Faltando dois dias para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, marcado para este domingo (8), a expectativa sobre o tema da redação aumentou entre os estudantes. O professor Rógi Almeida, que trabalhou com seus alunos o assunto cobrado na edição de 2025, divulgou cinco apostas para a prova deste ano. Entre os temas estão racismo ambiental, justiça socioambiental, proteção de crianças nas redes sociais, uso ético da inteligência artificial e preservação dos biomas brasileiros.
No ano passado, o professor pediu que seus alunos produzissem uma redação sobre o envelhecimento da população brasileira cerca de um mês antes do exame. O assunto acabou sendo escolhido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), com o tema oficial “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”.
Para 2026, Rógi orienta os candidatos a estudar problemas sociais que envolvam tecnologia, meio ambiente e direitos de grupos vulneráveis. Ele ressalta que as sugestões não representam informações antecipadas sobre a prova, cujo tema permanece em sigilo até domingo.
LEIA TAMBÉM
Inep alerta contra “repertório de bolso” e explica o que pode prejudicar a redação do Enem 2026
Quais são as cinco apostas para a redação do Enem 2026?
O professor selecionou cinco assuntos relacionados a debates que ganharam espaço na sociedade brasileira. A intenção é ajudar os estudantes a desenvolver argumentos e ampliar o repertório antes da prova.
O primeiro é o racismo ambiental, que aborda como os impactos da degradação ambiental e dos desastres climáticos atingem de maneira desigual determinados grupos sociais.
A segunda possibilidade é a justiça socioambiental, relacionada à garantia de direitos, ao acesso a recursos naturais e à proteção de comunidades em situação de vulnerabilidade.
Outro tema apontado é a proteção de crianças nas redes sociais, especialmente diante dos riscos de exposição excessiva, violação de privacidade e circulação de conteúdos prejudiciais.
O quarto assunto envolve o uso ético da inteligência artificial, com discussões sobre responsabilidade, segurança, desinformação e consequências da tecnologia para a sociedade.
Por último, o professor destaca a preservação dos biomas brasileiros, com atenção especial aos desafios enfrentados pelo Cerrado.
Essas sugestões são possibilidades de estudo, e não previsões oficiais do Inep. Não há garantia de que algum desses assuntos será escolhido.
Como o professor acertou o tema da redação em 2025?
Cerca de um mês antes do Enem 2025, Rógi Almeida propôs aos estudantes uma atividade sobre o envelhecimento da população brasileira.
Os alunos produziram textos, receberam correções e tiveram a oportunidade de reescrever as redações com base nas orientações apresentadas.
Quando o tema oficial foi divulgado, os estudantes já estavam familiarizados com parte das discussões necessárias para desenvolver a proposta.
“Quando o aluno produz sobre o tema, já é, de certa forma, um alívio para eles. Eles já vão mais tranquilos para a produção de texto e não levam tanto tempo para produzir, já tendo feito um texto sobre a mesma temática”, explicou Rógi.
A experiência levou o professor a reforçar a importância de praticar textos sobre diferentes problemas sociais.
Ele também recomenda acompanhar debates públicos, notícias e propostas discutidas no Congresso Nacional, especialmente aquelas que envolvem direitos sociais, tecnologia e meio ambiente.
Racismo ambiental e mudanças climáticas podem aparecer na prova
Entre as apostas, duas estão diretamente relacionadas ao meio ambiente: racismo ambiental e justiça socioambiental.
O racismo ambiental é um conceito utilizado para discutir situações em que populações racializadas e socialmente vulneráveis enfrentam maior exposição à poluição, à falta de saneamento e aos efeitos de desastres ambientais.
Uma possível proposta poderia abordar os desafios para reduzir a desigualdade na proteção de comunidades atingidas por enchentes, secas e outros eventos climáticos.
Já a justiça socioambiental envolve a distribuição dos benefícios e dos prejuízos relacionados ao uso dos recursos naturais.
Nesse caso, o candidato poderia discutir a proteção de comunidades tradicionais, o acesso à água potável, o direito à moradia segura e a responsabilidade do poder público na prevenção de desastres.
Para desenvolver esses assuntos, é importante compreender a relação entre desigualdade social, ocupação urbana e mudanças climáticas.
Inteligência artificial e proteção de crianças também estão entre as apostas
A expansão das ferramentas de inteligência artificial é outro tema apontado pelo professor.
A tecnologia já faz parte de atividades escolares, serviços públicos, empresas e plataformas digitais, mas também provoca debates sobre privacidade, segurança e responsabilidade pelo conteúdo produzido.
Entre os possíveis recortes estão os desafios para combater a desinformação gerada por inteligência artificial, a proteção dos dados pessoais e os impactos da automação no trabalho.
A proteção de crianças e adolescentes nas redes sociais também aparece na lista.
O assunto ganhou relevância com os debates sobre exposição de menores, cyberbullying, publicidade direcionada e responsabilidade das plataformas digitais.
O Estatuto da Criança e do Adolescente e a legislação brasileira de proteção de dados podem servir como referências para discutir esses problemas.
A recomendação é que os candidatos não apenas mencionem leis, mas expliquem como elas se relacionam com os desafios apresentados no tema.
Preservação do Cerrado pode ser abordada na redação
A preservação dos biomas brasileiros completa a lista de apostas de Rógi Almeida.
O professor destaca especialmente o Cerrado, que possui grande importância ambiental e abriga nascentes de importantes bacias hidrográficas brasileiras.
Entre os problemas que podem ser discutidos estão o desmatamento, as queimadas, a expansão das atividades econômicas e os desafios para conciliar produção e conservação ambiental.
Uma proposta de redação poderia abordar a importância de políticas públicas para proteger a biodiversidade e os recursos hídricos.
O assunto também permite discutir a atuação dos órgãos ambientais, a fiscalização e o papel das comunidades tradicionais na preservação dos ecossistemas.
O que fazer para conseguir uma boa nota na redação?
Além de indicar possíveis temas, o professor apresentou orientações para a organização do texto.
A redação do Enem deve seguir o modelo dissertativo-argumentativo, no qual o candidato apresenta um ponto de vista sobre um problema social e desenvolve argumentos para defendê-lo.
Na introdução, é importante contextualizar o assunto e apresentar uma tese clara.
Nos parágrafos de desenvolvimento, o estudante deve explicar as causas ou consequências do problema, utilizando dados, acontecimentos históricos, obras literárias ou outros conhecimentos pertinentes.
Na conclusão, é necessário apresentar uma proposta de intervenção que respeite os direitos humanos.
Essa proposta deve identificar quem será responsável pela medida, qual ação deverá ser realizada, como ela poderá ser executada e qual resultado se pretende alcançar, além de apresentar um detalhamento pertinente.
A recomendação do professor é utilizar repertórios da literatura brasileira, história, sociologia, filosofia e legislação, desde que estejam diretamente relacionados ao tema.
Inep alerta para uso de citações decoradas
A Cartilha do Participante do Enem 2026 também traz orientações sobre a utilização de referências socioculturais.
O Inep chama atenção para o chamado “repertório de bolso”, quando o estudante utiliza uma citação previamente memorizada sem estabelecer uma ligação consistente com o problema discutido.
Segundo a cartilha, a simples menção a um filósofo, escritor ou acontecimento histórico não garante uma boa avaliação.
É necessário demonstrar que o conhecimento apresentado contribui para o argumento desenvolvido.
A redação vale até 1.000 pontos e é avaliada em cinco competências, cada uma com pontuação máxima de 200 pontos.
Entre os critérios estão domínio da língua portuguesa, compreensão do tema, organização dos argumentos, coesão textual e elaboração de uma proposta de intervenção.
A fuga ao tema, o desrespeito à estrutura exigida e outras situações previstas na cartilha podem levar à nota zero.
Quando será a redação do Enem 2026?
A redação será aplicada neste domingo, 8 de novembro, durante o primeiro dia do Enem 2026.
Na mesma data, os candidatos responderão às questões de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias e Ciências Humanas e suas Tecnologias.
Os portões serão abertos ao meio-dia e fechados às 13h, no horário de Brasília. As provas começarão às 13h30.
O segundo dia do exame está marcado para 15 de novembro, com questões de Matemática e Ciências da Natureza.
O tema oficial da redação somente será conhecido no dia da aplicação.
Até lá, a orientação dos especialistas é revisar diferentes assuntos, compreender a estrutura do texto e evitar a tentativa de decorar uma redação pronta.
Para Rógi Almeida, estudar diferentes eixos temáticos ajuda o candidato a chegar mais preparado, mesmo que o assunto escolhido pelo Inep seja diferente das apostas divulgadas.