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Brasil pode registrar 26,7 mil mortes adicionais
Na projeção para o Brasil, o número chega a 26,7 mil mortes adicionais relacionadas ao calor extremo. Desse total, aproximadamente 19,5 mil poderiam ocorrer nos seis meses seguintes à atualização do levantamento.
O país aparece na sexta posição entre os dez com maiores estimativas para o período completo. Índia, China, Nigéria, Sudão e Indonésia estão à frente do Brasil.
Quais países têm as maiores estimativas?
Segundo os dados do Climate Impact Lab, as projeções de mortes adicionais entre junho de 2026 e março de 2027 são:
- Índia: 160 mil;
- China: 85,4 mil;
- Nigéria: 69,7 mil;
- Sudão: 53,2 mil;
- Indonésia: 49,5 mil;
- Brasil: 26,7 mil;
- República Democrática do Congo: 24,7 mil;
- Bangladesh: 18,4 mil;
- Vietnã: 18,1 mil;
- Chade: 17 mil.
O que é o Super El Niño?
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração interfere na circulação atmosférica e pode modificar os padrões de temperatura e chuva em diferentes regiões do planeta.
Quando o aquecimento alcança intensidade muito elevada, o episódio pode ser chamado de Super El Niño. Seus efeitos não são iguais em todos os lugares: algumas regiões podem enfrentar calor intenso e estiagem, enquanto outras ficam mais expostas a chuvas fortes e tempestades.
Como o estudo calculou as mortes?
As estimativas consideram mortes adicionais em relação ao número esperado em condições climáticas normais. Os pesquisadores analisaram a relação entre temperatura e mortalidade em 24.378 regiões do mundo e levaram em conta diferenças de clima local, vulnerabilidade da população e capacidade de adaptação.
Portanto, os números não representam uma contagem de vítimas já confirmadas. São projeções estatísticas sobre o impacto potencial do calor extremo, e não significam que todas essas mortes ocorrerão ou que possam ser atribuídas exclusivamente ao El Niño.
Medidas podem reduzir os riscos
Especialistas apontam que medidas de prevenção podem reduzir os impactos do calor extremo. Entre as ações recomendadas estão sistemas de alerta para altas temperaturas, centros de resfriamento, pontos de hidratação e proteção de trabalhadores expostos ao sol.
Também é importante reforçar o atendimento de saúde e direcionar ações a idosos, pessoas com doenças crônicas e outros grupos mais vulneráveis às temperaturas elevadas.
O alerta dos pesquisadores é claro: antecipar os riscos permite preparar cidades e serviços de saúde antes dos períodos mais críticos. Em um cenário de temperaturas cada vez mais extremas, prevenção e adaptação podem salvar vidas.