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“Os recursos são limitados, a demanda está reprimida”, diz presidente do Metrô de SP

Em entrevista exclusiva ao NC News durante seminário do LIDE, Julio Castiglioni aponta juros elevados, incertezas econômicas e desafios de financiamento para acelerar a expansão da rede metroviária paulista.
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O presidente do Metrô de São Paulo, Julio Castiglioni, comentou nesta quarta-feira (4) os desafios para acelerar a expansão da rede metroviária paulista. Em entrevista exclusiva ao NC News, durante o Seminário LIDE Infraestrutura e Saneamento, realizado na capital paulista, o executivo destacou o cenário de incertezas econômicas, o alto custo do dinheiro e a necessidade de criatividade, responsabilidade e eficiência na execução dos projetos para viabilizar o maior plano de expansão da história da companhia.

Questionado sobre os principais entraves à ampliação da rede metroviária, Castiglioni destacou que o Metrô precisa conciliar novos investimentos com responsabilidade financeira e capacidade de execução. Segundo ele, a empresa possui experiência técnica para enfrentar esses desafios, mas o cenário econômico exige planejamento e decisões cuidadosas.

O encontro, realizado na Casa LIDE, reuniu empresários, representantes do poder público e executivos de grandes companhias para discutir investimentos em infraestrutura, mobilidade urbana e saneamento básico. Durante o seminário, Castiglioni também abordou a importância das parcerias com a iniciativa privada e a necessidade de garantir recursos para projetos de longo prazo.

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Presidente do Metrô aponta juros elevados e incertezas econômicas

Ao NC News, Julio Castiglioni explicou que o atual cenário macroeconômico representa um dos principais obstáculos para a expansão do transporte sobre trilhos em São Paulo.

O presidente destacou que a companhia, com mais de cinco décadas de história, mantém sua capacidade de desenvolver grandes projetos, mas precisa lidar com o encarecimento dos financiamentos e as dificuldades fiscais que afetam os investimentos públicos.

“A gente tem um desafio muito importante, um momento de incerteza do ponto de vista de macroeconomia, um custo do dinheiro muito caro, com uma crise fiscal contratada.”

Na avaliação de Castiglioni, superar essas dificuldades exige criatividade, responsabilidade na aplicação dos recursos e eficiência na execução de obras já planejadas.

O executivo afirmou que a experiência acumulada pela companhia e a qualificação de seus profissionais são fundamentais para transformar os projetos de expansão em novas linhas e estações.

Durante o seminário, Castiglioni também citou aproximadamente R$ 30 bilhões aplicados no Metrô ao longo de quatro anos, considerando investimentos e despesas operacionais.

Segundo ele, a participação privada pode ampliar as possibilidades de financiamento, mas não elimina o impacto dos juros elevados, uma vez que as empresas também precisam captar recursos e garantir a viabilidade econômica dos empreendimentos.

Superlotação e falhas técnicas também são desafios

Além das dificuldades para expandir a rede, o presidente foi questionado pelo NC News sobre problemas enfrentados diariamente pelos passageiros, como superlotação e falhas técnicas.

Castiglioni afirmou que a prioridade da companhia continua sendo a segurança, o conforto e a qualidade da experiência dos usuários.

O executivo reconheceu que os serviços ainda podem ser aprimorados e destacou iniciativas adotadas para melhorar o atendimento à população.

Entre os exemplos apresentados estão a operação durante 24 horas em períodos de fim de semana e a implantação de redes gratuitas de Wi-Fi para os passageiros.

Segundo Castiglioni, essas medidas fazem parte de um esforço para tornar o sistema mais acessível e melhorar as condições de deslocamento.

A expansão da rede também foi apontada como uma resposta à demanda por transporte público em diferentes regiões da capital e da Região Metropolitana de São Paulo.

“Os recursos são limitados, a demanda está reprimida, mas a gente confia que está no caminho certo.”

A declaração ocorre em um momento em que o sistema ainda enfrenta ocorrências operacionais. Na manhã desta quarta-feira (4), por exemplo, uma falha em um trem na estação Brigadeiro provocou lentidão na Linha 2-Verde durante o horário de pico. Segundo as informações divulgadas pelo Metrô, a circulação foi normalizada por volta das 8h45.

Expansão da rede busca reduzir o tempo de deslocamento

Para o presidente, ampliar a cobertura do Metrô significa oferecer mais oportunidades de deslocamento e reduzir o tempo gasto pela população no transporte público.

Castiglioni destacou que o crescimento da rede deve permitir que mais moradores tenham acesso ao sistema, especialmente em regiões que ainda dependem de viagens longas e diferentes integrações.

O governo paulista mantém projetos de ampliação e implantação de novas linhas, além de obras de modernização da infraestrutura existente.

Entre os empreendimentos em planejamento está a Linha 16-Violeta, que deverá conectar diferentes regiões da capital e ampliar as possibilidades de integração com outras linhas.

Nesta quarta-feira (4), o governo estadual anunciou uma mudança na localização prevista para a futura estação Ana Rosa, da Linha 16-Violeta, na Vila Mariana. A alteração foi definida após estudos técnicos apontarem uma alternativa considerada mais adequada para a integração com as linhas 1-Azul e 2-Verde.

O projeto segue em fase de estruturação, com edital de concessão previsto para o primeiro semestre de 2027.

Parcerias privadas são consideradas fundamentais para novos projetos

Outro tema abordado na entrevista exclusiva ao NC News foi a participação da iniciativa privada na expansão da rede metroviária paulista.

Questionado sobre como ampliar essas parcerias, Castiglioni defendeu a utilização de diferentes modelos de contratação, considerando as características de cada linha e empreendimento.

Segundo ele, não existe um único formato que deva ser aplicado a todos os projetos. A escolha precisa considerar as necessidades operacionais, a viabilidade financeira e as condições específicas de cada investimento.

“Eu não tenho dúvida nenhuma de que a gente precisa contar com as parcerias privadas, seja em que modelo for.”

O presidente destacou que São Paulo já combina a atuação de operadores públicos e privados no transporte sobre trilhos, permitindo a troca de experiências e conhecimentos técnicos.

Para Castiglioni, essa integração pode contribuir para aprimorar a operação e estruturar novos investimentos.

A avaliação também foi discutida durante o seminário do LIDE, que destacou a importância da segurança jurídica, da estabilidade regulatória e da participação de investidores em projetos de infraestrutura.

Planejamento e financiamento são essenciais para acelerar obras

Durante o evento, representantes dos setores público e privado defenderam a necessidade de transformar projetos em obras efetivamente entregues à população.

O CEO da Acciona no Brasil, André de Angelo, ressaltou que a ampliação dos investimentos depende de contratos bem estruturados, regras estáveis e profissionais qualificados.

O presidente da Aena Brasil, Santiago Yus, também destacou a importância de reduzir incertezas e melhorar a integração entre diferentes esferas de governo para evitar atrasos na execução de empreendimentos.

No caso do Metrô de São Paulo, Castiglioni reforçou que a continuidade do plano de expansão dependerá da combinação entre financiamento, projetos consistentes e capacidade de execução.

Para o executivo, os desafios econômicos não afastam a necessidade de ampliar o transporte público, mas exigem que os investimentos sejam conduzidos com responsabilidade e planejamento de longo prazo.

Assista à entrevista exclusiva do presidente do Metrô ao NC News

Durante o Seminário LIDE Infraestrutura e Saneamento, Julio Castiglioni conversou com o NC News sobre os obstáculos para acelerar a expansão do Metrô de São Paulo, os problemas enfrentados pelos passageiros e a importância das parcerias com empresas privadas.

O presidente também comentou as iniciativas para melhorar o conforto e a segurança dos usuários, além das dificuldades financeiras que precisam ser superadas para ampliar a rede.

Confira no vídeo abaixo a entrevista exclusiva com Julio Castiglioni, presidente do Metrô de São Paulo:

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