O ator, dublador e apresentador Roberto Maya morreu na terça-feira (27), aos 91 anos, em Campinas, no interior de São Paulo. Conhecido pela voz marcante e pelo comando do programa jornalístico Documento Especial, ele teve a morte confirmada pelo SBT nesta quarta-feira (28). A causa foi insuficiência respiratória.
Maya estava internado no Hospital Beneficência Portuguesa de Campinas, sua cidade natal. Ao longo de mais de seis décadas de carreira, trabalhou no rádio, no cinema, na televisão e na dublagem, tornando-se conhecido tanto pelas atuações em novelas quanto pela apresentação de reportagens investigativas.
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Quem foi Roberto Maya?
Nascido em 5 de janeiro de 1935, em Campinas, Roberto Maya estudou na Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (USP) e iniciou a carreira artística na década de 1950.
Seus primeiros trabalhos foram no rádio, onde atuou como radioator e dublador. Com o passar dos anos, ampliou sua presença para a televisão e o cinema, participando de produções que marcaram diferentes períodos da dramaturgia brasileira.
A estreia nas telonas aconteceu em 1961, no filme Teus Olhos Castanhos. Posteriormente, trabalhou em produções dirigidas por Walter Hugo Khouri, incluindo O Convite ao Prazer e Eros, o Deus do Amor.
Em alguns desses filmes, interpretou versões do personagem Marcelo, considerado uma representação recorrente do universo criado pelo cineasta.
Roberto Maya marcou época no Documento Especial
Embora tenha construído uma extensa trajetória como ator, Roberto Maya alcançou grande reconhecimento nacional ao apresentar e narrar o programa Documento Especial, exibido entre 1989 e 1998.

Criada pelo jornalista e diretor Nelson Hoineff, a atração estreou na Rede Manchete e se destacou por abordar temas sociais, denúncias e situações pouco exploradas pela televisão aberta.
O programa ganhou notoriedade pela combinação de reportagens investigativas, imagens impactantes e textos que aproximavam a linguagem jornalística da narrativa documental.
A voz grave de Maya tornou-se uma das principais características da produção, que abordava assuntos como desigualdade social, violência e questões envolvendo populações vulneráveis.
Entre as reportagens de maior repercussão estavam Os Pobres Vão à Praia, sobre desigualdades sociais no litoral do Rio de Janeiro, e O Suicídio dos Kaiowá, que retratava a situação de comunidades indígenas.
Após a passagem pela Manchete, Documento Especial foi exibido pelo SBT, entre 1992 e 1995, e posteriormente pela Band, entre 1997 e 1998.
Durante o período no SBT, a atração conquistou três vezes o Troféu Imprensa de melhor programa jornalístico da televisão brasileira.
Apresentador também comandou o Jornal da Manchete
Antes de se tornar conhecido pelo Documento Especial, Roberto Maya foi um dos apresentadores do Jornal da Manchete.
Ele integrou a equipe do telejornal entre 1983 e 1989, período que coincidiu com os primeiros anos da emissora.
Sua experiência como ator e locutor contribuiu para uma apresentação marcada pela dicção precisa e pelo estilo de narração que se tornaria reconhecido pelo público.
A passagem pelo jornalismo consolidou uma segunda vertente de sua carreira, paralela aos trabalhos em novelas, filmes e dublagens.
Quais novelas tiveram a participação de Roberto Maya?
Na teledramaturgia, Roberto Maya participou de produções exibidas por emissoras como Excelsior, Tupi, Globo, Bandeirantes e SBT.
Entre seus trabalhos estão A Pequena Órfã, de 1968; Simplesmente Maria, de 1970; Bravo!, de 1975; Éramos Seis, de 1977; O Espantalho, também de 1977; Final Feliz, de 1982; e Bambolê, de 1987.
Nos anos 2000, participou de Paraíso Tropical, exibida pela Globo em 2007, interpretando Xavier.
Também esteve em Desejo Proibido, de 2008, no papel de Milton, e fez participações em séries como Lara com Z, As Brasileiras e Psi, produção da HBO exibida em 2015.
Seu último filme foi Mulheres no Poder, dirigido por Gustavo Acioli e lançado em 2016.
Roberto Maya também foi a voz de Shere Khan, de Mogli
Além da atuação e do jornalismo, Roberto Maya deixou sua marca na dublagem brasileira.
Um dos personagens mais conhecidos interpretados por ele foi Shere Khan, o tigre do clássico de animação Mogli, o Menino Lobo, lançado pela Disney em 1967.
A voz do ator também esteve presente em outras produções estrangeiras adaptadas para o público brasileiro.
Sua experiência na dublagem ajudou a desenvolver a identidade vocal que mais tarde seria associada ao trabalho como apresentador e narrador de documentários.
SBT lamenta a morte de Roberto Maya
O SBT divulgou uma nota de pesar nesta quarta-feira, destacando a trajetória profissional do artista e sua contribuição para a história da emissora.
“Toda a diretoria do Sistema Brasileiro de Televisão se solidariza com os familiares e amigos de Roberto Maya, agradecendo aos anos em que integrou de forma marcante o elenco da emissora.”
O comunicado também recordou a passagem do apresentador pelo Documento Especial, programa que se tornou uma referência do jornalismo documental na televisão brasileira.
O jornalista Luiz Santoro, que trabalhou com Maya na Rede Manchete, também lamentou a morte do antigo colega de bancada em uma publicação nas redes sociais.
Despedida e legado na televisão brasileira
Roberto Maya morreu na mesma cidade em que nasceu, encerrando uma trajetória que atravessou diferentes fases da comunicação brasileira.
Seu trabalho acompanhou a evolução do rádio, a consolidação da televisão aberta e o desenvolvimento de formatos documentais que ampliaram o espaço de temas sociais no jornalismo televisivo.
Ao unir experiência dramática, interpretação vocal e apresentação jornalística, Maya deixou um legado que permanece associado à história do Documento Especial e às produções das quais participou ao longo de mais de 60 anos.