Renan Santos (Missão) criticou, nesta quarta-feira (28), o anúncio de Flávio Bolsonaro (PL) de que comandará um governo paralelo a partir dos Estados Unidos. O ex-candidato afirmou que a oposição conduzida do exterior não traz benefícios ao Brasil e classificou a iniciativa como uma “oposição EAD”.
Em carta divulgada após chegar a Miami, Flávio se apresentou como o verdadeiro presidente eleito do Brasil, alegou fraude eleitoral, afirmou estar em exílio e agradeceu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao povo americano, que chamou de irmão. As alegações de fraude são do senador e não foram acompanhadas de provas no material apresentado.
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Segundo Renan, quem acredita em uma causa deve defendê-la no próprio país. Ele questionou a decisão de Flávio Bolsonaro de deixar o Brasil e conduzir sua atuação política a partir da Flórida.
“Ele optou por não lutar aqui, e a verdade precisa ser dita: quando você acredita em algo, você luta na tua terra. Ele não quis lutar, a nossa terra não era boa o suficiente, ele vai lutar direto da Flórida”, afirmou.
Comparação com Juan Guaidó
O ex-candidato do Missão comparou a iniciativa de Flávio à de Juan Guaidó, que se declarou presidente interino da Venezuela em 2019, durante a crise política no país.
Renan, porém, argumentou que a situação brasileira é diferente, já que o Partido Liberal continua funcionando normalmente e seus representantes seguem exercendo seus mandatos.
“Ele está tentando imitar o que o Juan Guaidó fez em protesto contra o regime do Maduro, sendo ele próprio parte de um regime que está de pé. O PL no Brasil está aqui de pé, estão operando, recebendo salário, está tudo normal por aqui. As eleições foram reconhecidas pela maior parte dos países”, declarou.
Renan aponta contradição sobre Cristiano Zanin
Renan também questionou as críticas de Flávio Bolsonaro ao ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), lembrando que o senador manifestou apoio ao magistrado durante sua sabatina no Senado.
Para o ex-candidato, há uma contradição entre a posição adotada por Flávio naquele momento e as críticas feitas atualmente.
“O Zanin, que de fato foi advogado do Lula, contou com o beneplácito do próprio Flávio quando foi sabatinado no Congresso. Flávio foi a favor do cara e agora reclama?”, questionou.
Apoio de Trump também é questionado
Renan Santos avaliou ainda que o apoio de Donald Trump a Flávio Bolsonaro pode não ser duradouro. Na avaliação dele, o presidente norte-americano tende a priorizar interesses comerciais nas relações políticas.
“Trump não tem amigos, tem parceiros de negócios. Se o Flávio soar como um perdedor ou como um problema para os negócios do Trump no Brasil, ele vai se livrar dele rapidinho”, disse.
“O Brasil não ganha em nada com esta oposição EAD”, diz Renan
Apesar das críticas, Renan afirmou não acreditar que a iniciativa de Flávio Bolsonaro represente um risco à democracia brasileira.
O ex-candidato ressaltou que também faz oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas defendeu que essa atuação seja realizada dentro do país.
“Não acho que vai acontecer absolutamente nada, a democracia brasileira não corre risco algum. Eu sou oposição natural ao governo Lula, mas o Brasil não ganha em nada com esta oposição EAD sendo feita lá dos Estados Unidos para atender no fundo ao interesse americano aqui. Eu estou aqui, vou lutar daqui e vou pagar as consequências das minhas ações”, concluiu.