A morte da maquiadora, de 48 anos, após um procedimento estético em São Paulo, está sendo investigada pela Polícia Civil como morte suspeita. A paciente morreu na manhã desta terça-feira (26), menos de 24 horas depois de passar por uma remodelação corporal com aplicação de PMMA nos glúteos e nas coxas em uma clínica localizada no Brooklin, zona sul da capital paulista.
Segundo o boletim de ocorrência, Roseli havia viajado de Mato Grosso do Sul para São Paulo exclusivamente para realizar o procedimento estético. A aplicação foi feita pela médica Tábita Nunes Marcolino Jorge, de 36 anos, que possui pós-graduação em dermatologia, mas não residência médica na especialidade.
De acordo com o relato da filha da vítima à polícia, a maquiadora realizou diversos exames antes da cirurgia e conheceu a profissional pelas redes sociais. O procedimento começou na manhã de segunda-feira (25) e terminou por volta das 14h. Além da remodelação dos glúteos, Roseli também faria aplicação na região posterior das coxas e nos quadríceps.
Ainda conforme o registro policial, a médica afirmou ter utilizado PMMA em gel dentro do limite máximo permitido por sessão, cerca de 300 ml. O Conselho Federal de Medicina, no entanto, contraindica o uso da substância para fins estéticos em grandes volumes.
O cirurgião plástico Wendell Uguetto comentou o caso:
Na noite após o procedimento, Roseli começou a reclamar de dores e mal-estar. Já na manhã de terça-feira, apresentou sintomas mais graves, como falta de ar, chiado no peito, coração acelerado e fraqueza. Segundo a filha, a maquiadora chegou a dizer que “achava que ia morrer”.
Mãe e filha entraram em contato com a médica, que orientou o retorno imediato à clínica para uma nova avaliação. Durante o trajeto em um carro de aplicativo, Roseli perdeu a consciência. Imagens de câmeras de segurança mostram a chegada da paciente desacordada ao prédio comercial onde funciona o consultório. Funcionários e pessoas que estavam na recepção tentaram ajudar no socorro.
A vítima foi retirada do veículo em uma cadeira de rodas e levada para dentro do edifício. Ainda no hall, ela sofreu uma parada cardiorrespiratória. A médica e funcionários iniciaram manobras de ressuscitação cardiopulmonar até a chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Um desfibrilador chegou a ser utilizado, mas o aparelho não indicou necessidade de choque elétrico.
Equipes do SAMU continuaram as tentativas de reanimação por cerca de 40 minutos, porém Roseli morreu no local às 10h05. O caso foi registrado no 27º Distrito Policial como morte suspeita, morte acidental e homicídio, e exames periciais devem apontar a causa exata da morte.
Em depoimento, a médica afirmou atuar com procedimentos estéticos não cirúrgicos há quase seis anos e disse ter seguido todos os protocolos necessários. Ela também declarou que Roseli já havia feito uma remodelação glútea semelhante com outro profissional cerca de dois anos antes, sem complicações.
A defesa da médica sustenta que o procedimento ocorreu sem intercorrências e afirma que ainda não há comprovação de relação direta entre a aplicação do PMMA e a morte da paciente.