O Conselho Federal de Medicina (CFM) anunciou a proibição do uso do PMMA, conhecido como polimetilmetacrilato, em procedimentos estéticos e reparadores em todo o território nacional. A medida foi aprovada nesta sexta-feira (29) e passa a valer a partir de 2 de junho, quando a resolução será publicada oficialmente.
A decisão ocorre após uma série de complicações graves associadas ao uso da substância, incluindo casos de deformações permanentes, infecções, necroses e mortes registradas nos últimos anos.
O PMMA é um material sintético utilizado como preenchedor definitivo em procedimentos estéticos. Diferentemente de substâncias como o ácido hialurônico, ele não é absorvido naturalmente pelo organismo, permanecendo no corpo por tempo indeterminado.
Segundo o CFM, a única exceção permitida será para o tratamento de lipodistrofia em pacientes com HIV/AIDS. Nesses casos, a aplicação poderá ocorrer apenas em unidades de alta complexidade credenciadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e seguindo protocolos específicos definidos pelo Ministério da Saúde.
A resolução será detalhada em entrevista coletiva marcada para o início da próxima semana, com participação do presidente do Conselho Federal de Medicina, José Hiran da Silva Gallo, e da relatora da norma, a cirurgiã plástica Graziela Bonin.
Casos recentes acenderam alerta nacional
A discussão sobre a permanência do PMMA em procedimentos estéticos voltou ao centro do debate após a morte da maquiadora Roseli Fernandes de Oliveira Romero Vieira, de 48 anos, em São Paulo.
De acordo com as investigações, ela recebeu cerca de 300 ml da substância nos glúteos e nas coxas durante um procedimento estético. Horas depois, começou a apresentar sintomas graves, incluindo dores intensas, falta de ar e mal-estar. A paciente não resistiu. O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil.
Antes disso, outras mortes relacionadas ao uso do PMMA também chamaram atenção das autoridades e entidades médicas.
Em 2024, a influenciadora digital Aline Maria Ferreira da Silva morreu após complicações decorrentes da aplicação da substância. Já em um dos casos mais conhecidos do país, a modelo Andressa Urach chegou a ficar internada em estado grave após procedimentos envolvendo PMMA e hidrogel, em 2014. Ela conseguiu sobreviver após passar por tratamentos intensivos.
Entidades médicas pressionavam por proibição
A decisão do Conselho Federal de Medicina não aconteceu de forma repentina.
Nos últimos anos, entidades ligadas à cirurgia plástica e dermatologia intensificaram os alertas sobre os riscos da substância. Em 2025, o próprio CFM já havia solicitado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a suspensão do uso do PMMA como preenchedor estético.
Embora a Anvisa mantivesse a autorização do produto sob regras rígidas de aplicação, especialistas argumentavam que os riscos associados ao material eram superiores aos benefícios oferecidos nos procedimentos estéticos.
Quais são os riscos do PMMA?
De acordo com especialistas e sociedades médicas, o PMMA pode provocar reações imediatas e tardias no organismo.
Entre as complicações mais relatadas estão:
inflamações severas;
infecções;
reações alérgicas;
formação de granulomas;
necrose dos tecidos;
deformações permanentes;
embolias;
complicações sistêmicas que podem levar à morte.
Outro fator que preocupa médicos é o fato de a substância permanecer definitivamente no corpo, tornando sua retirada extremamente difícil em casos de complicações.
Com a nova resolução, o Brasil passa a restringir oficialmente o uso estético do PMMA, encerrando uma discussão que há anos dividia especialistas e levantava preocupações sobre a segurança dos pacientes.