A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu cinco pessoas suspeitas de integrar um esquema de falsas campanhas beneficentes que arrecadou quase R$ 10 milhões em apenas 45 dias. A organização utilizava inteligência artificial (IA) para produzir vídeos com imagens do cantor Gusttavo Lima e de líderes religiosos, como os padres Marcelo Rossi e Fábio de Melo e Frei Gilson, com o objetivo de convencer vítimas a fazer doações.
As prisões ocorreram na quarta-feira (28), durante a Operação Cáritas, realizada no Distrito Federal e em outros quatro estados.
Dois suspeitos foram presos em Planaltina, no Distrito Federal, um em Planaltina de Goiás, um em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, e outro em Joinville, em Santa Catarina. Ao todo, a Justiça expediu seis mandados de prisão preventiva.
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Segundo os investigadores, o grupo produzia vídeos de idosos, crianças e pessoas com doenças graves para sensibilizar os usuários das redes sociais. As publicações direcionavam as vítimas a páginas que simulavam campanhas legítimas de arrecadação de recursos.
As doações eram, em sua maioria, de pequenos valores, principalmente entre R$ 30 e R$ 50. O dinheiro, entretanto, era transferido para contas bancárias controladas pelos suspeitos.
Grupo movimentou quase R$ 10 milhões em 45 dias
A investigação identificou que uma única empresa ligada ao grupo recebeu 215.575 transações financeiras entre 13 de outubro e 26 de novembro de 2025, totalizando R$ 9.839.087,73.
O volume de pagamentos chamou a atenção da polícia e indica a possibilidade de um número elevado de vítimas em diferentes regiões do país. A quantidade de transações, porém, não corresponde necessariamente ao número de pessoas prejudicadas.
De acordo com a Polícia Civil, os investigados utilizavam a tecnologia conhecida como deepfake, capaz de reproduzir artificialmente rostos e vozes de pessoas reais.
Além das personalidades famosas, os vídeos utilizavam representações religiosas, incluindo imagens de Jesus Cristo, para transmitir credibilidade às campanhas fraudulentas.
A investigação também identificou uma divisão de tarefas entre os integrantes da organização, envolvendo produção dos conteúdos, administração das redes sociais, abertura de empresas e movimentação dos valores recebidos.
Carros de luxo e criptomoedas foram apreendidos
Durante a operação, os policiais apreenderam veículos de luxo e identificaram ativos em criptomoedas avaliados em aproximadamente R$ 2,14 milhões.
Os agentes também localizaram mais de 230 GB de arquivos eletrônicos, incluindo vídeos, imagens, roteiros, códigos de programação e materiais que poderiam ser utilizados na produção de novas campanhas fraudulentas.
No Distrito Federal, foram identificados 66 registros de ocorrência envolvendo empresas apontadas como destinatárias de recursos relacionados a fraudes eletrônicas.
A Polícia Civil continua investigando o esquema para identificar outras possíveis vítimas, rastrear o dinheiro movimentado e esclarecer a participação de cada suspeito.
Os investigados poderão responder pelos crimes de estelionato eletrônico, organização criminosa e lavagem de dinheiro.