Artistas que declararam apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao senador Flávio Bolsonaro (PL) durante as eleições de 2026 não compareceram às urnas no primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Entre os nomes estão Anitta, Fábio Porchat, Bruno Gagliasso e Marrone, da dupla Bruno e Marrone. O levantamento também identificou celebridades que aparecem com o título de eleitor cancelado.
As informações foram divulgadas pelo Poder360 nesta quinta-feira (22), após consultas à situação eleitoral de personalidades que se manifestaram publicamente durante a campanha presidencial. A apuração identificou situações diferentes: alguns artistas apresentaram justificativas de ausência aceitas pela Justiça Eleitoral, enquanto outros aparecem com o documento cancelado.
O levantamento foi divulgado a três dias do segundo turno, marcado para domingo (25), quando Lula e Flávio Bolsonaro disputarão a Presidência da República. A ausência de um eleitor no primeiro turno, porém, não significa necessariamente irregularidade, já que a legislação brasileira permite justificar o não comparecimento.
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Anitta, Porchat e Bruno Gagliasso justificaram ausência no primeiro turno
Entre os artistas que não compareceram às urnas no dia 4 de outubro está a cantora Anitta, que declarou apoio à reeleição de Lula.
Segundo a consulta divulgada pelo Poder360, a artista apresentou uma justificativa de ausência, posteriormente aceita pela Justiça Eleitoral.

Anitta tem participado do debate político durante a campanha presidencial e publicou, em 9 de outubro, um vídeo no Instagram para explicar sua preferência pelo candidato do PT.
Na gravação, a cantora afirmou que havia subestimado a força eleitoral do bolsonarismo e reconheceu que esperava um resultado diferente no primeiro turno.
“Eu confesso que esse ano eu fui bem ingênua, eu tava convencida de que o Lula ia ganhar no 1º turno”.
A manifestação ocorreu depois da votação de 4 de outubro e foi direcionada à disputa do segundo turno.
Apesar de ter declarado apoio ao presidente, Anitta não participou da votação presencial no primeiro turno. Sua ausência, entretanto, foi justificada e aceita pela Justiça Eleitoral.
Fábio Porchat também não compareceu às urnas
O humorista e apresentador Fábio Porchat também está entre os artistas que tiveram a justificativa de ausência deferida pela Justiça Eleitoral.
Porchat participou de conteúdos relacionados ao cenário político durante a campanha, incluindo a série de reportagens Revelando, produzida pelo podcast Calma Urgente em parceria com o ICL Notícias, a Mídia Ninja e o movimento 342 Artes.

Um dos episódios apresentados pelo humorista abordou relações entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, empresário ligado ao Banco Master.
O conteúdo chegou a ser retirado de circulação pela Meta, empresa responsável pelo Instagram e pelo Facebook.
A participação de Porchat em conteúdos políticos não altera sua situação eleitoral: conforme o levantamento, a ausência no primeiro turno foi formalmente justificada e aceita.
Bruno Gagliasso apoiou Lula, mas justificou ausência
Outro nome citado no levantamento é o ator Bruno Gagliasso.
Assim como Anitta e Fábio Porchat, ele não compareceu às urnas no primeiro turno e teve a justificativa de ausência aceita pela Justiça Eleitoral.

Durante a campanha do segundo turno, Gagliasso participou de uma mobilização de artistas em apoio a Lula.
O ator publicou uma fotografia fazendo a letra L com as mãos e vestindo uma camiseta verde e amarela, em referência às cores da bandeira brasileira.
A imagem integrou uma campanha articulada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), por meio de um grupo de mobilização política no WhatsApp.
A iniciativa reuniu personalidades que decidiram manifestar publicamente sua preferência eleitoral na reta final da disputa presidencial.
Luana Piovani, Matuê e Cellbit aparecem com títulos cancelados
Além das justificativas aceitas, a reportagem identificou artistas que aparecem com o título de eleitor cancelado.
Entre eles está a atriz Luana Piovani, que costuma comentar questões políticas e sociais em suas redes sociais.
Piovani também participou da série Revelando, apresentando um episódio relacionado à Proposta de Emenda à Constituição conhecida como PEC das Praias, que teve Flávio Bolsonaro como relator no Senado.

A atriz já declarou posições políticas alinhadas à esquerda, mas, segundo a consulta divulgada, aparece com o título eleitoral cancelado.
O levantamento também identificou a mesma situação em relação ao rapper Matuê e ao criador de conteúdo Cellbit, ambos apontados como apoiadores de Lula.
É importante destacar que a existência de um título cancelado não permite concluir, isoladamente, qual foi o motivo do cancelamento.
A Justiça Eleitoral prevê diferentes situações que podem levar à suspensão da regularidade do documento.
Uma das possibilidades é a ausência em três eleições consecutivas sem justificativa e sem o pagamento das multas correspondentes.
Para essa contagem, cada turno é considerado uma eleição.
No entanto, o levantamento não estabelece individualmente a razão do cancelamento do título de cada celebridade citada.
Marrone apoiou Flávio Bolsonaro e aparece com título cancelado
Do lado dos artistas que manifestaram apoio a Flávio Bolsonaro, o levantamento destacou o cantor Marrone, da dupla sertaneja Bruno e Marrone.
O músico participou, na quarta-feira (21), de um encontro com representantes da música sertaneja favoráveis à candidatura do senador do PL.
A reunião reuniu mais de 30 artistas e ocorreu durante a reta final da campanha presidencial.
Entre os participantes estavam Gusttavo Lima, Zezé Di Camargo, Murilo Huff, Felipe Araújo e outros nomes do sertanejo.
Segundo a consulta divulgada pelo Poder360, Marrone não votou no primeiro turno e aparece com o título de eleitor cancelado.
Assim como nos demais casos, a situação do documento deve ser diferenciada do posicionamento político manifestado pelo artista.
Declarar apoio a um candidato não significa, necessariamente, que a pessoa tenha participado da votação.
Qual a diferença entre justificar ausência e ter o título cancelado?
A legislação eleitoral brasileira estabelece o voto obrigatório para cidadãos alfabetizados com idade entre 18 e 70 anos.
O voto é facultativo para pessoas de 16 e 17 anos, maiores de 70 anos e analfabetos.
Quando um eleitor obrigado a votar não comparece à seção eleitoral, ele pode apresentar uma justificativa à Justiça Eleitoral.
Caso a justificativa seja aceita, a ausência fica regularizada em relação àquela votação.
Por outro lado, o cancelamento do título eleitoral pode ocorrer quando o eleitor deixa de votar, não justifica as ausências e não paga as multas correspondentes em três eleições consecutivas.
O cancelamento também pode decorrer de outras situações previstas na legislação.
Quem está com o título cancelado precisa regularizar a situação para voltar a exercer o direito de voto.
A ausência em um turno não impede automaticamente a participação no seguinte, desde que o eleitor esteja com sua inscrição eleitoral regular.
Por isso, a situação de artistas que tiveram justificativas deferidas é diferente daquela dos que aparecem com o título cancelado.
Apoio de celebridades ganha espaço na reta final da campanha
A participação de artistas na disputa presidencial de 2026 ganhou destaque nas últimas semanas, principalmente por meio de vídeos, fotografias e manifestações públicas nas redes sociais.
Lula recebeu declarações de apoio de personalidades como Anitta, Chico Buarque, Caetano Veloso, Fátima Bernardes, Taís Araújo e Lázaro Ramos.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, contou com manifestações favoráveis de artistas como Amado Batista, Gusttavo Lima, Zezé Di Camargo e Marrone.
As campanhas também organizaram encontros com representantes do setor cultural e mobilizações digitais para ampliar a divulgação de seus posicionamentos.
Entretanto, o apoio público de uma celebridade não significa que seus seguidores necessariamente votarão no mesmo candidato.
Da mesma forma, a ausência de um artista nas urnas não permite concluir que ele tenha deixado de apoiar politicamente determinada candidatura.
O levantamento divulgado nesta semana evidencia justamente essa diferença entre manifestação pública de preferência política e participação efetiva na votação.
Segundo turno será realizado no domingo (25)
O segundo turno das eleições presidenciais de 2026 está marcado para domingo, 25 de outubro.
Os eleitores escolherão entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, e o senador Flávio Bolsonaro, candidato pelo PL.
A votação será realizada das 8h às 17h, pelo horário de Brasília.
Eleitores que não votaram no primeiro turno poderão participar do segundo, desde que estejam com a inscrição eleitoral regular.
Já aqueles que aparecem com o título cancelado precisam verificar sua situação junto à Justiça Eleitoral.
A regularidade do documento pode ser consultada pelos canais oficiais do Tribunal Superior Eleitoral.
Até domingo, artistas e influenciadores ainda poderão participar de manifestações políticas, mas o resultado da eleição será definido pelos votos registrados nas urnas e apurados oficialmente.