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Mulher indígena faz história nos EUA e conquista governo pelo Partido Democrata

Deb Haaland venceu a disputa pelo governo do Novo México aos 65 anos. Ex-ministra de Joe Biden, ela se tornou a primeira mulher indígena eleita para comandar um estado americano.
Redação NC News
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A política americana Deb Haaland foi eleita governadora do Novo México nas eleições realizadas nesta terça-feira (3). Integrante do povo indígena Laguna Pueblo e filiada ao Partido Democrata, ela derrotou o republicano Gregg Hull e se tornou a primeira mulher indígena eleita governadora de um estado dos Estados Unidos.

Aos 65 anos, Haaland alcançou mais um marco em uma trajetória marcada pela ampliação da representatividade indígena na política americana. Ela já havia feito história durante o governo do ex-presidente Joe Biden, quando assumiu o comando do Departamento do Interior e se tornou a primeira pessoa indígena a chefiar um ministério no país.

Quem é Deb Haaland, a nova governadora do Novo México?

Nascida em Winslow, no estado do Arizona, Deb Haaland tem origem no povo Laguna Pueblo, uma comunidade indígena do sudoeste americano. Antes de chegar ao governo federal, construiu uma carreira ligada à organização comunitária, à política e à defesa dos direitos dos povos indígenas.

Em 2018, foi eleita para a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, tornando-se uma das primeiras mulheres indígenas a conquistar uma cadeira no Congresso americano. Na mesma eleição, Sharice Davids, do Kansas, também fez história ao chegar à Câmara.

Dois anos depois, com a vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais, Haaland foi indicada para comandar o Departamento do Interior, responsável por políticas relacionadas às terras federais, recursos naturais e assuntos indígenas.

A nomeação foi aprovada pelo Senado em 2021. Ela permaneceu no cargo até 2025, durante o governo Biden.

Disputa foi contra republicano que comandou cidade por anos

Na eleição para o governo do Novo México, Haaland enfrentou o republicano Gregg Hull, empresário e ex-prefeito de Rio Rancho, cidade localizada na região metropolitana de Albuquerque.

A democrata conquistou aproximadamente 57% dos votos, contra cerca de 43% do adversário, de acordo com a apuração divulgada após a votação.

O resultado foi considerado uma vitória histórica para a representação indígena na política dos Estados Unidos. O Novo México tem uma população indígena significativa, estimada em aproximadamente 12% dos moradores.

História pessoal também marcou campanha

Durante a campanha, Haaland falou sobre os desafios que enfrentou antes de construir sua carreira política. Mãe solo, ela contou que precisou recorrer a programas de assistência social, como Medicaid, WIC e auxílio-alimentação, para sustentar a família.

Ela também relembrou que ingressou na faculdade de Direito já na casa dos 30 anos, depois de enfrentar dificuldades financeiras.

A trajetória foi utilizada como parte de sua apresentação aos eleitores, especialmente ao defender políticas de inclusão, oportunidades econômicas e acesso a serviços públicos.

Direito ao voto indígena ainda é uma conquista recente nos EUA

A eleição de Haaland também tem significado histórico diante da trajetória de exclusão política enfrentada pelos povos indígenas americanos.

No Novo México, os indígenas conquistaram o direito ao voto em 1948, após uma ação judicial movida por Miguel Trujillo, veterano da Segunda Guerra Mundial e integrante do povo Isleta Pueblo.

Em âmbito nacional, o reconhecimento do direito de voto para indígenas só foi consolidado em todos os estados durante a década de 1960.

Mais recentemente, em 2023, o Novo México aprovou uma legislação que ampliou a participação das comunidades indígenas na definição de locais de votação e nas discussões sobre a organização dos distritos eleitorais.

A vitória de Haaland representa mais um avanço na presença desses povos nos espaços de poder dos Estados Unidos.

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