Megaoperação com 122 mortos impulsiona carreira política de três policiais no Rio

Felipe Curi, Coronel Menezes e Bernardo Leal foram eleitos em 2026 após ganharem projeção na Operação Contenção, realizada nos complexos da Penha e do Alemão em outubro de 2025.
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Três agentes ligados à Operação Contenção, realizada nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, transformaram a visibilidade conquistada na segurança pública em mandatos políticos nas eleições de 2026. Felipe Curi, Marcelo de Menezes, conhecido como Coronel Menezes, e o delegado Bernardo Leal foram eleitos deputados após a megaoperação que deixou 122 mortos em outubro de 2025.A ofensiva, considerada a operação policial mais letal da história do Brasil, colocou a política de segurança pública no centro do debate nacional. Quase um ano depois, três personagens que tiveram participação direta na ação conquistaram vagas no Legislativo estadual e federal.

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Quem são os policiais eleitos após a megaoperação?

Felipe Curi, ex-secretário estadual de Polícia Civil, foi eleito deputado federal pelo Progressistas (PP), com 133.626 votos. Ele foi um dos nomes de maior destaque na condução da operação.

Delegado foi nomeado secretário na gestão Castro | Foto: Reprodução

O coronel Marcelo de Menezes, ex-secretário de Polícia Militar, conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) pelo Partido Liberal (PL), com 46.700 votos.

Coronel também foi nomeado secretário pelo ex-governador Cláudio Castro | Foto: Reprodução

Já o delegado Bernardo Leal, que integrava a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) durante a ação, foi eleito deputado estadual pelo PP, com 57.254 votos. Ele foi baleado durante a operação, ficou internado por 47 dias e precisou amputar uma perna.

Delegado chegou a ser baleado e perder a perna | Foto: Reprodução

Operação Contenção deixou 122 mortos

Realizada em 28 de outubro de 2025, a Operação Contenção mobilizou forças policiais nos complexos da Penha e do Alemão. Ao todo, 122 pessoas morreram, entre elas cinco policiais, segundo os balanços divulgados sobre a ação.

A operação foi apresentada pelo então governador Cláudio Castro como uma ofensiva bem-sucedida contra o crime organizado. A letalidade, porém, provocou críticas de organizações de direitos humanos e abriu uma disputa pública sobre os métodos utilizados pelas forças de segurança.

O episódio também provocou divergências entre autoridades políticas. Enquanto Castro defendeu a atuação policial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a operação como uma ação desastrosa.

Megaoperação foi divisor de águas da política carioca e foi muito explorada pela direita | Foto: Reprodução

Estratégia de comunicação ajudou a construir projeção política

Aliados dos policiais eleitos atribuíram parte do desempenho nas urnas à estratégia de comunicação adotada após a operação. A presença em podcasts, entrevistas e publicações nas redes sociais ajudou a manter os agentes em evidência e a ampliar o debate sobre segurança pública.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Coronel Menezes afirmou que a disputa pela narrativa pública foi determinante para aproximar a atuação policial da opinião pública. Ele também reconheceu que a operação teve falhas que foram objeto de análise posterior.

Os três eleitos passaram a defender publicamente pautas relacionadas ao endurecimento das políticas de segurança e ao enfrentamento das facções criminosas.

Operação também recebeu críticas pela letalidade

Apesar do apoio de parte da população e de setores políticos, a Operação Contenção foi alvo de críticas por causa do número de mortos. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos e outras entidades manifestaram preocupação com a letalidade da ação.

O debate também envolveu a ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, decisão do Supremo Tribunal Federal que estabeleceu regras e medidas de controle para operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro.

Autoridades estaduais criticaram as restrições impostas pela decisão, enquanto defensores das medidas apontaram a necessidade de reduzir mortes e garantir o cumprimento de protocolos de segurança e direitos fundamentais.

O que dizem os dados e os envolvidos?

Uma pesquisa Genial/Quaest divulgada menos de um mês depois da operação apontou que 67% dos entrevistados aprovavam a ação, enquanto 25% desaprovavam. O resultado mostrou que a megaoperação teve apoio expressivo na opinião pública, embora também tenha provocado questionamentos sobre seus métodos e consequências.

Felipe Curi afirmou que a operação foi resultado de mais de um ano de investigação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes e de aproximadamente dois meses de planejamento conjunto com a Polícia Militar. Segundo ele, o objetivo era cumprir mandados judiciais e conter a expansão territorial das facções criminosas, não obter projeção eleitoral.

Com os resultados das eleições de 2026, os três agentes passam a levar o debate sobre segurança pública para dentro do Legislativo. A repercussão política da Operação Contenção, portanto, ultrapassou o campo policial e se tornou um dos temas que marcaram a disputa eleitoral no Rio de Janeiro.

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