Roblox, fandoms e bloquinhos levam geração Z à disputa entre Lula e Flávio em 2026

Comunidades de fãs, jogos digitais e manifestações com música transformam a mobilização eleitoral, enquanto apoiadores dos presidenciáveis disputam atenção nas redes sociais e nas ruas.
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A disputa pela Presidência da República entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) chegou a espaços que vão muito além dos comícios, debates e propagandas eleitorais tradicionais. Comunidades de fãs de artistas internacionais, jogos como Roblox, vídeos curtos e manifestações com características de blocos de rua passaram a fazer parte das mobilizações políticas que envolvem a geração Z na reta final das eleições de 2026.

Com o segundo turno marcado para este domingo (25), grupos de apoiadores dos dois candidatos utilizam referências da cultura pop e ferramentas digitais para ampliar a circulação de mensagens políticas. As iniciativas mostram como a participação de jovens pode ocorrer tanto nas redes sociais quanto nas ruas, embora o engajamento nessas plataformas não represente, necessariamente, intenção de voto.

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Como a geração Z entrou na disputa eleitoral

A chamada geração Z, formada por pessoas nascidas aproximadamente entre o fim dos anos 1990 e o início da década de 2010, cresceu em um ambiente marcado pela internet, pelos aplicativos de mensagens e pelas comunidades digitais.

Parte desse grupo já integra o eleitorado brasileiro. Outros jovens, ainda sem idade para votar, também participam das discussões políticas por meio de publicações, comentários e conteúdos compartilhados na internet.

Nas eleições de 2026, essa participação ganhou visibilidade com a presença de referências culturais que não costumavam ocupar o centro das campanhas presidenciais.

Entre elas estão os fandoms, grupos de admiradores de artistas, e formatos de mobilização que combinam entretenimento, música e posicionamento político.

Fãs de Taylor Swift, Beyoncé e BTS participam de ato pró-Lula

Uma das manifestações dessa aproximação entre cultura pop e política ocorreu em 11 de outubro, durante um ato em apoio a Lula na Avenida Paulista, em São Paulo.

O evento reuniu movimentos sociais, entidades estudantis e comunidades de fãs de artistas internacionais.

Entre os grupos presentes estavam os Swifties, fãs de Taylor Swift; os Armys, admiradores do grupo sul-coreano BTS; e integrantes da BeyHive, comunidade de fãs de Beyoncé.

A hashtag #FandomsNoMasp circulou nas redes sociais durante a mobilização, reunindo publicações de participantes e apoiadores.

Os grupos utilizaram práticas comuns às comunidades de fãs, como a organização coletiva, a produção de conteúdos e a divulgação de mensagens em diferentes plataformas.

A participação desses coletivos não significa que todos os admiradores dos artistas mencionados apoiem a mesma candidatura. Trata-se de iniciativas organizadas por integrantes específicos dessas comunidades.

Bloquinho do 22 reúne apoiadores de Flávio Bolsonaro

Na mobilização favorável a Flávio Bolsonaro, uma das iniciativas que ganharam visibilidade foi o chamado Bloquinho do 22.

O formato utiliza música, encontros em espaços públicos e registros para as redes sociais, aproximando a manifestação política da dinâmica de eventos de rua.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) participou da divulgação e da convocação dessas atividades durante a reta final da campanha.

A iniciativa passou por cidades como Salvador e São Paulo, com a presença de apoiadores do candidato do PL.

Os eventos também geraram vídeos e publicações compartilhados por participantes, ampliando a repercussão das manifestações para além dos locais onde ocorreram.

Roblox e jogos digitais entram no universo da comunicação política

O Roblox, plataforma que reúne experiências virtuais criadas por usuários, aparece entre as referências utilizadas para discutir a aproximação entre política e públicos mais jovens.

Jogos, avatares, memes e cenários virtuais fazem parte do repertório de comunicação de uma parcela da geração Z.

Esses elementos podem ser utilizados em conteúdos políticos produzidos por usuários, criadores digitais e comunidades on-line.

É importante, entretanto, diferenciar manifestações espontâneas de participantes de ações organizadas oficialmente por campanhas eleitorais.

A presença de conteúdo político em uma plataforma de jogos não representa apoio institucional da empresa responsável pelo serviço a qualquer candidato.

Também não é possível presumir que todos os usuários expostos a esse tipo de conteúdo tenham idade para votar.

Memes transformam manifestações em assuntos das redes sociais

As mobilizações eleitorais também passaram a gerar conteúdos que circulam independentemente das mensagens oficiais das campanhas.

Durante o ato pró-Lula na Avenida Paulista, um participante sem camisa e usando máscara vermelha ficou conhecido nas redes sociais como o “gostoso da Paulista”.

Vídeos do homem segurando bandeiras e aparecendo em estruturas próximas à estação Trianon-Masp foram compartilhados por internautas.

O episódio mostrou como cenas inesperadas de manifestações podem ganhar destaque nas plataformas digitais, alcançando pessoas que não acompanharam o evento presencialmente.

Esse tipo de repercussão também ocorre com vídeos de discursos, apresentações musicais, reações de participantes e registros feitos por influenciadores.

WhatsApp se torna ferramenta de mobilização das candidaturas

Além das redes sociais abertas, aplicativos de mensagens ganharam importância na organização de apoiadores.

Na campanha de Lula, o deputado André Janones administra o canal Exército do Lula, utilizado para distribuir mensagens, vídeos e orientações de mobilização.

Em 21 de outubro, o canal havia alcançado aproximadamente 7 milhões de seguidores, segundo informações divulgadas naquele dia.

Do lado de Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira criou a Tropa do Flávio, que reunia cerca de 2 milhões de inscritos na mesma data.

As duas iniciativas permitem a distribuição de conteúdos para grandes audiências e incentivam o compartilhamento das publicações em outras plataformas.

Os números, porém, não correspondem a pesquisas eleitorais. Uma pessoa pode acompanhar diferentes canais, e a inscrição não comprova apoio político ou intenção de voto.

Participação digital não substitui debate sobre propostas

A presença de jovens nas redes sociais e nas manifestações amplia as possibilidades de participação no debate público.

Entretanto, a circulação de vídeos curtos e memes também exige atenção ao contexto das informações.

Trechos de discursos e debates podem ser editados e compartilhados sem apresentar a íntegra das declarações.

Por isso, a avaliação de propostas e posicionamentos políticos depende da consulta a informações verificáveis, documentos oficiais e manifestações completas dos candidatos.

A popularidade de uma publicação ou o tamanho de uma manifestação também não permitem concluir qual candidatura possui maior apoio entre os eleitores.

Mobilização juvenil chega à reta final do segundo turno

As campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro intensificaram suas atividades presenciais e digitais após o primeiro turno, realizado em 4 de outubro.

Artistas, influenciadores, parlamentares, movimentos estudantis e comunidades organizadas pela internet passaram a participar da divulgação de agendas e manifestações.

As estratégias têm formatos diferentes, mas compartilham o objetivo de ampliar a circulação de mensagens e estimular a participação política.

O segundo turno será realizado neste domingo, 25 de outubro, das 8h às 17h, pelo horário de Brasília.

O resultado será determinado pelos votos registrados nas urnas e apurados pela Justiça Eleitoral.

Independentemente do desfecho da eleição, a presença de fandoms, referências a jogos e mobilizações culturais mostra como a comunicação política passou a incorporar linguagens e espaços de convivência associados às novas gerações.

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