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Uber quer colocar mais de 2 mil carros sem motorista nas ruas até 2027; veja o impacto no Brasil

Empresa aposta em veículos guiados por inteligência artificial para ampliar corridas autônomas, mas custos, legislação e mercado de trabalho dificultam chegada ao país.
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Pedir um Uber e encontrar um carro sem ninguém ao volante pode se tornar uma experiência cada vez mais comum em algumas cidades do mundo. A empresa anunciou que pretende disponibilizar mais de 2 mil veículos totalmente autônomos em sua plataforma até o fim de 2027, ampliando a aposta na inteligência artificial para transportar passageiros. O plano, divulgado na quarta-feira (4), representa um avanço importante na estratégia da companhia, mas ainda não estabelece uma data para a chegada da tecnologia ao Brasil.

A expectativa é encerrar 2026 com aproximadamente 700 carros autônomos disponíveis no aplicativo e praticamente triplicar esse número no ano seguinte. A expansão ocorrerá por meio de parcerias com empresas especializadas em direção autônoma, que desenvolvem veículos capazes de circular sem a intervenção de um motorista humano.

O anúncio foi feito durante a divulgação dos resultados financeiros da Uber. Segundo o presidente-executivo da companhia, Dara Khosrowshahi, a prioridade agora é transformar a tecnologia em um serviço comercial de maior escala, deixando de concentrar os investimentos apenas em testes e desenvolvimento.

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Como funcionam os carros da Uber sem motorista?

Os chamados robotáxis utilizam câmeras, sensores, radares, sistemas de navegação e inteligência artificial para identificar o ambiente ao redor e tomar decisões durante o trajeto.

Esses sistemas permitem reconhecer outros veículos, pedestres, semáforos, obstáculos e alterações no trânsito. A partir das informações coletadas, o computador do automóvel calcula rotas e executa movimentos como acelerar, frear e mudar de direção.

A proposta é que o passageiro solicite uma corrida pelo aplicativo e seja transportado sem a presença de um condutor humano.

Entretanto, a operação depende de autorização regulatória e de condições específicas de funcionamento. Nem todos os veículos autônomos podem circular livremente em qualquer cidade, e a tecnologia ainda enfrenta desafios relacionados à segurança, ao comportamento imprevisível de outros motoristas e às diferenças entre os sistemas viários.

Uber prepara expansão com empresas de tecnologia

A estratégia da Uber envolve parcerias com fabricantes de automóveis e desenvolvedores de sistemas autônomos.

Entre os projetos anunciados está a utilização de veículos da montadora Lucid com tecnologia de direção autônoma da Nuro. A previsão é iniciar uma operação comercial no primeiro trimestre de 2027 na região da baía de São Francisco, na Califórnia.

Houston, no Texas, também aparece nos planos de expansão.

Outra parceira é a Zoox, empresa de veículos autônomos pertencente à Amazon, que deverá integrar sua operação ao aplicativo da Uber em Las Vegas ainda em novembro de 2026.

Os carros podem pertencer à própria Uber ou a empresas parceiras que disponibilizam viagens pela plataforma. Isso permite ampliar o serviço sem que a companhia precise necessariamente fabricar todos os automóveis.

Quando os carros sem motorista vão chegar ao Brasil?

Apesar do avanço internacional, não existe uma data confirmada para a chegada de corridas totalmente autônomas da Uber ao Brasil.

Um dos principais obstáculos é a legislação. As regras brasileiras de trânsito ainda não oferecem uma estrutura geral para a circulação comercial de automóveis sem condutores humanos, além das possibilidades de testes experimentais autorizados.

Outro desafio está no custo da tecnologia. Os carros autônomos exigem equipamentos sofisticados, sistemas de manutenção especializados e investimentos elevados para garantir sua operação.

Em países como Brasil e Índia, onde as corridas por aplicativo costumam ter preços inferiores aos cobrados nos Estados Unidos, a substituição econômica do motorista humano pode demorar mais.

Em agosto, o diretor de operações da Uber, Andrew Macdonald, afirmou que os veículos autônomos podem levar décadas para competir em custos com motoristas tradicionais em mercados como esses.

O próprio Dara Khosrowshahi indicou, em entrevista concedida em março, que esperava a presença de alguns robotáxis no Brasil em aproximadamente dez anos, ainda representando uma parcela pequena das viagens.

Essa estimativa não constitui anúncio oficial de lançamento e poderá mudar conforme o desenvolvimento tecnológico, a legislação e as condições econômicas.

Motoristas brasileiros podem perder o trabalho?

A expansão dos carros autônomos também levanta dúvidas sobre o futuro dos profissionais que trabalham com transporte por aplicativos.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, divulgados em setembro de 2026, apontam que aproximadamente 905 mil pessoas tinham a condução de automóveis por aplicativos como atividade profissional principal no Brasil.

O número não inclui necessariamente todos os trabalhadores que realizam corridas como fonte complementar de renda.

A possibilidade de substituir parte dessas atividades por automóveis autônomos provoca discussões sobre empregos, remuneração e adaptação do mercado de trabalho.

A Uber, entretanto, não anunciou um plano de substituição generalizada de motoristas no Brasil.

Em agosto, a presidente da companhia no país, Silvia Penna, afirmou esperar um período prolongado de convivência entre veículos autônomos e motoristas humanos.

A avaliação é que a expansão da tecnologia ocorrerá gradualmente, sem uma mudança imediata na forma como o transporte por aplicativo funciona no mercado brasileiro.

Empresa também registra crescimento nas operações

O anúncio sobre os carros autônomos ocorreu durante a apresentação dos resultados do terceiro trimestre de 2026.

A Uber registrou receita de US$ 14,8 bilhões no período, crescimento de 10% em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior.

O volume bruto de reservas, indicador que reúne os valores movimentados pelos serviços da plataforma, chegou a US$ 59,8 bilhões, alta de 20%.

A companhia também registrou 4,1 bilhões de viagens e entregas, crescimento de 16%, e alcançou 215 milhões de consumidores ativos mensais.

Os resultados ajudam a explicar a estratégia de expansão. Com uma base crescente de usuários, a empresa pretende diversificar as formas de transporte disponíveis pelo aplicativo e aumentar a participação dos veículos autônomos nos mercados onde a tecnologia já possui autorização para operar.

Próximos passos

A Uber pretende concluir 2026 com cerca de 700 veículos totalmente autônomos disponíveis em sua plataforma e superar 2 mil unidades até o encerramento de 2027.

A companhia deverá ampliar as operações em parceria com fabricantes e empresas de tecnologia, principalmente nos mercados onde a regulamentação permite a circulação comercial de robotáxis.

No Brasil, a chegada dependerá de mudanças regulatórias, viabilidade econômica e condições técnicas para a operação.

Até o momento, não existe confirmação de que passageiros brasileiros poderão solicitar uma corrida sem motorista em 2027.

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