
A contratação ocorre em um momento de discussão sobre o futuro dos Correios.

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O contrato com o Pinheiro Neto foi firmado para oferecer suporte jurídico a medidas relacionadas à recuperação financeira e à reorganização da estatal.
De acordo com o documento citado pela reportagem de O Globo, os serviços estão divididos em 17 itens e abrangem a análise de instrumentos jurídicos relacionados a parcerias, ativos e outras medidas estruturais.
A contratação de assessoria especializada pode auxiliar na avaliação de diferentes alternativas societárias e contratuais, especialmente quando envolvem mudanças na estrutura de uma empresa pública.
O valor informado para o acordo é de R$ 7,097 milhões.
A reportagem consultada não detalha o prazo de execução, os critérios utilizados para definir o preço nem os dispositivos legais específicos que fundamentaram a contratação direta.
A ausência de licitação competitiva, por si só, não significa irregularidade.

Correios podem deixar de ser uma empresa totalmente pública?
Uma das possibilidades estudadas no processo de reestruturação é a transformação dos Correios em sociedade de economia mista.
Atualmente, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos é uma empresa pública federal, com capital integralmente pertencente à União.
Em uma sociedade de economia mista, o poder público mantém o controle acionário, mas pode haver participação de investidores privados no capital da companhia.
Petrobras e Banco do Brasil são exemplos de empresas que operam nesse modelo.
A eventual mudança nos Correios não significaria, necessariamente, a transferência do controle da empresa para o setor privado.
Também não há confirmação de que essa transformação será adotada.
O estudo de alternativas societárias faz parte de uma discussão mais ampla sobre como financiar a recuperação da estatal e ampliar sua capacidade de investimento.

Crise financeira levou estatal a discutir parcerias privadas
Os Correios enfrentam dificuldades financeiras que motivaram a elaboração de um plano de reestruturação.
Entre as medidas anunciadas anteriormente pela direção da empresa estão a revisão de despesas, a venda de imóveis, o fechamento de unidades próprias e a busca por novas fontes de financiamento.
O plano também prevê um programa de desligamento voluntário de trabalhadores e mudanças na estrutura administrativa.
Em dezembro de 2025, a estatal anunciou a contratação de um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a um grupo de instituições financeiras, como parte dos esforços para reforçar o caixa.
Na ocasião, a direção informou que ainda buscava recursos adicionais para atender às necessidades financeiras previstas para 2026.
A possibilidade de parcerias com empresas privadas também passou a integrar as discussões sobre modernização das operações.
Governo já havia admitido discutir parcerias para os Correios
Em setembro, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo federal discutia parcerias com a iniciativa privada para enfrentar os problemas financeiros e operacionais dos Correios.
Segundo o ministro, a empresa precisava avançar na modernização de suas atividades para acompanhar as mudanças no setor de logística e entregas.
A discussão envolve alternativas para ampliar investimentos, melhorar a eficiência operacional e reorganizar as fontes de receita.
Isso não significa que exista uma decisão definitiva sobre a entrada de investidores privados no capital da estatal.
O formato de eventuais parcerias, assim como a necessidade de mudanças legais ou societárias, dependerá das propostas efetivamente apresentadas e das decisões dos órgãos competentes.
O que mudaria com uma sociedade de economia mista?
Caso a transformação seja escolhida e implementada, os Correios passariam a operar com uma estrutura de capital diferente da atual.
O governo federal poderia manter o controle da companhia enquanto investidores privados participariam de seu capital.
Uma mudança desse tipo poderia criar novas possibilidades de captação de recursos, mas também exigiria a definição de regras de governança, responsabilidades e mecanismos de fiscalização.
A manutenção das obrigações de atendimento postal em todo o território nacional também precisaria ser considerada em qualquer proposta de reorganização.
Não há, até o momento, confirmação de alterações nos serviços prestados à população em decorrência do contrato com o escritório de advocacia.
Transformação dos Correios ainda depende de decisões
A contratação do Pinheiro Neto representa uma etapa de assessoria jurídica dentro do processo de reestruturação.
O acordo não equivale à aprovação de uma mudança societária, tampouco confirma uma privatização.
As próximas definições dependerão da análise das alternativas disponíveis, da viabilidade jurídica e financeira de cada proposta e das decisões tomadas pela direção da estatal e pelo governo federal.
Por enquanto, o dado confirmado é a contratação de serviços jurídicos por R$ 7,097 milhões para apoiar o processo de reorganização dos Correios.