Um homem foi preso em flagrante na madrugada desta quinta-feira (5), suspeito de cometer violência sexual contra a própria filha, de apenas 2 anos, e transmitir imagens do abuso pela internet. A prisão ocorreu em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, no Paraná, após uma mulher que participava de uma chamada de vídeo perceber a situação e ajudar a denunciar o caso.
Segundo a Polícia Civil do Paraná (PCPR), os fatos teriam ocorrido na noite de quarta-feira (4). O suspeito participava de uma conversa por vídeo em uma plataforma de relacionamento virtual com uma mulher que mora no estado de São Paulo. Durante a interação, ela percebeu a presença da criança e identificou a violência sexual. Ao ser questionado, o homem afirmou que a menina era sua filha e, em seguida, encerrou a conversa, passando para outra sala virtual.
A mulher conseguiu registrar imagens da transmissão, que foram utilizadas para identificar a criança e localizar a família. As informações chegaram à mãe da vítima, que reconheceu a filha e o interior da residência. A Polícia Civil e a Guarda Municipal atuaram na ocorrência, que terminou com a prisão do suspeito.
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Mulher que participava de chamada de vídeo ajudou a revelar o crime
De acordo com a investigação, a denúncia começou a partir da atitude da mulher que estava conversando com o suspeito pela internet. Ao perceber a situação envolvendo a criança, ela questionou o homem e conseguiu preservar registros da transmissão.
A partir dessas informações, houve uma mobilização para descobrir a identidade da vítima e localizar seus responsáveis. As imagens chegaram ao conhecimento da mãe da menina, que identificou a filha e reconheceu características da própria casa.
Após tomar conhecimento da denúncia, a mãe compareceu à delegacia acompanhada do companheiro, que era o pai da criança e o suspeito da violência.
Durante o atendimento policial, a mulher teve acesso a outros registros que já haviam chegado às autoridades. Segundo a Polícia Civil, ela reconheceu novamente a residência e identificou o próprio marido como o homem que aparecia nas imagens.
Reconhecimento das imagens levou à prisão em flagrante
A Polícia Civil informou que a decisão de prender o suspeito considerou os registros apresentados, o reconhecimento feito pela mãe da criança e o curto intervalo entre os fatos investigados e a comunicação às autoridades.
Com esses elementos, a autoridade policial constatou a situação de flagrante e determinou a prisão do homem.
Ele foi autuado, em tese, por estupro de vulnerável, divulgação de cena de estupro de vulnerável e transmissão ou divulgação de material de violência sexual contra criança.
Após os procedimentos na delegacia, o suspeito foi encaminhado ao sistema penitenciário, onde permanece à disposição da Justiça.
A identidade dos envolvidos não foi divulgada, como medida de proteção à criança. Também não foram apresentadas informações sobre o estado de saúde da vítima ou sobre eventuais atendimentos médicos realizados após a descoberta do caso.
Polícia destaca importância da denúncia e da proteção à criança
O delegado Ronaldo Wenceslau, da Polícia Civil do Paraná, destacou que a rapidez na circulação das informações entre as pessoas que identificaram a violência e as autoridades foi decisiva para a prisão.
“A rapidez das informações foi fundamental para a identificação do suspeito e a realização da prisão em flagrante. Trata-se de um caso extremamente grave, envolvendo uma criança cuja proteção e preservação da identidade são prioridades absolutas.”
Segundo o delegado, os elementos reunidos na investigação também serão encaminhados a outros órgãos que atuam no enfrentamento dos crimes sexuais contra crianças e adolescentes praticados pela internet.
A medida busca fortalecer a cooperação entre instituições responsáveis pela investigação e prevenção desse tipo de violência.
A Polícia Civil reforçou que imagens de abuso sexual infantil não devem ser compartilhadas, reproduzidas ou divulgadas. Em situações semelhantes, a orientação é comunicar imediatamente as autoridades e preservar as informações necessárias para a investigação, sem espalhar o conteúdo.
Quais crimes são investigados?
O suspeito poderá responder por crimes previstos no Código Penal e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
O estupro de vulnerável é caracterizado pela prática de conjunção carnal ou outro ato libidinoso com menores de 14 anos, independentemente de consentimento. A legislação estabelece punições específicas para esse tipo de violência.
Além da suspeita de violência sexual, a transmissão de imagens envolvendo abuso de crianças também pode configurar crimes autônomos, previstos na legislação brasileira.
No caso investigado em São José dos Pinhais, a Polícia Civil apontou três enquadramentos criminais no auto de prisão em flagrante. A responsabilização definitiva dependerá do andamento da investigação e da análise do Poder Judiciário.
Próximos passos
A Polícia Civil deverá dar continuidade à apuração para esclarecer todas as circunstâncias da violência e reunir os elementos necessários ao processo criminal.
Os registros obtidos durante a investigação serão compartilhados com os órgãos competentes para auxiliar na identificação de possíveis outros envolvidos na circulação do conteúdo, caso surjam indícios nesse sentido.
O homem permanece à disposição da Justiça. Até o momento, não foram divulgadas informações sobre manifestações da defesa.
Casos de violência contra crianças e adolescentes podem ser denunciados pelo Disque 100. Em situações de emergência, a Polícia Militar pode ser acionada pelo telefone 190.