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Crise no BRB pode pesar nas contas do DF; governo busca R$ 6,6 bilhões

Uma conta bilionária pode aumentar a pressão sobre o orçamento de Brasília. O Governo do Distrito Federal tenta conseguir R$ 6,6 bilhões para recuperar o BRB, após operações malsucedidas envolvendo o Banco Master
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O governo do Distrito Federal tenta conseguir um empréstimo de R$ 6,6 bilhões para recuperar o Banco de Brasília (BRB), enquanto prepara um orçamento de quase R$ 50 bilhões para 2027. A combinação coloca as finanças públicas entre os principais desafios da governadora Celina Leão (PP), reeleita para mais quatro anos à frente do Executivo local.

A preocupação é que a recuperação do banco público amplie a pressão sobre um orçamento que já passou por cortes de despesas e revisão de contratos. Como acionista controlador do BRB, o governo distrital poderá assumir obrigações financeiras relacionadas ao socorro da instituição.

O impacto sobre serviços públicos ainda dependerá da forma de financiamento e das condições de pagamento. Saúde, educação, transporte e infraestrutura estão entre as áreas que disputam recursos no orçamento do Distrito Federal.

A crise ganhou força após operações malsucedidas entre o BRB e o Banco Master, instituição financeira ligada ao empresário Daniel Vorcaro.

BRB tem R$ 8,8 bilhões em créditos sob suspeita

O Banco de Brasília estima que pelo menos R$ 8,8 bilhões em créditos adquiridos nas operações com o Master sejam inexistentes, fraudulentos ou de difícil recuperação.

O problema exige a recomposição do patrimônio do BRB para que a instituição volte a atender às exigências de capital estabelecidas pelo Banco Central.

Em março de 2025, o banco público anunciou uma operação para adquirir parte do Banco Master. A proposta previa a compra de 49% das ações ordinárias e de 100% das ações preferenciais da instituição privada, após autorização da Câmara Legislativa do Distrito Federal.

As operações se tornaram alvo de investigação da Polícia Federal. No fim de outubro de 2026, a corporação indiciou 15 pessoas, incluindo Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e ex-diretores da instituição pública.

O indiciamento representa uma etapa da investigação e não equivale a uma condenação judicial.

Celina Leão afirma que não participou das negociações com o Master e que era contrária à operação. Depois de assumir o governo, em março deste ano, passou a defender medidas para recuperar a instituição.

Governo tenta empréstimo de R$ 6,6 bilhões

Para reforçar o capital do BRB, o Governo do Distrito Federal recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) na tentativa de viabilizar um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Os recursos ainda não foram liberados. O governo federal informou que não pode oferecer garantia para a operação, mas o Executivo distrital mantém as negociações.

Celina também afirmou que busca alternativas de financiamento junto a bancos árabes.

Outro ponto de atenção é a divulgação dos resultados financeiros do BRB. O banco não apresenta um novo balanço desde novembro de 2025.

Após a vitória nas eleições, a governadora negou que a divulgação estivesse condicionada ao calendário eleitoral. Segundo ela, a publicação depende das negociações para a obtenção do empréstimo.

O plano de governo para o próximo mandato prevê a recuperação financeira do BRB, o fortalecimento dos controles internos, a ampliação da transparência e a modernização dos serviços bancários.

Contas públicas também pressionam Celina Leão

A situação fiscal do Distrito Federal já vinha exigindo medidas de contenção de despesas antes mesmo da definição do próximo mandato.

Ao assumir o Executivo, em março de 2026, Celina anunciou revisões de contratos e cortes de gastos. Uma das primeiras medidas foi o cancelamento das comemorações dos 66 anos de Brasília, com redirecionamento de R$ 25 milhões para a saúde.

Em abril, a governadora assinou um decreto que determinou a revisão de contratos administrativos, com tentativa de redução de até 25% dos valores, além de restrições a reajustes e nomeações.

Em agosto, Celina afirmou que havia encontrado um desequilíbrio de quase R$ 5 bilhões nas contas do governo. Na ocasião, a Secretaria de Economia apresentou estimativas que incluíam despesas de anos anteriores e compromissos que, segundo a pasta, não estavam devidamente previstos no orçamento.

Os números divulgados pelo governo variaram ao longo do ano, chegando a referências próximas de R$ 6 bilhões. Essas estimativas não representam necessariamente o déficit fiscal consolidado do exercício.

Orçamento de 2027 prevê quase R$ 50 bilhões

Em setembro, o governo encaminhou à Câmara Legislativa o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, com previsão de R$ 49,797 bilhões em receitas e despesas no orçamento próprio do Distrito Federal.

A proposta foi elaborada sem previsão de déficit e estabelece limites para a execução das despesas. Entre os valores previstos estão R$ 9,30 bilhões para educação, R$ 8,01 bilhões para saúde, R$ 2,48 bilhões para transporte e R$ 1,26 bilhão para assistência social.

O projeto também considera R$ 30,32 bilhões do Fundo Constitucional do Distrito Federal, elevando o conjunto de recursos estimados para 2027 a aproximadamente R$ 80,12 bilhões.

Esse fundo é responsável por financiar despesas importantes da capital federal, especialmente nas áreas de segurança pública, saúde e educação.

Celina alertou, em setembro, que uma eventual mudança no cálculo do Fundo Constitucional poderia retirar R$ 1,8 bilhão dos recursos previstos para o próximo ano.

O plano de governo da governadora prevê medidas de responsabilidade fiscal, modernização da arrecadação tributária e melhoria da qualidade do gasto público. O documento, porém, não apresenta metas fiscais específicas nem detalha prazos para a execução das propostas.

A recuperação do BRB e a aprovação do orçamento de 2027 serão, portanto, duas questões centrais para o início do novo mandato. A possibilidade de novos cortes e o custo efetivo do socorro ao banco dependerão das negociações financeiras e das decisões sobre o orçamento distrital.

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