Janones acusa Vorcaro de recrutar refugiadas ucranianas para encontros privados

Deputado divulgou acusações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Mensagens analisadas em investigação jornalística levantaram suspeitas de exploração sexual, e a Polícia Federal pediu autorização ao STF para aprofundar a apuração.
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O deputado federal André Janones (Rede-MG) acusou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, de financiar uma estrutura internacional que teria recrutado mulheres estrangeiras, incluindo refugiadas da guerra na Ucrânia, para encontros privados. A denúncia foi divulgada pelo parlamentar nas redes sociais em 24 de outubro de 2026, em meio à repercussão de mensagens atribuídas a Vorcaro e a intermediários responsáveis pela organização de eventos.

As suspeitas ganharam força após uma investigação jornalística publicada em 13 de outubro apresentar mensagens, contratos e registros financeiros que apontariam para o financiamento de uma rede de recrutamento de mulheres. A Polícia Federal pediu autorização ao Supremo Tribunal Federal (STF) para aprofundar a investigação sobre possíveis crimes relacionados ao tráfico de pessoas para exploração sexual e ao favorecimento da prostituição.

O que Janones afirmou sobre o caso

Em publicações nas redes sociais, Janones cobrou esclarecimentos sobre as suspeitas envolvendo Vorcaro e possíveis conexões com pessoas próximas ao senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República. O deputado relacionou o caso à vulnerabilidade de mulheres estrangeiras que deixaram seus países em razão da guerra.

As declarações foram feitas durante a repercussão de mensagens atribuídas ao ex-banqueiro e a pessoas envolvidas na organização de eventos privados. Segundo as informações divulgadas, os diálogos mencionariam a contratação de mulheres de diferentes nacionalidades, além de discussões sobre pagamentos, hospedagens e deslocamentos.

É necessário, porém, distinguir as acusações políticas dos elementos documentais apresentados nas reportagens. Não há comprovação, nas informações consultadas, de que Flávio Bolsonaro tenha participado do recrutamento de refugiadas. A relação de pessoas próximas ao senador com o caso também precisa ser examinada individualmente, sem presumir responsabilidade criminal.

Mensagens mencionam refugiada ucraniana de 19 anos

Entre os episódios descritos nas mensagens está o de uma jovem ucraniana de 19 anos que chegou ao Brasil após fugir da guerra. Os diálogos atribuídos a Vorcaro e ao promotor de eventos Diogo Batista indicam que a situação da refugiada foi discutida entre o fim de 2023 e o início de 2024.

Em uma conversa de dezembro de 2023, Batista teria informado que a jovem não tinha para onde voltar porque sua cidade estava sendo bombardeada. Nas mensagens divulgadas, o intermediário também mencionou a possibilidade de incluí-la em uma agência de modelos ligada ao grupo.

Os registros apresentados na investigação jornalística levantam questionamentos sobre o conhecimento dos envolvidos a respeito da vulnerabilidade da jovem e sobre as condições em que ela teria permanecido no Brasil.

A situação migratória ou a condição de refugiada, isoladamente, não comprova a ocorrência de tráfico de pessoas. A investigação precisa esclarecer se houve ameaça, fraude, coação, abuso de vulnerabilidade ou outras circunstâncias que possam configurar crimes.

Investigação aponta movimentações financeiras e agência de modelos

A apuração jornalística publicada em 13 de outubro apontou que a estrutura investigada teria recebido investimentos de pelo menos R$ 4,3 milhões. As informações se baseiam em mensagens, contratos e comprovantes financeiros atribuídos a pessoas ligadas ao ex-banqueiro.

As conversas mencionam a possibilidade de utilizar uma agência de modelos para centralizar contratações e organizar a participação de mulheres em eventos. Também aparecem discussões sobre pagamentos a intermediários, passagens aéreas, hospedagens e a permanência de estrangeiras no Brasil.

Um contrato relacionado à aquisição de participação na empresa Allure Eventos também foi mencionado na investigação. A reportagem apontou negociações envolvendo uma participação de 50% na agência, mas a efetiva composição societária e a natureza dos pagamentos precisam ser consideradas à luz das informações e dos esclarecimentos apresentados pelos envolvidos.

Os valores citados nas apurações não devem ser interpretados automaticamente como quantias integralmente destinadas à exploração sexual. Os documentos mencionados também incluem despesas relacionadas a eventos, viagens, hospedagens e outros serviços, cuja finalidade precisa ser esclarecida.

Polícia Federal pede autorização ao STF

A Polícia Federal pediu autorização ao Supremo Tribunal Federal para aprofundar a investigação sobre suspeitas de tráfico de mulheres para exploração sexual e favorecimento da prostituição em eventos atribuídos a Vorcaro.

Mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e a intermediários levantaram suspeitas sobre o recrutamento de mulheres estrangeiras para eventos privados. A Polícia Federal pediu autorização ao STF para aprofundar a investigação.

O pedido foi divulgado em 23 de outubro, após a repercussão das mensagens e das denúncias relacionadas ao possível recrutamento de mulheres estrangeiras. A apuração busca esclarecer as circunstâncias dos fatos e determinar se as condutas descritas podem configurar crimes.

Entre os pontos que precisam ser esclarecidos estão a forma de recrutamento das mulheres, as condições oferecidas, a atuação dos intermediários e a origem e a destinação dos recursos utilizados para custear as atividades.

A solicitação de autorização para investigar não representa uma condenação nem comprova, por si só, a responsabilidade criminal das pessoas mencionadas. As conclusões dependem da análise das provas, das diligências policiais e do contraditório.

Defesa contesta as acusações

A defesa de Daniel Vorcaro nega que o ex-banqueiro tenha explorado ou desrespeitado mulheres e questiona a autoria, a autenticidade e o contexto das mensagens divulgadas.

O posicionamento é relevante diante da gravidade das suspeitas. A existência de diálogos e registros financeiros pode orientar uma investigação, mas precisa ser confrontada com outros elementos para estabelecer o que ocorreu e qual teria sido a participação de cada pessoa.

A defesa de Daniel Vorcaro nega que o ex-banqueiro tenha explorado ou desrespeitado mulheres

As manifestações públicas de Janones também devem ser tratadas como declarações do parlamentar, e não como conclusões oficiais sobre a responsabilidade de terceiros.

Quem é Mariana Vishegirskaya?

Durante a repercussão do caso, Janones esclareceu que o nome Mariana mencionado em suas publicações se referia a Mariana Vishegirskaya, uma mulher ucraniana fotografada em 2022 ao deixar uma maternidade atingida por um bombardeio russo na cidade de Mariupol. Na ocasião, ela estava grávida, e as imagens tiveram repercussão internacional.

Mariana Vishegirskaya, uma mulher ucraniana fotografada em 2022

O deputado afirmou que não havia informações que relacionassem Mariana aos eventos atribuídos a Vorcaro ou a encontros com Flávio Bolsonaro. A história da mulher foi utilizada por Janones para chamar a atenção para a vulnerabilidade de refugiadas em situações de conflito.

Por isso, é fundamental não confundir Mariana Vishegirskaya com a jovem ucraniana de 19 anos citada nas mensagens investigadas. As informações consultadas não indicam que Mariana tenha participado dos eventos ou do suposto esquema.

O que ainda precisa ser esclarecido

A investigação deverá apurar se houve recrutamento de mulheres em situação de vulnerabilidade, quais eram as condições de participação nos eventos e se as atividades descritas nas mensagens configuram infrações penais. Também será necessário esclarecer o papel de cada intermediário e a natureza das relações financeiras identificadas.

As autoridades ainda precisam verificar a autenticidade e o contexto dos registros, ouvir os envolvidos e reunir elementos capazes de confirmar ou afastar as suspeitas.

Até que esses pontos sejam esclarecidos, as acusações devem permanecer atribuídas às suas fontes. O pedido de investigação da Polícia Federal representa uma etapa da apuração, não uma conclusão definitiva sobre os fatos.

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