Bebedouro artificial pode fazer gado ganhar até 225 gramas a mais por dia

Estudos apresentados por médico-veterinário apontam que a qualidade da água influencia o consumo de alimento e o desempenho dos bovinos; investimento exige cuidados com limpeza e abastecimento.
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A escolha entre açude e bebedouro artificial pode influenciar diretamente o ganho de peso do gado e a produtividade das fazendas. Estudos apresentados pelo médico-veterinário Fernando Loureiro apontam que bovinos com acesso à água em bebedouros artificiais registraram ganho de peso diário até 225 gramas superior ao de animais que bebiam diretamente de açudes. A diferença está relacionada principalmente à qualidade da água oferecida ao rebanho.

O resultado equivale a aproximadamente 82 quilos adicionais de peso vivo por animal ao longo de um ano, caso a diferença diária seja mantida durante 365 dias. Entretanto, o desempenho varia conforme a alimentação, a categoria dos bovinos, as condições ambientais e o manejo da propriedade. O ganho observado nas pesquisas não representa uma garantia de resultado para todos os pecuaristas.

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Por que o bebedouro artificial pode melhorar o desempenho do gado?

A principal vantagem dos bebedouros artificiais está na possibilidade de controlar a qualidade da água consumida pelos animais. Diferentemente dos açudes, onde o gado pode entrar diretamente na água, essas estruturas permitem realizar limpezas periódicas, monitorar o abastecimento e reduzir o acúmulo de sujeira.

Segundo Fernando Loureiro, a gestão da água é um fator importante para o desempenho dos bovinos. Quando o líquido está limpo e em condições adequadas, os animais tendem a consumir água com maior facilidade, o que também pode favorecer a ingestão de pastagens, suplementos e outros alimentos.

“Nos bebedouros artificiais, a gente pode exercer gestão. Eu tenho como controlar o consumo, eu tenho como controlar o pH da água, eu tenho como controlar a limpeza.”

A explicação foi apresentada pelo especialista na série Água, Fonte da Vida, dedicada à importância da hidratação na pecuária.

O médico-veterinário destacou resultados de pesquisas realizadas no Canadá e de avaliações conduzidas em instituições dos Estados Unidos e do Brasil.

Quanto peso o gado pode ganhar com água de melhor qualidade?

Nos estudos apresentados por Loureiro, animais de recria e engorda que utilizaram bebedouros artificiais registraram diferenças positivas de ganho de peso em relação aos bovinos que consumiram água diretamente de açudes.

Um dos resultados destacados foi o aumento de 225 gramas no ganho médio diário por animal.

Mantida essa diferença por 365 dias, o resultado corresponderia a aproximadamente 82,1 quilos adicionais de peso vivo.

O especialista também mencionou pesquisas com diferenças menores e outras que registraram resultados superiores, chegando a 500 ou 790 gramas diários em determinadas condições experimentais.

Esses números, porém, não devem ser interpretados como uma expectativa automática para qualquer propriedade.

A resposta dos animais depende de fatores como disponibilidade de alimento, genética, idade, condições sanitárias, temperatura ambiente e qualidade da água anteriormente consumida.

Qual é o problema da água dos açudes?

Os açudes continuam sendo uma importante fonte de abastecimento para a pecuária brasileira, especialmente em propriedades que utilizam sistemas extensivos de criação.

Entretanto, o acesso direto dos bovinos pode comprometer a qualidade da água.

Ao entrar no reservatório, os animais podem revolver a lama do fundo, espalhar matéria orgânica e introduzir fezes e urina no ambiente.

Essas condições favorecem a contaminação e podem prejudicar a qualidade da água disponível para o restante do rebanho.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) também destaca que o acesso dos animais às fontes naturais pode aumentar os riscos sanitários.

Por isso, uma das recomendações técnicas é impedir, quando possível, a entrada direta do gado nos reservatórios e distribuir a água por meio de estruturas apropriadas.

Isso não significa que toda água de açude seja inadequada. A qualidade depende das características da fonte, das condições ambientais e das práticas de manejo adotadas.

Bebedouro artificial também exige manutenção

A instalação de um bebedouro não garante, isoladamente, água de boa qualidade.

Sem limpeza regular, essas estruturas também podem acumular resíduos de pastagens, restos de ração, insetos, folhas, sedimentos e matéria orgânica.

O acúmulo desses materiais pode favorecer a proliferação de microrganismos e reduzir a qualidade da água.

Entre os cuidados recomendados estão a remoção periódica da sujeira, a observação da formação de limo, a manutenção dos encanamentos e a verificação do funcionamento das boias e dos sistemas de abastecimento.

Também é importante que os reservatórios sejam dimensionados de acordo com o número de animais e a demanda de consumo, especialmente nos períodos mais quentes do ano.

A Embrapa ressalta que os bebedouros devem oferecer água em quantidade suficiente, com condições adequadas de acesso e possibilidade de limpeza.

Investimento vale a pena para o produtor?

A implantação de bebedouros artificiais exige planejamento financeiro e operacional.

Dependendo da propriedade, pode ser necessário investir em tubulações, bombas, reservatórios, energia elétrica e estruturas para distribuir a água pelos pastos.

O custo também varia conforme a distância entre a fonte de abastecimento e os locais de consumo, o tamanho do rebanho e as características do terreno.

Por outro lado, a melhoria no fornecimento de água pode contribuir para o desempenho produtivo e para a redução de problemas associados à contaminação dos reservatórios.

A Embrapa considera os bebedouros uma alternativa importante para melhorar o controle sanitário e o uso racional da água na pecuária.

A instituição também ressalta que os custos de implantação podem dificultar a adoção do sistema em determinadas propriedades.

Por isso, a decisão deve considerar não apenas o possível ganho de peso, mas também os investimentos necessários, as despesas de manutenção e as condições atuais de abastecimento da fazenda.

Como escolher o sistema de água para o rebanho?

Antes de instalar novos bebedouros, o produtor deve avaliar a disponibilidade de água durante todo o ano, especialmente nos períodos de estiagem.

Também é necessário considerar a localização dos pastos, a distância percorrida pelos animais, a quantidade de bovinos atendidos e a capacidade de reposição da água.

Uma alternativa é utilizar açudes e outros reservatórios como fontes de captação, conduzindo a água até bebedouros instalados nas áreas de pastejo.

Dessa forma, a propriedade pode aproveitar a infraestrutura existente e reduzir o contato direto dos animais com os reservatórios naturais.

O dimensionamento correto é essencial para evitar falta de água, desperdícios e concentração excessiva de bovinos em determinados pontos da fazenda.

Água também faz parte da nutrição animal

Embora muitas vezes receba menos atenção do que a alimentação, a água é indispensável para o funcionamento do organismo dos bovinos.

Ela participa de processos como digestão, absorção de nutrientes, circulação sanguínea e regulação da temperatura corporal.

Quando o consumo de água é insuficiente, a ingestão de alimentos pode ser prejudicada, afetando o desenvolvimento e o desempenho produtivo dos animais.

Por isso, especialistas recomendam que o fornecimento de água seja tratado como parte do planejamento nutricional e sanitário do rebanho.

A escolha entre açude e bebedouro artificial deve levar em conta as condições de cada propriedade. O ponto central é garantir que os animais tenham acesso contínuo a água limpa, segura e em quantidade suficiente.

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