Dados oficiais desmentem Flávio: Bolsonaro gastou mais no cartão

Levantamentos revelam que Bolsonaro usou mais o cartão corporativo que Lula, contrariando acusações feitas em debate televisivo.
Redação NC News
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Dados oficiais da Presidência da República indicam que Jair Bolsonaro gastou bem mais que Luiz Inácio Lula da Silva no cartão corporativo ligado ao Palácio do Planalto, em contraste com a acusação feita por Flávio Bolsonaro no debate da TV Globo. Além de rebater o senador, Lula usou o confronto para associar sua gestão a maior transparência e responsabilidade fiscal.

Quem gastou mais no cartão corporativo Lula ou Bolsonaro?

Nos gastos diretamente vinculados à Secretaria de Administração da Presidência, Jair Bolsonaro consumiu R$ 41,2 milhões em seu mandato, enquanto Lula registra R$ 20,4 milhões no atual governo. Ou seja, o ex-presidente gastou praticamente o dobro do valor do sucessor nesse núcleo mais sensível do cartão corporativo do Planalto.

Quando a comparação abrange toda a estrutura da Presidência — incluindo o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) — a diferença permanece a favor de Lula. Bolsonaro acumula R$ 82,4 milhões em despesas nominais nesse conjunto de órgãos, contra R$ 45,2 milhões sob o governo atual.

Os números têm como base o Portal da Transparência e levantamentos consolidados por órgãos de controle, como a Controladoria-Geral da União, e por entidades especializadas em acesso à informação. Eles desmentem a fala de Flávio Bolsonaro segundo a qual Lula teria gastado mais que o pai no cartão corporativo presidencial.

O que Lula disse no debate da Globo

Durante o debate na TV Globo, Flávio Bolsonaro cobrou de Lula a abertura de sigilos e afirmou que o petista teria extrapolado nos gastos com o cartão corporativo. Em resposta, Lula devolveu o ataque com dados e uma provocação direta ao público.

“Quero pedir outra vez para o Google ver quem gastava mais no cartão corporativo, se é o mandato do Lula ou o do Bolsonaro. Pesquisem”, disse o presidente, ao rebater o senador. Na sequência, reforçou a diferença entre as gestões: “Eles gastaram quase 30% a mais do que nós”.

Nas considerações finais, Lula ampliou o tom político, ligando o debate sobre gastos públicos à disputa sobre o futuro do país. “Ou a gente mantém a democracia funcionando, ou a gente vai ter um miliciano governando este país dentro do Palácio do Planalto, o que não é bom para ninguém”, afirmou, em referência direta a Flávio Bolsonaro, a quem chamou de “miliciano”.

Entenda o contexto

A comparação entre os dois governos ganhou força nas últimas horas nas redes sociais e nas buscas do Google, impulsionada pela frase de Lula em rede nacional. Termos como “quem gastou mais no cartão corporativo: Lula ou Bolsonaro?” aparecem entre os mais pesquisados, enquanto canais de checagem de fatos detalham as diferenças metodológicas por trás das planilhas.

Uma das principais confusões apontadas por órgãos de verificação é a mistura de escopos distintos: aliados de Bolsonaro vinham comparando valores restritos ao gabinete individual de Lula com cifras que, no caso do ex-presidente, incluem apenas parte da estrutura ligada ao cartão corporativo. Os dados consolidados, porém, mostram que, utilizando o mesmo recorte institucional, Bolsonaro tem sempre gastos superiores.

Como funcionam os cartões do governo federal

O governo federal opera hoje com três modalidades de cartão de pagamento. O Cartão de Pagamento do Governo Federal cobre despesas operacionais e diárias de deslocamento de servidores; o Cartão de Pagamento de Compras Centralizadas é voltado principalmente para passagens aéreas; e o Cartão de Pagamento da Defesa Civil existe para liberar rapidamente recursos em casos de desastres e calamidades.

Os valores atribuídos às gestões Lula e Bolsonaro reúnem essas diferentes modalidades, sempre dentro do que é registrado oficialmente pelo Portal da Transparência. Na prática, isso significa que não se trata apenas de despesas pessoais do presidente, mas de uma rede de gastos vinculados à Presidência da República e a toda a administração pública federal.

Gasto total da União cresce com emergências sob Lula

No conjunto da administração federal — incluindo ministérios, autarquias e órgãos vinculados — os números brutos mostram que o governo Lula movimentou mais recursos no cartão corporativo que o de Bolsonaro. Foram R$ 1,4 bilhão em três anos de gestão atual, contra R$ 1 bilhão em quatro anos na gestão anterior.

Esse aumento, porém, é explicado em grande parte pelo uso emergencial do cartão. Sob Lula, 78% das despesas totais, o equivalente a R$ 1,1 bilhão, foram destinadas a ações de resposta a desastres e crises climáticas, via Defesa Civil e outros instrumentos de socorro rápido. A lógica é permitir que municípios atingidos por enchentes, deslizamentos ou outras calamidades tenham acesso imediato a recursos.

No caso de Bolsonaro, o montante global menor não altera o quadro central da disputa política: quando o recorte é restrito ao coração do poder, a Presidência da República e sua estrutura direta, o ex-presidente gastou mais que o atual mandatário.

Disputa eleitoral e pressão por transparência

A controvérsia sobre o cartão corporativo se torna uma peça importante da disputa eleitoral deste fim de semana. Lula usa os dados para se apresentar como gestor mais econômico e transparente, enquanto a campanha de Flávio Bolsonaro tenta insistir na narrativa de descontrole de gastos pelo adversário.

Ao mesmo tempo, a intensa circulação de informações e contra-informações nas redes sociais levou emissoras e equipes especializadas a anunciar rodadas extras de checagem de fatos após o debate. A expectativa é que a pressão pública em torno desse tipo de dado fortaleça a cobrança por divulgação mais clara e padronizada dos gastos com cartão corporativo, independentemente de quem esteja no poder.

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