FECLAM vira vitrine de alianças e antecipa o jogo de 2026 no Amazonas

Evento da Aleam expõe articulações, unifica resistência à PEC de Amon Mandel e reforça protagonismo político do interior no cenário pré-eleitoral
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Para fechar a semana, o Feclam deixou de ser apenas um encontro técnico e virou um retrato bastante claro do momento político no Amazonas. O evento, organizado pela Assembleia Legislativa com foco na capacitação das câmaras municipais, acabou funcionando como um verdadeiro termômetro eleitoral. E o sinal que veio dali foi direto, tanto pelo que se viu quanto pelo que não apareceu.

A presença tímida de vereadores de Manaus não foi coincidência. A maioria está alinhada ao grupo político do prefeito David Almeida e de Renato Júnior. Em um ambiente onde adversários dividiam o mesmo palco, marcar presença em peso poderia gerar ruído político. Nos bastidores, a palavra de ordem foi cautela.

Enquanto isso, o interior fez o movimento oposto. Compareceu, ocupou espaço e deixou evidente onde está o foco real da disputa. É no interior que se constrói base política, principalmente para quem está de olho no Senado e no Governo do Estado.

O palco do evento chamou atenção por outro motivo. Pela primeira vez, nomes que devem se enfrentar diretamente nas urnas circularam no mesmo ambiente com uma convivência calculada. Omar Aziz, Eduardo Braga, Wilson Lima e Roberto Cidade estiveram lado a lado, trocaram acenos e alinharam discursos em público.

Um gesto específico chamou atenção. Omar Aziz tratou com respeito público a pré-candidata Maria do Carmo, do PL. Não foi um movimento isolado, foi um sinal claro do pragmatismo que deve marcar a eleição que vem.

Nos bastidores, a leitura é objetiva. Ninguém quer antecipar confronto agora. O momento ainda é de medir força, testar terreno e, principalmente, não fechar portas antes da hora.

Mas se teve um ponto de convergência no evento, ele apareceu com força: a rejeição à proposta que mexe nas câmaras municipais. Sem necessidade de citar diretamente, a PEC associada a Amon Mandel virou alvo comum. Omar, Braga, Wilson e Cidade seguiram a mesma linha. Defenderam a estrutura atual das câmaras e deixaram claro o incômodo com qualquer tentativa de reduzir o peso político dos vereadores.

Essa reação não tem caráter ideológico. É prática. Vereador é base eleitoral, é presença nos bairros, nas comunidades e nos municípios. Mexer nisso em ano pré-eleitoral é interferir diretamente na engrenagem da política local.

Fora do palco, o movimento se repetiu. Saullo Vianna endureceu o discurso nas redes sociais. Classificou a proposta como um enfraquecimento da representação municipal. E isso encontra resistência imediata de quem depende dessa capilaridade para manter influência, especialmente no interior.

O resultado disso começa a aparecer. A proposta vai ficando isolada politicamente. E isso coloca Amon Mandel em uma posição mais delicada, inclusive dentro do próprio ambiente parlamentar.

No fim das contas, o Feclam cumpriu um papel que foi muito além do previsto. Funcionou como um ensaio geral para 2026. Ali se testaram alianças, se calibraram discursos e, principalmente, se desenharam limites: quem pode caminhar junto, quem evita confronto agora e onde estão as resistências mais fortes.

O que era para ser institucional virou político. E o recado que ficou é simples e direto: o jogo já começou, mesmo antes do calendário oficial.

Coluna — Davidson Cavalcante 

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