A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram nesta quarta-feira (27) uma nova fase da Operação Sem Desconto, que apura um esquema nacional de fraudes envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A ação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e acontece em meio ao avanço das investigações sobre desvios bilionários em benefícios previdenciários.
Segundo a PF, estão sendo cumpridos 31 mandados de busca e apreensão, além de oito medidas cautelares de monitoramento eletrônico e outras restrições determinadas pela Justiça. As operações acontecem nos estados de São Paulo, Pernambuco, Paraíba e no Distrito Federal.
A investigação mira um esquema de descontos associativos realizados sem autorização de aposentados e pensionistas. De acordo com os investigadores, entidades e operadores financeiros teriam efetuado cobranças diretamente nos benefícios pagos pelo INSS, muitas vezes sem o conhecimento das vítimas.
As suspeitas fazem parte de um dos maiores escândalos recentes envolvendo a Previdência Social. Estimativas apontam que o esquema pode ter movimentado cerca de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.
A Operação Sem Desconto ganhou repercussão nacional após revelar fragilidades nos sistemas de controle do INSS e levantar suspeitas sobre a atuação de associações, intermediários e servidores públicos envolvidos na liberação dos descontos.
Nos desdobramentos anteriores da investigação, a PF já realizou prisões, apreendeu veículos de luxo, dinheiro em espécie, joias e imóveis de alto valor ligados aos investigados. O caso também provocou crises políticas e mudanças dentro da estrutura do INSS.
Em uma das fases anteriores da operação, o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, chegou a ser preso preventivamente por determinação do ministro André Mendonça, do STF.
As investigações apontam ainda possíveis crimes de organização criminosa, inserção de dados falsos em sistemas públicos, estelionato previdenciário, lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial.
Segundo a CGU, aposentados e pensionistas estão entre os grupos mais vulneráveis a esse tipo de golpe, principalmente porque muitos descontos apareciam de forma fragmentada nos extratos de pagamento dos benefícios, dificultando a identificação das cobranças indevidas.
A Polícia Federal informou que os materiais apreendidos nesta nova etapa serão analisados para aprofundar a identificação dos responsáveis, rastrear o fluxo financeiro do esquema e dimensionar o prejuízo causado às vítimas.