O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sofreu uma importante derrota política nas eleições realizadas na terça-feira (3), mas isso não significa que ele deixará a Casa Branca. O Partido Democrata, que faz oposição ao republicano, conquistou a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado. Apesar do resultado, Trump continuará presidente até 20 de janeiro de 2029, quando termina seu mandato.
A votação faz parte das chamadas eleições de meio de mandato, conhecidas nos Estados Unidos como midterms. Diferentemente das eleições presidenciais, elas não escolhem quem comandará o país, mas definem a composição do Congresso e parte dos governos estaduais. O resultado pode facilitar ou dificultar a aprovação de projetos apresentados pelo presidente.
Com a vitória democrata, Trump perderá o apoio da maioria republicana nas duas Casas do Congresso a partir de janeiro de 2027. Isso significa que o governo precisará negociar com a oposição para avançar em sua agenda, enquanto os democratas terão mais instrumentos para fiscalizar a administração federal.
Trump perde maioria no Congresso: democratas conquistam Câmara e Senado nos EUA
O que são as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos?
Nos Estados Unidos, o presidente é eleito para um mandato de quatro anos. Entretanto, a cada dois anos, os americanos voltam às urnas para renovar parte dos representantes políticos do país.
Essas votações são chamadas de midterms quando acontecem na metade do mandato presidencial.
Na prática, os eleitores escolhem todos os 435 integrantes da Câmara dos Representantes, aproximadamente um terço dos 100 senadores e governadores em diversos estados.
A Câmara possui mandatos de dois anos, enquanto os senadores são eleitos para períodos de seis anos. Por isso, apenas uma parte do Senado é renovada em cada eleição.
O resultado é importante porque o Congresso participa da elaboração das leis, da aprovação do orçamento federal e da fiscalização das ações do governo.
Assim, mesmo sem disputar diretamente a Presidência, um presidente pode perder força política quando seu partido deixa de controlar o Legislativo.
Por que Trump perdeu força após as eleições?
Nas eleições de 3 de novembro de 2026, os democratas conquistaram a maioria nas duas Casas do Congresso americano, encerrando o controle republicano sobre o Legislativo.
Na Câmara dos Representantes, o Partido Democrata ultrapassou os 218 assentos necessários para formar maioria.
No Senado, os democratas e independentes alinhados ao partido conquistaram pelo menos 54 das 100 cadeiras, segundo as projeções eleitorais divulgadas após a votação.
Com isso, os republicanos perderam a capacidade de conduzir sozinhos as principais decisões legislativas.
A mudança representa uma dificuldade para Trump porque projetos defendidos pela Casa Branca precisarão passar por um Congresso controlado pela oposição.
Os democratas também poderão comandar comissões parlamentares, convocar integrantes do governo para prestar esclarecimentos e abrir investigações sobre decisões da administração republicana.
Trump pode perder a Presidência por causa do resultado?
Não. A derrota do Partido Republicano nas eleições legislativas não altera a duração do mandato presidencial.
Trump assumiu seu segundo mandato em 20 de janeiro de 2025, após vencer a eleição de 2024. Pelas regras constitucionais americanas, ele deverá permanecer na Presidência até 20 de janeiro de 2029.
As eleições de meio de mandato não funcionam como uma votação para decidir se o presidente continua ou deixa o cargo.
A saída antecipada de um presidente depende de situações específicas previstas no sistema constitucional, como renúncia, morte ou destituição após processo de impeachment.
Portanto, a vitória democrata não representa a retirada automática de Trump do poder.
O que muda na prática para o governo americano?
A principal mudança será a relação entre a Casa Branca e o Congresso.
Até agora, Trump contava com o apoio de maiorias republicanas na Câmara e no Senado. A partir de 3 de janeiro de 2027, quando os parlamentares eleitos assumirem seus mandatos, essa situação será diferente.
Com a oposição controlando as duas Casas, o presidente poderá enfrentar dificuldades para aprovar mudanças em impostos, gastos públicos, políticas sociais e outras propostas que dependam de legislação.
Os democratas também terão maior capacidade de fiscalizar decisões do governo, solicitar documentos e investigar possíveis irregularidades.
Isso não significa, porém, que o Congresso passará a controlar diretamente todas as decisões da Presidência.
Trump continuará comandando o Poder Executivo e poderá exercer atribuições próprias do cargo, respeitados os limites estabelecidos pela Constituição e pelas leis americanas.
O presidente também poderá vetar projetos aprovados pelo Legislativo. Para derrubar um veto presidencial, deputados e senadores precisam reunir uma maioria de dois terços em cada Casa.
Quando será a próxima eleição para presidente dos Estados Unidos?
A próxima eleição presidencial americana está prevista para novembro de 2028.
Nessa votação, os eleitores escolherão quem assumirá a Casa Branca em janeiro de 2029.
Trump não poderá disputar um terceiro mandato presidencial. A 22ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos impede que uma pessoa seja eleita presidente mais de duas vezes.
O republicano já governou o país entre 2017 e 2021 e iniciou seu segundo mandato em 2025.
O que acontece agora?
Até janeiro de 2027, o atual Congresso continuará em funcionamento. A nova composição legislativa, escolhida nas eleições de novembro, assumirá no início do próximo ano.
A partir daí, Trump terá de lidar com um cenário de governo dividido, no qual a Presidência estará sob comando republicano e o Congresso será controlado pelos democratas.
O resultado não muda quem ocupa a Casa Branca, mas altera a distribuição de poder em Washington e pode influenciar decisões políticas, econômicas e internacionais durante os dois últimos anos do mandato presidencial.
Em resumo, Trump continuará presidente, mas terá um Congresso com maior capacidade de questionar, fiscalizar e dificultar a aprovação de suas propostas.