O governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado, voltou a defender que facções criminosas sejam enquadradas como organizações terroristas no Brasil. A declaração foi dada nesta segunda-feira (25), durante agenda política em São Paulo, ao comentar o avanço do crime organizado na Amazônia brasileira.
Segundo Caiado, o enquadramento permitiria ao governo federal ampliar o uso das Forças Armadas no enfrentamento às facções criminosas que atuam nas fronteiras do país e em áreas dominadas pelo tráfico de drogas. O político afirmou que pretende encaminhar um projeto ao Congresso Nacional já no primeiro dia de um eventual mandato presidencial.
Durante a fala, Caiado citou diretamente organizações criminosas como o PCC e o Comando Vermelho, alegando que elas teriam expandido influência sobre municípios da Amazônia e regiões de fronteira. Segundo ele, o avanço das facções estaria ligado à ausência de controle efetivo do Estado sobre determinadas áreas do território nacional.
O governador defendeu que o combate ao crime organizado passe por uma atuação integrada entre governo federal, estados e países vizinhos. Entre as medidas mencionadas estão monitoramento por satélite, fortalecimento da inteligência policial, controle financeiro de organizações criminosas e reforço nas fronteiras terrestres.
Caiado também afirmou que as Forças Armadas não seriam utilizadas em operações urbanas dentro de comunidades, mas sim na retomada de áreas estratégicas dominadas por facções em regiões de fronteira e na Amazônia. Segundo ele, o objetivo seria “recuperar territórios ocupados pelo crime”.
A proposta de classificar facções como organizações terroristas vem sendo defendida por setores da oposição e aliados da direita desde 2025. O tema ganhou força após operações de segurança no Rio de Janeiro e discussões no Congresso Nacional sobre endurecimento das leis de combate ao crime organizado.
Atualmente, a legislação brasileira antiterrorismo, criada em 2016, prevê punições para atos terroristas ligados a motivações ideológicas, religiosas, xenofóbicas ou discriminatórias. A inclusão explícita de facções criminosas nesse enquadramento ainda enfrenta debates jurídicos e políticos no país.