PF mira pastor Márcio Poncio e sobrinho Adilson em nova operação no Rio

Agentes cumprem quatro mandados de busca e apreensão na Barra da Tijuca; investigação apura suspeitas de ocultação de patrimônio, incluindo imóveis, aeronaves e carros de luxo
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A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (29), a nona fase da Operação Unha e Carne, que investiga uma organização criminosa suspeita de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio no Rio de Janeiro. Entre os alvos de buscas estão endereços ligados ao pastor e empresário Márcio Poncio e a Bernardo Coutinho Loyola, sobrinho do bicheiro Adilson Oliveira Coutinho, conhecido como Adilsinho.

Ao todo, os agentes cumprem quatro mandados de busca e apreensão na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste da capital fluminense. As ordens foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

As buscas ocorrem em salas comerciais apontadas como estruturas administrativas e operacionais do grupo investigado, além de um imóvel residencial associado a um dos principais operadores identificados pela PF.

O objetivo é recolher documentos, aparelhos eletrônicos, registros contábeis e outros materiais que possam ajudar a esclarecer a movimentação de recursos financeiros e a propriedade de bens ligados aos investigados.

Investigação aponta imóveis de luxo da família Poncio, aeronaves e empresas

Segundo a Polícia Federal, a nova etapa da operação foi desencadeada após a análise de informações obtidas durante a quinta fase da investigação, especialmente dados extraídos de um celular apreendido com um dos suspeitos.

O material revelou novos endereços, empresas e bens que teriam sido utilizados para movimentar recursos financeiros e esconder a identidade dos verdadeiros proprietários.

Os investigadores identificaram indícios de uma rede patrimonial formada por imóveis de alto padrão, aeronaves executivas, veículos de luxo e empresas registradas em nome de familiares, colaboradores e terceiros.

Apesar de formalmente pertencerem a outras pessoas, esses bens permaneceriam sob o controle de integrantes da organização criminosa, conforme a investigação.

A PF também identificou movimentações frequentes de dinheiro em espécie e operações financeiras de difícil rastreamento, além da utilização de empresas brasileiras e estrangeiras, inclusive em localidades com tributação favorecida.

Outra suspeita investigada é a possível utilização de entidades religiosas e holdings patrimoniais para ocultar a verdadeira titularidade de bens de elevado valor.

Operação já investigou movimentação de R$ 7,6 bilhões

A Operação Unha e Carne chegou à nona fase após uma série de ações voltadas à investigação de organizações criminosas e de suspeitas de lavagem de dinheiro no Rio de Janeiro.

Na oitava etapa, realizada em 15 de outubro, a Polícia Federal investigou um esquema que teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos, segundo informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Na ocasião, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão. A Justiça também determinou a suspensão das atividades de 112 empresas, entre elas 96 postos de combustíveis apontados como parte da estrutura utilizada para lavagem de dinheiro.

A nova etapa busca aprofundar a identificação dos responsáveis pela administração e ocultação de patrimônio, bem como esclarecer a participação de pessoas físicas e jurídicas nas operações financeiras investigadas.

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