Venda de anabolizantes dispara no Brasil e cresce 700% em sete anos

Mercado de hormônios bate recordes mesmo com restrições médicas. Caso envolvendo jovem fisiculturista reacende debate sobre uso indiscriminado de substâncias para fins estéticos
Redação NC News
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O avanço do consumo de anabolizantes no Brasil tem preocupado autoridades de saúde e especialistas. Dados recentes apontam que a comercialização dessas substâncias aumentou cerca de 700% nos últimos sete anos, impulsionada principalmente pela busca por resultados estéticos rápidos e pelo crescimento da cultura fitness nas redes sociais.

O tema voltou ao centro das discussões após a morte do fisiculturista e influenciador digital Gabriel Ganley, de 22 anos. O jovem, que acumulava milhões de seguidores nas plataformas digitais, foi encontrado morto em São Paulo. Segundo informações da investigação, um laudo identificou uma doença cardíaca que pode ser agravada pelo uso de hormônios anabolizantes.

Gabriel falava publicamente sobre o uso dessas substâncias em entrevistas e conteúdos publicados nas redes sociais, o que levantou questionamentos sobre a origem e a forma de aquisição dos produtos utilizados por ele.

Apesar de os anabolizantes possuírem aplicações médicas específicas, a prescrição para fins exclusivamente estéticos ou de melhora de desempenho esportivo foi proibida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) em 2023. Ainda assim, o mercado segue em expansão.

Levantamentos mostram que apenas entre 2024 e 2025 houve um crescimento de aproximadamente 20% nas vendas legais de testosterona. Quando comparado aos números registrados em 2018, o aumento supera a marca de 700%.

Especialistas apontam que parte desse crescimento está relacionada à facilidade de acesso aos produtos pela internet. Em plataformas digitais e aplicativos de mensagens, anúncios oferecem hormônios sem a exigência de receita médica, com promessas de entrega para diversas regiões do país.

A fiscalização desse comércio envolve órgãos sanitários e forças de segurança. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que monitora anúncios irregulares e atua em conjunto com vigilâncias estaduais e municipais. No entanto, o combate enfrenta dificuldades devido à rapidez com que novas páginas e perfis surgem após a remoção dos anteriores.

Em São Paulo, a Polícia Civil informou ter apreendido mais de 11 mil produtos irregulares somente neste ano. Uma pessoa também foi presa suspeita de envolvimento com falsificação e comercialização clandestina dessas substâncias.

Médicos alertam que o uso indiscriminado de anabolizantes pode provocar uma série de complicações graves. Entre os riscos mais comuns estão problemas cardiovasculares, alterações hepáticas, infertilidade, acidentes vasculares cerebrais (AVC), infartos e distúrbios hormonais permanentes.

Para representantes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, o crescimento acelerado desse mercado evidencia falhas na fiscalização e na aplicação de punições mais rigorosas contra vendedores ilegais.

Segundo especialistas da área, além do reforço nas ações de controle, é necessário ampliar campanhas de conscientização sobre os efeitos dessas substâncias, especialmente entre adolescentes e jovens adultos, público que mais consome conteúdos relacionados à hipertrofia muscular e transformação corporal nas redes sociais.

Enquanto a investigação sobre a morte de Gabriel Ganley continua, o caso reforça um alerta que médicos vêm repetindo há anos: a busca por resultados rápidos pode esconder riscos capazes de comprometer a saúde de forma irreversível.

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