Quem é o Airton Sinto que deixou cargo de secretário após publicações contra eleitores do PT

Advogado de 59 anos já disputou eleições para prefeito e vereador e atuou na defesa da família de uma mulher morta após ser vítima de notícia falsa
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O advogado Airton José Sinto Júnior, de 59 anos, pediu exoneração do cargo de secretário-adjunto de Direitos Humanos e Cidadania de Guarujá, no litoral de São Paulo, após a repercussão de publicações nas redes sociais contra eleitores do Partido dos Trabalhadores (PT). A saída foi oficializada na quarta-feira (28), depois de manifestações nas quais ele sugeriu que empresários evitassem contratar trabalhadores com posicionamentos políticos de esquerda.

O caso ganhou repercussão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no domingo (25). Em uma das mensagens, Airton afirmou que não comprava produtos, não contratava profissionais nem prestava serviços advocatícios para eleitores petistas.

Após deixar a prefeitura, o advogado defendeu seu direito à liberdade de expressão e negou ter incentivado perseguições ou violência.

Quem é Airton Sinto?

Natural de São Paulo, Airton Sinto é formado em Direito pelas Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU). Atualmente, mora em Guarujá, onde mantém um escritório de advocacia há 27 anos.

O ex-secretário também possui histórico de participação na política municipal. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele disputou uma vaga na Câmara Municipal de Guarujá em 2008, pelo Partido Social Democrata Cristão (PSDC), ficando como suplente.

Em 2012, concorreu à Prefeitura de Guarujá pelo Partido da Mobilização Nacional (PMN), mas não conseguiu se eleger. Quatro anos depois, em 2016, voltou a disputar uma vaga de vereador, desta vez pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), novamente ficando como suplente.

Na advocacia, Airton atuou na defesa da família de Fabiane Maria de Jesus, mulher linchada e morta em 2014, em Guarujá, após ser confundida com uma suposta sequestradora de crianças em consequência de uma notícia falsa divulgada nas redes sociais.

Publicações contra eleitores do PT

As manifestações de Airton nas redes sociais começaram a circular após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026.

Em uma das postagens, o advogado recomendou que empresários não contratassem pessoas que, segundo ele, demonstrassem hostilidade aos empregadores.

O ex-secretário também compartilhou uma captura de tela de uma conversa na qual uma mulher solicitava ajuda para comprar uma cesta básica. Na publicação, o autor da mensagem afirmava que a mulher não precisaria mais receber doações após comemorar a vitória eleitoral de Lula.

As mensagens provocaram críticas, principalmente porque Airton ocupava um cargo na área de Direitos Humanos da administração municipal.

O que diz o ex-secretário?

Em manifestação divulgada após sua saída, Airton afirmou ser um homem de direita e disse que suas publicações representavam opiniões pessoais, sem relação com suas atribuições na prefeitura.

O advogado negou ter incentivado perseguições ou praticado discriminação contra pessoas de esquerda. Também afirmou que passou a receber ofensas e ameaças após a divulgação das mensagens.

Airton declarou que mantém suas posições políticas e considera que suas manifestações estão protegidas pelo direito constitucional à liberdade de expressão.

Prefeitura e OAB se manifestam

A Prefeitura de Guarujá confirmou que a exoneração ocorreu a pedido do próprio secretário-adjunto. A medida foi publicada no Diário Oficial do município, por meio da Portaria nº 2.692/2026, com efeitos a partir de 28 de outubro.

Em nota, a administração municipal afirmou que as manifestações do advogado foram pessoais e não representam o posicionamento do governo.

A Subseção de Guarujá da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também se pronunciou sobre o caso.

A entidade afirmou que a liberdade de convicção política é um direito garantido pela Constituição, mas destacou que restringir oportunidades profissionais em razão das preferências partidárias de uma pessoa é incompatível com os princípios do Estado Democrático de Direito.

A OAB também ressaltou que agentes públicos devem respeitar o princípio da impessoalidade e garantir tratamento igualitário aos cidadãos, independentemente de suas posições políticas.

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