O senador Camilo Santana (PT-CE), integrante da coordenação da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acusou nesta sexta-feira (23) o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de não cumprir o acordo para abertura de sigilos bancário, fiscal e telefônico dos dois candidatos. Em coletiva no QG da campanha petista, em Brasília, Camilo afirmou que Lula apresentou documentos sobre cartões corporativos da Presidência, agendas e voos da Força Aérea Brasileira (FAB), além de autorizações para a divulgação de informações.
“Quem não apresentou absolutamente nada foram eles”, declarou o senador, que afirmou que a campanha de Flávio protocolou uma petição e procurações, mas não os documentos que os petistas esperavam receber. O impasse ocorre a dois dias do segundo turno, marcado para domingo (25).
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Camilo diz que Lula apresentou documentos ao TSE
Segundo o senador, a campanha petista protocolou na quinta-feira (22) os documentos que estavam disponíveis diretamente à Presidência da República, incluindo informações sobre cartões corporativos, a agenda presidencial, a agenda da primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, e os voos da FAB.
“Nós estivemos lá no TSE, levando toda a documentação, inclusive o cartão corporativo, já se encontra no Tribunal Superior Eleitoral, a agenda do presidente da República, que eles cobraram, da Alvorada, os voos da FAB, a agenda da primeira-dama, tudo aquilo que foi possível disponibilizar de forma imediata, nós protocolamos ontem”, afirmou.
Camilo também disse que foram entregues autorizações para a abertura de sigilos. Ele, no entanto, reconheceu que o procedimento envolve etapas posteriores: a apresentação de procurações não significa que todos os dados bancários, fiscais e telefônicos já tenham sido obtidos ou divulgados.
A campanha petista afirma que Flávio perdeu o prazo estabelecido para a entrega da documentação, que terminaria às 23h59 de quinta-feira. De acordo com Camilo, os documentos do adversário só foram protocolados às 0h17 desta sexta-feira.
O senador também questionou o conteúdo das procurações apresentadas pela equipe do PL. Segundo ele, os documentos autorizam a divulgação de informações obtidas a partir de decisão judicial, em vez de permitir, na interpretação petista, uma abertura espontânea dos dados.
“Ou seja, não é espontâneo, é só se o Tribunal Superior Eleitoral exigir que eles abram”, afirmou.
Impasse envolve decisão de André Mendonça e empresa ligada a advogado
A disputa sobre os sigilos chegou ao ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na quinta-feira, o ministro considerou desnecessária a intervenção judicial para que os candidatos divulguem voluntariamente os próprios dados. A decisão levou a campanha de Lula a pedir que ele reconsiderasse o entendimento.
Camilo afirmou que, se o ministro mantiver a posição, o PT pretende recorrer ao plenário do tribunal. Para o senador, a participação de um árbitro seria necessária para assegurar que as informações fossem verificadas e divulgadas de forma simultânea, sem seleção de documentos por parte das campanhas.
“Queremos que o ministro André Mendonça seja o árbitro desse processo. E, se ele não quiser, nós vamos recorrer ao pleno”, declarou.
Outro ponto de atrito é a inclusão da Alcazar Holdings, empresa sediada na Madeira, em Portugal, ligada ao advogado Willer Tomaz. A campanha petista insistiu que as informações relacionadas à empresa fossem abrangidas pelo acordo, enquanto o tema gerou resistência durante as negociações. Camilo acusou Flávio de não esclarecer a relação com Tomaz.
Camila Jara critica atuação de Flávio como advogado
Durante a coletiva, a deputada federal Camila Jara (PT-MS) criticou Flávio por atuar na defesa de um policial acusado de matar Ana Clara, de cinco anos. Ela também questionou o posicionamento do senador no caso e cobrou explicações sobre políticas de combate à violência contra a mulher.
“Um senador que votou contra a licença-maternidade de mulheres, agora revitimiza uma mulher para conseguir intimidar qualquer outro agressor”, afirmou.
Camilo, por sua vez, anunciou que apresentou o projeto de lei que chamou de “Lei Ana Clara”, para alterar o Estatuto da Advocacia e restringir a atuação de parlamentares como advogados em determinados casos de crimes contra a vida. Segundo ele, a proposta foi protocolada em 21 de outubro, data em que estava previsto o julgamento do policial, posteriormente adiado para maio de 2027.
Sidônio defende debate centrado em propostas
O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, afirmou que Lula pretende concentrar o debate presidencial desta sexta-feira em propostas e nos problemas enfrentados pela população, em vez de responder a provocações do adversário.
“O presidente Lula quer falar de propostas. Ele quer falar de futuro do nosso país”, declarou.
Camilo também criticou a postura de Flávio no debate anterior, realizado pela Band, e afirmou esperar que o novo encontro fosse dedicado à discussão de propostas. A coletiva marcou a última conversa do senador com a imprensa antes do segundo turno.